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mela

Sintomatologia em plantas atacadas

e diferença para plantas sãs

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Aparência aquosa no interior do

caule

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Exsudações pelos "olhos" (que 

permitem a aderência de terra)

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Aspeto de um tubérculo atacado

No seguimento do tema "mela" ou murchidão bateriana, doença bastante destrutiva e que é provocada pela batéria Ralstonia solanacearum, abordado na edição anterior do DICA, ir-se-á abordar na presente edição outros aspetos relativos à mela ou murchidão bateriana.

Infeção e disseminação

A disseminação da bactéria Ralstonia solanacearum é feita sobretudo através dos tubérculo-semente infetados. Esta será a razão pela qual se aconselha a utilização de semente certificada, uma vez que é garantida a sua inocuidade quanto a este (e a outros) problema bastante grave da batata.

O patógeno pode sobreviver no solo (em restos de plantas que ficam no solo) e na rizosfera de outros hospedeiros (caso das infestantes solanáceas como a Solanum nigra). Desta forma, podemos constatar a gravidade que esta doença pode assumir para os produtores de batata, uma vez que, após a sua aparição, terá de deixar o terreno sem a cultura de batata ou de outra solanácea e eliminar as plantas hospedeiras da batéria durante vários anos (cinco, no mínimo).

A batéria penetra nas raízes através das feridas, sejam elas as naturais, as provocadas por ferramentas durante as operações de cultivo ou ainda as provocadas por outros parasitas (nemátodos e insectos do solo, por exemplo). Por sua vez, a batéria dissemina-se pela água de rega (ou de precipitação natural), por contacto entre raízes e por movimentações de solo infetado. Neste último caso, há que referir a disseminação que pode ser feita através de ferramentas agrícolas com pedaços de solo infetado.

Controlo

O controlo desta doença não é passível de ser efetuado através de tratamentos químicos, uma vez que não existem disponíveis no mercado quaisquer batericidas que a combatam.

Assim, o controlo tem de ser feito de forma integrada, tendo em conta as seguintes diligências:
- Utilização de semente certificada sã;
- Optar por variedades resistentes ou tolerantes;
- Eliminar restos de cultivos anteriores de solanáceas e as infestantes hospedeiras.
- Reduzir ao mínimo os trabalhos de solo durante a campanha, de forma a que as feridas que se possam provocar nos tubérculos também sejam reduzidas ao máximo;
- Controlar os nemátodos e insectos de solo.

De salientar que constata-se que, na RAM, quando se efetuam calagens para a correção do pH do solo, a doença perde intensidade, parecendo quase que desaparecer.

Remate final

O armazenamento de material infetado com esta batéria é de todo indesejado, uma vez que a infeção pode propagar-se (por contacto) a toda a batata armazenada.

Assim, previamente à colocação do material no armazém ou na zona de ambiente controlado, dever-se-á tentar saber todas as ocorrências da cultura ainda "em campo", avaliando a possibilidade de existência de alguma infeção, e é aconselhada uma escolha cuidada dos tubérculos, separando os que apresentam a sintomalogia caraterística da doença, pois, embora sendo um trabalho aturado e de grande exigência, os resultados serão com certeza compensadores.

Ricardo Costa

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