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Tripes e ácaros na cultura da bananeira

Os tripes e os ácaros, apesar de serem pragas distintas, são as duas chamadas de “cinzeiro dos cachos”, por não serem devidamente conhecidos os sintomas de cada uma delas.

No entanto, face à especificidade dos produtos fitofarmacêuticos atualmente autorizados para a cultura da banana, é de extrema importância diagnosticar corretamente qual das pragas está presente, para que seja utilizada a solução mais eficaz.

Tripes

Os danos provocados na banana pelos tripes caracterizam-se por manchas cinzentas localizadas, sendo muitas vezes visíveis partículas de cor escura na casca, que são os excrementos das ninfas dos tripes, como se pode ver na figura 1.

fig1 tripes e acaros tripes na bananeira  
Figura 1 – Tripes na banana
fig2 tripes e acaros fases de desenvolvimento
Figura 2 – Diferentes fases de desenvolvimento
do inseto (adulto/ninfas)

São as fases larvares do inseto que provocam o estrago na banana, com consequente desvalorização comercial do produto (figura 2).

Medidas culturais recomendadas

- Promover o arejamento da plantação, através da eliminação de folhas velhas e da manutenção do compasso de plantação mínimo de 5 m2 por planta;

- Remover as flores masculinas (coração, pinguelo) na mesma altura da despistilagem (limpeza das flores), uma vez que as flores masculinas servem de abrigo para este inseto, facilitando a sua proliferação;

- Não colocar saco nos meses mais quentes, para promover o arejamento do cacho, facilitar a observação e permitir a deteção atempada da praga.

Tratamento fitossanitário

O único produto fitofarmacêutico autorizado neste momento para o controle desta praga é o Spintor, com a matéria ativa spinosade, na concentração de 2 ml/10L de água, sendo necessário cumprir um intervalo de segurança de 7 dias.

Ácaros (aranhiços)

Os prejuízos provocados pelos aranhiços são facilmente identificados pelos sintomas muito característicos, formando uma camada quase uniforme, inicialmente de cor prateada, surgindo posteriormente zonas alaranjadas. A formação de pequenas “teias de aranha” entre os bagos é um bom indicador da presença destes organismos nocivos (figura 3).

fig3 tripes e acaros acaros na banana  
Figura 3 – Ácaros (aranhiços) na banana

Depois de instalados, o avanço dos aranhiços é muito rápido, espalhando-se em redor do foco inicial no espaço de poucos dias.

Todo o cacho fica atacado de forma praticamente uniforme, enquanto que, regra geral, no caso do tripes os estragos são mais localizados.

Estes organismos atacam muitas culturas, sendo mais comum surgir na bananeira em áreas adjacentes a outras culturas, como aboboreiras, abacateiros, figueiras, pimpineleiras, papaieiras, etc.

 
fig4 tripes e acaros acaros  
Figura 4 – ácaros (aranhiços)

Com o auxílio de uma lupa, é possível observar aranhiços (figura 4), na forma de pequenos pontos avermelhados que se deslocam na superfície da banana.

Medidas culturais recomendadas

- Promover o arejamento da plantação, através da eliminação de folhas velhas e da manutenção de um compasso de plantação mínimo de 5 m2 por planta;

- Não colocar saco nos meses mais quentes, para promover o arejamento do cacho, facilitar a observação e permitir a deteção atempada da praga;

- Eliminar/afastar da plantação outras culturas que estimulam o aparecimento desta praga.

Tratamento fitossanitário

Existem diversas alternativas autorizadas para controlo dos ácaros na cultura da bananeira:

- Envidor - a matéria ativa é o espirodiclofeno, na concentração recomendada de 2 ml/10 L de água, com um intervalo de segurança de 14 dias;

- Borneo - a matéria ativa é o etoxazole, na concentração recomendada de 2 ml/10 L de água, com um intervalo de segurança de 3 dias;

- Naoki e Ovitex - a matéria ativa é o óleo parafínico, na concentração recomendada de 100 a 200 ml/10 L de água e não obrigam a intervalo de segurança, mas é de evitar a sua aplicação nas horas de maior calor;

- Bago de Ouro - a matéria ativa é o enxofre em pó, na concentração recomendada de 1 a 2 kg/1000 m2, com um intervalo de segurança de 5 dias;

- Flor de Ouro - a matéria ativa é também o enxofre em pó, na concentração recomendada de 1 a 2 kg /1000 m2, com um intervalo de segurança de 5 dias e;

- Thiovit Jet - a matéria ativa é o enxofre molhável, na concentração recomendada de 20 a 40 gramas/10 L de água, com o intervalo de segurança de 1 dia.

As aplicações com os produtos fitofarmacêuticos (PF) à base de enxofre ou de óleos devem ser realizadas com muito cuidado, uma vez que mancham facilmente a banana, que assim perde valor comercial, com prejuízos para os produtores.

Independentemente da solução aplicada, é fundamental não aplicar o PF unicamente no cacho de banana, devendo o acaricida ser também aplicado no pseudotronco da bananeira e nas folhas mais próximas do cacho, pois existe forte probabilidade dos ácaros também estarem aí instalados.


Bruno Silveira
Alexandra Azevedo
Direção Regional de Agricultura

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