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Deteção de Candidatus Liberibacter solanacearum (CLsol) em cenoura, em Portugal

Foi confirmada oficialmente a presença, pela primeira vez em Portugal, de Candidatus Liberibacter solanacearum (CLsol), haplotipo E, na cultura de cenoura na região do Oeste - Lisboa e Vale do Tejo.

Trata-se de uma bactéria que apresenta cinco haplotipos, estando assinalados os haplotipos C, D e E em diversos países da União Europeia associados a Apiáceas, nomeadamente cenoura e aipo, transmitidos pelos psilídeos Bactericera trigonica e Trioza apicalis. As infeções em cenoura têm como principal origem a semente contaminada.

fig1 bactericera trigonica fig2 trioza apicalis
Figuras 1 e 2 - Bactericera trigonica e Trioza apicalis, respetivamente

Por outro lado, os haplotipos A e B, que nunca foram assinalados no território da União Europeia, têm como hospedeiros as solanáceas e estão associados a elevadas quebras de produção e depreciação da qualidade da batata. Estes haplotipos são eficientemente transmitidos pelo vetor Bactericera cockerelli, um inseto considerado de quarentena para a União Europeia, onde nunca foi assinalado.

Sintomas em Cenoura

fig3 infecao CLsol fig4 rama
 Figura 3 (esquerda) - os dois primeiros grupos infetados pela CLsol, o terceiro são
 Figura 4 (direita) - aspeto da parte aérea (rama)

Deteção em batateira

fig5 enrolamento e coloracao purpura das folhas
Figura 5 - enrolamento e coloração púrpura
das folhas da batateira

Esta bactéria, que também afeta a batateira, transmite-se pelo psilídeo Trioza apicalis e já se encontra presente na região da Cantábria (Espanha).

Os tubérculos de batata infetados apresentam no seu interior manchas raiadas que, quando se procede à sua fritura, tornam-se mais pronunciadas, sendo a doença, por este facto, denominada de “Zebra Chip”.

 
fig6 sintomas de CLsol em batata fresca
 Figura 6 - Sintomas de CLsol em batata fresca

É, no entanto, importante salientar que, em Espanha, o haplotipo E foi identificado na cultura da batateira, embora com um nível de infeção baixo, não havendo evidência da presença de vetores eficientes responsáveis pela sua transmissão, para além da associada à propagação vegetativa. Situação idêntica se passou na Finlândia, onde o haplotipo C também foi assinalado na cultura da batateira.

Estas ocorrências demonstram que os haplotipos associados à cenoura e ao aipo (C, D e E) também podem afetar a cultura da batata e, consequentemente, a sua produção. A introdução em Portugal de CLsol no sistema de produção de batata (e outras solanáceas) poderá, assim, ocorrer a partir de culturas de produção de cenoura infetadas por semente contaminada ou através de psilídeos eficazes na transmissão.

Importa, assim, implementar medidas de mitigação da incidência de CLsol na cultura de cenoura e prevenir a sua introdução no sistema de produção de batata, principalmente nas regiões onde as duas culturas se sobrepõem.

Também tem outros hospedeiros: tomate, pimento, beringela, aipo.

Assim, os operadores económicos, agricultores, produtores de cenoura e de batata de consumo, armazenistas, centrais de embalamento e público em geral, devem estar atentos para a presença de sintomas e, em caso de suspeita, devem contatar de imediato a Direção Regional de Agricultura da RAM, a fim de ser feita a confirmação por análise laboratorial e tomadas as medidas necessárias para evitar a sua dispersão.

Relembra-se que o sucesso da erradicação de qualquer organismo prejudicial está na deteção precoce, pelo que se reforça o pedido para a Vossa colaboração, fazendo-nos chegar toda a informação e fotografias de eventuais casos suspeitos.

Fonte: Ofício Circular DGAV n.º 35/2017 de 20 de dezembro de 2017

 

Miguel Teixeira
Direção Regional de Agricultura

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