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O setor da Floricultura na Região Autónoma da Madeira – 2020 (parte II)

3. Mão-de-obra na floricultura madeirense

Os últimos dados de que se dispõe sobre este item são os constantes do Inquérito à Floricultura de 2012, que, em termos muito genéricos, não sofreu grandes alterações até à atualidade, dados os valores muito próximos da realidade do sector entre estes dois anos. Se bem que a área média por exploração tenha evoluído de forma positiva entre 2002 e 2012, passando de cerca de 2.800 m2, para 3.300 m2 (+18%), ela volta, novamente para os níveis daquele ano, por efeito do aumento de área sob coberto e pelo facto das explorações que recorrem a este tipo de tecnologia serem, normalmente, de menor dimensão (não só pela mão-de-obra que necessitam, como pelo nível de investimento inicial que requerem). Esta atividade é feita, na maioria das vezes, em pequenas explorações agrícolas, recorrendo, na maioria dos casos, e à imagem das outras atividades agrícolas locais, a mão-de-obra familiar.

O Quadro 7 (que se encontra bastante atualizado) demonstra exatamente este aspeto: efetivamente, a maioria das explorações recorrem, quase que exclusivamente, ao trabalho dos familiares, que não se quedam exclusivamente afetos ao trabalho na mesma (78% destes indivíduos utilizam menos de 50% do seu tempo de atividade trabalhadora para a exploração).

No entanto, verifica-se que a mão-de-obra assalariada é importante, sinal que este tipo de produção é consumidor de muita mão-de-obra, sendo a aposta no mesmo um veículo importante de criação de emprego. Para corroborar este aspeto, observa-se que mais de metade destes indivíduos gasta 100% do seu tempo de atividade na floricultura.

floricultura RAM quadro7

 

O volume de mão-de-obra consumido pela floricultura na RAM (Quadro 8, que se aproxima bastante do cenário de 2020, como atrás mencionado) mostra alguns aspetos interessantes:

Embora a área tenha aumentado de 36 para 45 ha, (+25%), entre 2002 e 2012, o volume de mão-de-obra baixou de 225 para 153 UTA (-32%), sinal evidente de que as explorações apostaram mais no fator tecnológico, em detrimento da mão-de-obra;

O volume de mão-de-obra familiar é considerável, constituindo cerca de 41-42% do total consumido pelas explorações;

A mão-de-obra assalariada é também bastante importante, cerca de 58-59% do total. Mas o mais interessante é a componente elevada dos assalariados permanentes (92-94%), sinal que as explorações requerem uma grande atenção e especialização nos seus trabalhos.

floricultura RAM quadro8


Ricardo Costa
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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