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As nossas variedades de maçã – um tesouro sem igual!

A poucos dias da XXXII Festa do Pero que se realiza este fim-de-semana na freguesia da Ponta do Pargo, concelho da Calheta, faz todo o sentido recordar as variedades regionais de maçã/pero ou tidas como tais.

Na Madeira, a macieira é também conhecida como pereiro quando se fala de determinadas variedades. Como é sabido, por tratar-se de uma espécie que exige baixas temperaturas para uma boa frutificação (frio no período de outono/inverno para a quebra de dormência dos gomos e rebentação homogénea/floração abundante na primavera), esta é adequada ao clima temperado. Na Região, surge em pés dispersos ou em pequenos pomares, encontrando boas condições de desenvolvimento acima dos 500 metros na costa sul e dos 300 metros na costa norte da ilha.

Desde data remota, as macieiras que foram trazidas do continente português multiplicaram-se naturalmente por via seminal e algumas adaptaram-se muito bem. Entre aquelas, encontram-se as que se crê terem sido introduzidas na ilha pelos ingleses há mais de 150 anos. Decorrido este tempo, consideram-se estas variedades como regionais ou tidas como tais, porque se adaptaram muito bem às nossas condições climáticas e de solo, tornando-se rústicas, resistentes e de frutos bastante apreciados no mercado local.

Das diversas variedades regionais ou tidas como tais, importa aqui destacar as cinco mais representativas e que são as seguintes: “Pero da Ponta do Pargo”, “Maçã Barral”, “Maçã Cara de Dama”, “Pero Domingos” e “Pero Calhau”. Seguidamente, indicam-se as suas principais características agrocomerciais:

  pero da ponta do pargo Denominação: “Pero da Ponta do Pargo”
Local: Ponta do Pargo
Época de Colheita: setembro
Textura: mole
Sabor: ácida
Tamanho: média
Cor: vermelha
Forma: arredondada
Conservação: menos boa
barral Denominação: “Barral”
Local: Santo da Serra
Época de Colheita: outubro
Textura: rija
Sabor: doce
Tamanho: média
Cor: verde amarelada
Forma: arredondada
Conservação: boa

 

 

 
  cara de dama Denominação: “Cara de Dama”
Local: Santo da Serra
Época de Colheita: outubro
Textura: rija
Sabor: doce
Tamanho: média
Cor: amarela rosada
Forma: arredondada
Conservação: boa 
  pero domingos Denominação: “Pero Domingos”
Local: Jardim da Serra
Época de Colheita: novembro
Textura: mole
Sabor: doce
Tamanho: média
Cor: amarela rosada
Forma: arredondada
Conservação: muito boa
  pero calhau Denominação: “Pero Calhau”
Local: Santo da Serra
Época de Colheita: novembro
Textura: rija
Sabor: ácida
Tamanho: média
Cor: verde amarelada
Forma: alongada
Conservação: boa

Importa pois, prosseguir o notável trabalho de recuperação e preservação de variedades regionais de macieiras desenvolvido pelo agricultor madeirense e pelos serviços da Direção Regional de Agricultura ao longo dos tempos, por estarem bem adaptadas à Região e possuírem aspetos qualitativos singulares tais como sabor, textura e conservação pós-colheita à temperatura ambiente, entre outros, distintos das variedades de maçã existentes a nível mundial e como tal, mais vulgarizadas.

Fontes: Artigo do Eng.º Alcino Silva “As maçãs da Madeira na conservação do património genético” publicado no DICA n.º 139 de 14 de outubro de 2015 e artigo do Eng.º Rui Vieira sobre a cultura da macieira editado em 2006.

Joaquim Leça
Direção Regional de Agricultura

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