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O falso mal do Panamá

Os sintomas externos do Falso Mal do Panamá podem ser confundidos facilmente com o verdadeiro Mal do Panamá, provocado pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. cubense (Foc).

Na maioria dos casos é evidente um amarelecimento gradual das folhas mais velhas para as mais novas, contrastando com o verdadeiro Mal do Panamá, em que este fenómeno ocorre da folha mais nova para as mais velhas, secando-se a planta em poucas semanas.

No caso do Falso Mal do Panamá, na maioria das vezes, ocorre o nascimento de novas folhas, obtendo-se no entanto cachos mais pequenos e delgados do que habitualmente. As plantas afetadas encontram-se dispersas, e não localizadas numa mancha bem definida.

Até ao momento não se isolaram quaisquer agente patogénico das plantas afectadas pelo Falso Mal do Panamá, logo, a sua propagação através das ferramentas utilizadas nas práticas culturais não ocorre mas, de qualquer forma, é aconselhável a desinfecção dos utensílios, especialmente os de corte, ao passar de uma planta para outra. As causas desta doença estão relacionadas com stress sofrido pela planta, sendo mais frequente a sua incidência durante o Inverno.

No entanto, além das temperaturas baixas, outros fatores contribuem para causar stress à bananeira, como a falta de água (Invernos secos), os nematodes, o desequilíbrio nutricional ou o encharcamento do solo.

Estudos recentes indicaram que a presença de nematodes no solo, por si só, não é suficiente para causar a doença, mas em combinação com os factores ambientais que colocam a planta em stress, podem ser a causa, mas ainda não existe investigação que corrobore esta hipótese.

 

Esta situação surge mais frequentemente durante o primeiro ciclo produtivo, após a primeira plantação, e pode ser evitada através da utilização de ferramentas como análises de solo e de nemátodes e práticas agrícolas corretas (boa preparação do solo antes da plantação, rega e fertilização adequada) para reduzir os fatores de stress e proporcionar um desenvolvimento equilibrado às plantas jovens.

As situações que foram identificadas e acompanhadas na Região permitem-nos afirmar que, na grande maioria dos casos, os sintomas desaparecem no 2.º ano de produção, desde que as causas atrás apontadas sejam corrigidas.

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Falso Mal do Panamá: aspeto do pseudotronco

(Fotos: Alexandra Azevedo)

Bibliografia: Beer, Hernández y Sabadel, "Enfermedad del Falso mal de Panamá en Banano", Enfermedades de Musa: Hoja Divulgativa No. 9, INIBAP.

 

Bruno Silveira
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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