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O bichado da castanha e a importância da esterilização

O bichado da castanha é provocado por um lepidóptero que ataca o castanheiro, denominado Cydia splendana.

Esta espécie de borboleta crepuscular/noturna efetua a postura entre os meses de agosto a outubro, depositando os ovos nas folhas mais próximas aos ouriços.
Após duas a três semanas, dá-se a eclosão das lagartas, que se dirigem para os ouriços, abrindo um pequeno orifício até atingirem o interior da castanha, alimentando-se da mesma e efetuando galerias, o que favorece o aparecimento de fungos, resultando na depreciação total da castanha.

Na fase final do crescimento da lagarta, esta sai do fruto através de um orifício de aproximadamente 2 a 3 mm, conforme foto à esquerda da figura 1.

bichado da castanha fig1
Figura 1 – À direita, lepidóptero adulto Cydia splendana; à esquerda, lagarta Cydia splendana

O Centro de Processamento da Castanha

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Figura 2 - Centro de Processamento da Castanha do Curral das Freiras - Calibrador

A freguesia do Curral das Freiras, sendo uma das maiores produtoras de castanha na Região, tem instalado desde 2002 o Centro de Processamento da Castanha (CPC), que tem como objetivo esterilizá-la e classificá-la para a sua comercialização. Nesta campanha, o CPC abriu no passado dia 22 de outubro, estando disponível gratuitamente a todos os produtores de castanha.

O processo de esterilização consiste num choque térmico para controlo da praga "bichado da castanha", em que esta é imersa em água aquecida até 50ºC durante 20 minutos e depois é imersa em água à temperatura de 16ºC durante 10 minutos. Durante a imersão, todas as castanhas que flutuam são removidas, pois não estão em boas condições. Após este processo as castanhas passam num tapete rolante com uma fonte de calor, de modo a retirar a água da sua superfície (secagem).

 

Por outro lado, o processo de calibração permite cumprir com as exigências de mercado, apresentando um produto homogéneo, o qual se torna mais apelativo ao consumidor final, valorizando a castanha e como tal levando a uma diferenciação de preços a favor do produtor.

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Figura 3 – Centro de Processamento da Castanha do Curral das Freiras – Esterilizador

A esterilização é um processo muito importante, que permite aumentar a vida útil da castanha na pós-colheita. Através deste processo, as lagartas nas suas diferentes fases de desenvolvimento morrem, evitando-se assim o desenvolvimento dos fungos e garantindo a qualidade, uma vez que as caraterísticas do fruto mantêm-se, em termos organoléticos e da coloração da castanha, permitindo a fidelização dos clientes e mantendo a credibilidade de um produto regional de qualidade.

A castanha após a esterilização, é submetida a uma calibração comercial em 3 categorias, grada, média e miúda.

As variedades Regionais mais comercializadas são, as denominadas do “Cedo”, tais como a “Vinha” e a “Negrinha” e as variedades tardias, tais como a “Formosa”, “Cagadinha”, "Testa Larga”, "Rachada” e “Santo António ou Formosazinha”.

Ainda referente ao “bichado da castanha”, a Direção Regional de Agricultura recomenda como ações preventivas, as seguintes operações culturais:

- Colocação de armadilhas, que consiste no uso de feromonas sexuais para a captura dos machos, o que faz com que haja uma redução significativa do número de acasalamentos, logo diminuição das posturas;

- Remoção ou destruição das castanhas que ficam do chão, de modo a evitar que as lagartas abandonem os frutos e enterrem-se no solo, este processo pode ser efetuado recorrendo a animais.

 

Divisão de Assistência Técnica à Agricultura
Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura

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