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Calheta de lés a lés, para ver e sentir!

sabores nossos CALHETA Nesta “viagem” agrícola pela Ilha da Madeira, é tempo de chegarmos ao concelho da Calheta. Em termos de superfície, trata-se do maior município do Arquipélago da Madeira. É constituído por oito freguesias e a primeira, para quem vem do concelho vizinho da Ponta do Sol, é a do Arco da Calheta. Ali, predominam as culturas da bananeira, cana-de-açúcar, vinha e de outras fruteiras de clima subtropical como a anoneira, o abacateiro, o mangueiro, o maracujazeiro, entre outros. Nas zonas mais altas, encontram-se alguns pomares de macieira.

Na freguesia com o mesmo nome do município, a Calheta, encontram-se bananais e muitos canaviais, havendo por isso o Engenho da Sociedade dos Engenhos da Calheta ou como é mais conhecido, o Engenho da Calheta, que labora neste momento para a produção de mel de cana-de-açúcar e de aguardente de cana, dois dos derivados mais utilizados na doçaria regional e na preparação da poncha, respectivamente. Todos os anos é confeccionado um bolo de mel-de-cana gigante que um ano depois, é partido à mão (e não cortado), num concorrido convívio de produtores de cana-de-açúcar que entregam as suas produções naquele Engenho.

A história deste município está muito ligada à cana sacarina desde o povoamento e durante muitos anos tinha lugar na Vila, a Festa da Cana-de-Açúcar que, entretanto, passou a realizar-se na freguesia dos Canhas (concelho da Ponta do Sol).

O Estreito da Calheta segue igualmente as produções das duas localidades atrás mencionadas conjuntamente com a vinha. Mais recentemente, em finais da primeira década deste século, surgiu neste lugar, no Parque Empresarial da Calheta, o Engenho Novo da Madeira que produz aguardente de cana, licores, poncha de vários sabores e o mel de cana-de-açúcar.



 

A freguesia dos Prazeres ainda tem terrenos cultivados com trigo, macieiras para consumo em fresco e para a produção de sidra, plantando-se semilha e cenoura. E visitá-la sem ir à Quinta Pedagógica dos Prazeres (QPP), é como ir a Roma e não ver o Papa. A QPP foi criada a 1 de Outubro de 2000 por iniciativa do Pe. Rui Sousa, onde se decidiu transformar os terrenos pertencentes à paróquia, num espaço didáctico e pedagógico a nível frutícola, hortícola e animal. Tem um núcleo de preparação de compotas, licores e secagem de folhas de ervas e plantas com uso medicinal, uma Casa de Chá com venda dos derivados, a Galeria dos Prazeres, o Herbário Comunitário Pe. Manuel de Nóbrega, um lagar comunitário, onde se produz a sidra que é servida de várias formas na Casa da Sidra e uma área de exposição de animais domésticos que entusiasma miúdos e graúdos. No decorrer do ano, ocorrem diversas actividades, como por exemplo: a "Bênção dos Animais" em Janeiro, a “Mostra das Camélias” em Fevereiro, a “Mostra de Espantalhos” em Março, o "Leilão de Galos" em Junho, a "Mostra da Debulha do Trigo ao Vivo" em Julho e a “Mostra da Sidra” em Setembro. Uma nota de registo e apreço para os inúmeros prémios conquistados a nível nacional e internacional que os derivados elaborados na QPP alcançaram e alcançam, comprovando-se assim a sua qualidade e autenticidade.

Logo a seguir, surge a Fajã da Ovelha que tem culturas principais que se encontram nos Prazeres, como o trigo, macieira, limoeiro e semilha. Descendo pela estrada regional, chegamos ao Paul do Mar que possui um clima subtropical favorável à cultura da bananeira, papaieira, mangueiro, pitangueira, goiabeira entre outras. E ainda, à beira-mar, a freguesia do Jardim do Mar reforça o cultivo de subtropicais que é apreciado pelos surfistas que se deliciam de igual modo com aquelas ondas perfeitas, fazendo lembrar outras paragens exóticas do mundo.

E, por fim, no extremo mais a oeste, temos a Ponta do Pargo que no passado tinha muitos terrenos com trigo e dedicava-se à criação de gado para a produção de leite e de carne, bem como de apoio aos amanhos agrícolas. Nos tempos mais próximos do presente, destaca-se o cultivo de macieiras, em especial o “Pêro da Ponta do Pargo”, que é conhecido pelo seu perfume distinto e inebriante. Este fruto é celebrado, em Setembro de cada ano com a Festa do Pêro, atraindo muitos residentes e turistas que o compram e saboreiam os seus derivados, assistindo deleitados ao cortejo etnográfico preparado pelos seus habitantes e organizado pela Casa do Povo.
Há, pois, muito para ver e sentir!

(O autor prefere usar a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990)


Joaquim Leça
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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