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A proteção fitossanitária da maçã e do pero

Entre as pragas e doenças que normalmente podem causar problemas na cultura da macieira/pereiro, destacam-se o bichado Cydia pomonella e o pedrado Venturia inaequalis.

 bichado macieira
Estragos causados por bichado

O bichado pode provocar prejuízos elevados em pomares não tratados, podendo atingir mais de 90% da produção.

As larvas fazem orifícios e galerias nos frutos, por onde penetram e alimentam-se da polpa e das sementes, levando à desvalorização e queda prematura dos frutos no pomar. Os orifícios provocados constituem ainda uma porta de entrada para outras infeções.

Para avaliação das populações de bichado no pomar, devem ser colocadas cintas-armadilha de cartão canelado em torno das árvores, entre os meses de março e abril, de modo a capturar lagartas hibernantes.

  cinta armadilha
Cinta-armadilha em cartão canelado

As substâncias ativas homologadas para tratamento do bichado na cultura da maçã/pero incluem a azadiractina, deltametrina, fosmete e lambda-cialotrina.

Os afídeos são, também, uma praga importante na cultura da macieira, havendo três espécies relevantes nesta cultura: o piolho cinzento da macieira, Dysaphis plantaginea Pass, o piolho verde da macieira, Aphis pomi De Geer, e o pulgão lanígero, Erisoma lanigerum Hausm.

Dentro destas espécies, o piolho cinzento é o que pode causar danos mais severos na macieira, sobretudo pelas deformações causadas nos frutos, que impedem o seu normal desenvolvimento. Provocam a diminuição do vigor das plantas, o enrolamento ou deformação nas folhas, a produção de melada e o desenvolvimento de fumagina. Os afídeos podem ainda transmitir viroses (doenças causadas por vírus).

Como tratamentos fitossanitários contra esta praga estão homologadas as seguintes substâncias ativas: acetamiprida, azadiractina, deltametrina, imidaclopride e lambda-cialotrina.

  aranhico vermelho
 Aranhiço vermelho

O aranhiço-vermelho é um ácaro que causa a descoloração e queda das folhas e nanismo dos rebentos. Um ataque forte desta praga pode aumentar a quantidade de casos de queda prematura de frutos e redução da sua qualidade. Provoca a diminuição do calibre dos frutos, torna a polpa menos consistente, e com menor poder de conservação.

A abamectina e o hexitiozox são substâncias activas homologadas contra esta praga nesta cultura.

A mosca da fruta — também designada de mosca do Mediterrâneo — Ceratitis capitata é também uma praga que pode provocar elevados prejuízos. As fêmeas picam os frutos para realizar a postura dos ovos, produzindo um pequeno orifício. Esta ferida é uma via de entrada de microrganismos que podem provocar a podridão do fruto. As larvas deste inseto escavam galerias nos tecidos internos do fruto, aumentando a sua decomposição e consequente queda. 

 
ceratitis capitata  
Mosca da fruta - Ceratitis capitata

Para evitar a propagação da praga, toda a fruta abandonada no chão e na árvore deve ser retirada.

Contra a mosca da fruta na cultura da maçã/pero estão autorizadas as seguintes substâncias ativas: deltametrina, lambda-cialotrina e fosmete.

O Pedrado Venturia inaequalis é uma doença da macieira que assume grande relevância na produção da maçã. Provoca queda das folhas, aborto floral e queda prematura dos frutos. As folhas e frutos apresentam pontos negros que podem formar manchas maiores. Inicialmente têm cor verde olivácea, de aspecto aveludado e contornos mal definidos. À medida que as lesões envelhecem tornam-se negras passando mais tarde a apresentar um tom prateado. Como tratamentos fitossanitários estão homologadas as seguintes substâncias activas: difenoconazol, enxofre, trifloxistrobina, cobre (na forma de hidróxido, oxicloreto e sulfato), mancozebe e propinebe.

O oídio é um fungo que ataca todos os órgãos em crescimento (ramos, folhas, flores e frutos). Em caso de ataque severo pode causar o atrofiamento das flores e também afetar os frutos. Nas folhas é possível observar manchas esbranquiçadas. Como medida de proteção cultural, as gemas terminais infetadas devem ser eliminadas através de podas. As substâncias ativas homologadas para tratamento do oídio na cultura da maçã/pero incluem o enxofre, o difenoconazol e a trifloxistronina.

Nesta altura do ano e face às elevadas temperaturas registadas nos últimos dias, recomenda-se uma vigilância aos pomares para uma prospeção ao aranhiço vermelho. Observe 100 folhas do terço médio do ramo (2 folhas x 50 plantas) e, se registar 50 a 75% de folhas ocupadas com formas móveis deste ácaro, deve realizar um tratamento com um acaricida homologado.

Se a presença de adultos de bichado da fruta é superior ao nível económico de ataque (0,5-1%), a praga ainda poderá causar muitos prejuízos, principalmente nas variedades tardias, aconselhando-se a renovação do tratamento com um produto de ação larvicida.

Nos pomares com variedades de maturação tardia, onde é frequente o ataque da mosca da fruta, deve efetuar a estimativa do risco. Se atingir o nível económico de ataque (1 a 3% de frutos atacados) aconselha-se o tratamento com um produto homologado. Tenha em atenção a suscetibilidade das cultivares, a evolução da maturação dos frutos e as culturas envolventes ao pomar. É recomendada, dum modo geral, para todos os pomares vulneráveis, a colocação de garrafas mosqueiras (armadilhas de captura massiva), e proceder à substituição periódica (15 em 15 dias) do atrativo nas garrafas mosqueiras como uma medida complementar e não de substituição aos produtos fitofarmacêuticos autorizados. Em média colocar uma armadilha por cada três árvores.

Nos pomares onde é necessário realizar tratamento contra o bichado e mosca da fruta pode optar por uma das substâncias ativas com ação sobre as duas pragas: deltametrina (IS* - 7 dias), fosmete (IS - 28 dias), lambda-cialotrina (IS - 7 dias).

*Intervalo de segurança

 

Divisão de Assistência Técnica à Agricultura /DATA
Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura /DSDA
Direção Regional de Agricultura

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