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A determinação do calibre médio dos bagos de 5 variedades de bananeira (Musa acuminata Colla)

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Para se obterem produtividades mais elevadas, as regiões subtropicais produtoras de banana iniciaram a introdução das variedades Williams e a Grande Anã. Assim, em finais dos anos 70, a utilização da variedade Pequena Anã ficou quase exclusivamente confinada às regiões de Canárias e Madeira.

Na década de 90 ocorre a introdução na Madeira das variedades Grande Anã, Gal, Williams, Eilon, Zelig e Chinese Cavendish, denominadas de “novas variedades”, bem adaptadas às condições marginais de temperatura, tendo como principais objetivos o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade, através da produção de cachos melhor formados, com maior número de mãos, maior tamanho de dedos e, além disso, maior vida comercial e resistência a doenças.

Estas variedades são pertencentes ao subgrupo Cavendish, o mesmo da variedade Pequena Anã, e são geneticamente muito próximas, originando-se por mutação umas das outras. As principais diferenças entre elas encontram-se ao nível da altura das plantas e da dimensão dos cachos.

Antes de se iniciar a divulgação das variedades junto dos produtores de banana da região, o Centro de Bananicultura do Lugar de Baixo realizou ensaios agronómicos, com vista a determinar quais as variedades com melhor adaptação às condições edafoclimáticas da Região e em 1992 foram fornecidas aos agricultores as primeiras plantas da variedade Grande Anã, a que se seguiram mais variedades com altura inferior para maior resistência ao vento.

A imagem de marca da banana da Madeira, desde sempre associada a um fruto mais pequeno típico da variedade Pequena Anã, com características nutricionais e organoléticas superiores à denominada banana dólar, sofreu o impacto negativo do aumento do tamanho dos frutos produzidos pelas novas variedades. Num mercado globalizado, as pequenas produções locais só conseguem manter os seus nichos de mercado respondendo às exigências dos consumidores que procuram produtos diferenciados e que associem a qualidade à tradição.

Com este trabalho pretendeu-se determinar o calibre médio dos bagos de banana das variedades que são divulgadas e fornecidas aos agricultores pelo Centro de Bananicultura, comparando com a tradicional Pequena Anã, a qual tipifica a imagem que o consumidor ainda mantém sobre a banana produzida na Região Autónoma da Madeira.

Registou-se o comprimento e perímetro de todos os bagos, da segunda e da penúltima mão de 40 cachos de banana das variedades Ricasa, Robusta, Grande Anã, Gal e Pequena Anã, de junho de 2011 a outubro de 2014. Os dados recolhidos foram sujeitos a tratamento estatístico. A escolha da segunda e penúltima mão em detrimento da primeira e da última prende-se com o facto de estas apresentarem uma variabilidade muito grande em termos de comprimento e perímetro do bago, não sendo por isso utilizadas para este tipo de estudos.

O trabalho realizou-se no Centro de Bananicultura, localizado na freguesia do Lugar de Baixo, Ponta do Sol, a zona mais quente da ilha da Madeira e de excelência para esta cultura. 

 
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Medição do comprimento do bago
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Medição do perímetro do bago

Com uma superfície agrícola útil de 11.036 m2, a natureza do solo é franco-argiloso. A altitude varia dos 6 aos 42 metros, com exposição do terreno a sul. O compasso de plantação utilizado é de 2,5X2,5 m (6,25 m2 por planta), com sistema de rega localizada por microaspersão e práticas culturais de acordo com as regras do Modo de Produção Biológico.

Obtiveram-se os seguintes resultados:

1. O tamanho dos bagos e respectivo perímetro é superior na 2ª mão em relação à penúltima mão, diferença significativa confirmada estatisticamente;

2. Em termos de valores destes dois parâmetros, a variedade Ricasa e a variedade Pequena Anã representam os extremos máximos e mínimo, respetivamente;

3. Os valores mais elevados, nas cinco variedades em estudo, situam-se no período entre Junho e Setembro, a época de Verão, em que se encontram os cachos com maior peso;

4. Analisando os resultados do trabalho estatístico, a variedade Gal é a que apresenta valores médios, de comprimento e perímetro, em ambas as mãos, mais aproximados à variedade Pequena Anã;

5. Face aos resultados do presente estudo, consideramos que numa situação de reconversão varietal das variedades Ricasa e Grande Anã, a variedade Gal apresenta-se como aquela que mais se aproxima da variedade Pequena Anã, apresentando ainda a vantagem de ter maior produtividade e aproveitamento comercial que esta ultima.

Referências Bibliográficas:

- Evaluation of local “Dwarf Cavendish” selections (Musa acuminata Colla AAA, Subgroup Cavendish) in the Canary Islands, Juan Cabrera Cabrera & Victor Galán Saúco, in XVII Reunião Internacional da Associação para a Cooperação nas Pesquisas sobre banana no Caribe e na América Tropical, Brasil, 2006;
- Evaluation of the banana cultivars Zelig, Grand Naine and Gruesa under different environmental conditions in the Canary Islands, Juan Cabrera Cabrera & Victor Galán Saúco, in Fruits 2005, vol-60 CIRAD/EDP Sciences;
- Preliminary studies of Cavendish banana cultivars under the edafoclimatic conditions of Madeira Island, L.N.V.P. Ribeiro & J.A. da Silva, in Proceedings of the First International Symposium on Banana in the Subtropics, Acta Horticulture Number 490, 1997.

 

Alcino Silva, Bruno Silveira e Helena Rodrigues
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Direção Regional de Agricultura

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