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Consumir cuscuz, por que não?

cuscuz receita Tradicionalmente usado como alimento base dos países do Norte de África, o cuscuz é hoje consumido um pouco por todo o mundo. Na Madeira, este produto é referenciado por vários notáveis historiadores insulares como um legado cultural da presença dos mouros na ilha por entre os séculos XV e XVI. Desde essa época que por cá ficou, sobretudo nas mesas do meio rural.

O cuscuz típico madeirense, cujo fabrico é ainda muito rudimentar, é feito com farinha de trigo e água morna temperada com sal e folhas de segurelha. Esta massa é depois trabalhada até se transformar numa massa granulada, que posteriormente vai a cozer por cerca de duas horas num cuscuzeiro sobre uma panela com água. Depois de cozido, é retirado e esfregado, ainda quente, com as mãos. Por fim, é espalhado e seco ao sol durante dois ou três dias e está pronto a ser consumido.

Atualmente, o cuscuz caseiro é cada vez menos consumido pelos madeirenses, pois requer algum conhecimento e tempo de preparação. É produzido e vendido em algumas partes da ilha, em especial no concelho de São Vicente, em que é concebido sobretudo na época do “Pão por Deus” e guardado para ser consumido durante o inverno como acompanhamento do cozido à portuguesa, carne de vinho e alhos, cabrito e outros preparados.

O cuscuz apresenta-se como mais uma alternativa para variar a dieta, em substituição do arroz, da massa ou da batata, tradicionalmente consumidos pela nossa população. Nutricionalmente, apresenta as propriedades do trigo, que, juntamente com outros cereais e tubérculos, representam 28% da Roda dos Alimentos Portuguesa. Este grupo é caracterizado por conter alimentos ricos em hidratos de carbono, cuja função principal é fornecer energia. O trigo é fonte de minerais (cálcio, magnésio, potássio, zinco entre outros e vitaminas, principalmente do complexo B. Se utilizarmos farinha de trigo integral na feitura do cuscus vamos obter um produto mais rico em fibra. Em regra, o cuscuz deverá ocupar cerca de ¼ do seu prato.

Um benefício que podemos associar ao cuscuz é o facto de ser preparado com segurelha, erva aromática muito saborosa que permite reduzir a adição de sal na refeição. Poderá ser consumido por qualquer indivíduo e em todas as faixas etárias e ser interessante em doentes hipertensos, ou com outra situação clínica que implique uma ingestão reduzida de sódio.

De salientar que o cuscuz, por derivar do trigo, possui glúten, logo, não deverá ser consumido por doentes celíacos e ser limitado em indivíduos com algum grau de intolerência a esta proteína.

 

Refeição rápida e fácil com cuscuz regional (15 minutos/1 dose)

Nada melhor que uma refeição completa e saudável preparada em apenas 15 minutos para aqueles dias em que não nos apetece cozinhar ou simplesmente não temos tempo para refeições mais elaboradas. Uma refeição simples pode ser igualmente saborosa e aconchegante.

 Ingredientes

- 3 colheres de sopa de cuscuz regional (40g)

- 1 ovo pequeno (45g)

- 1 colher de chá de azeite extra virgem (5g)

- 1 dente de alho grande (7g)

- Segurelha, pimenta preta e sal a gosto

- 1 tomate grande para acompanhar (180g), temperado com orégãos

Modo de preparação

- Colocar o alho picado, a segurelha fresca ou seca, o azeite e um pouco de água numa panela e deixar refogar ligeiramente para libertação dos aromas;

- Acrescentar um copo de grande de água, cerca de 250 ml e as três colheres de sopa de cuscuz regional;

- Deixar cozinhar por cerca de 5 a 8 minutos;

- Acrescentar 1 ovo por cima dos cuscus e deixar escalfar por cerca de 2 a 3 munitos consoante a cozedura que pretende do ovo;

- Apagar o fogão e servir acompanhado com um tomate fatiado temperado com orégãos.

cuscuz TABELA NUTRICIONAL

 

Elisée Vieira
Nutricionista
SESARAM, E.P.E.

 

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