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A Lista Vermelha Europeia de Peixes Marinhos

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Lista Vermelha IUCN: categorias

Com a recente publicação da Lista Vermelha Europeia de Peixes Marinhos da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), concluiu-se o processo de revisão e avaliação do estado de conservação das espécies de peixes marinhos, nativas em águas europeias.

A revisão foi de grande complexidade, pelo elevado número de espécies abrangidas (1 220), número total de especialistas envolvidos (110) de vários países Europeus e área marinha abrangida (18.000.000 km²), duas vezes a área terrestre da União Europeia, compreendendo 250.000 km de linha costeira, atingindo profundidades da ordem dos 5 200m e envolvendo uma elevada diversidade e heterogeneidade de habitats e ecossistemas. Este processo culminou na publicação de um documento síntese publicado pela União Europeia e na publicação eletrónica das fichas de cada espécie avaliada, disponíveis no site da IUCN.

De relevar que participaram, e figuram como coautores da publicação, investigadores da Madeira (designadamente o Naturalista Manuel Biscoito e o autor deste texto) que fizeram a avaliação de várias espécies, designadamente aquelas que, em razão da sua distribuição geográfica conhecida ou outra, adquirem maior relevância Europeia na área macaronésica.

A Lista Vermelha da IUCN foi desenhada para determinar o risco relativo de extinção dos diversos taxa avaliados. Providencia ainda informação taxonómica, distribuição, ecologia e estado das ameaças e conservação, utilizando os critérios quantitativos e categorias da IUCN.

A revisão agora concluída culminou na catalogação das espécies "ameaçadas", isto é, todas aquelas que, possuindo informação adequada para a avaliação, foram incluídas nas categorias mais próximas da extinção, por ordem crescente de risco: Vulneráveis, Em perigo e Em perigo crítico.

Verificou-se que, das espécies europeias avaliadas, 22 foram consideradas vulneráveis (VU), 22 em perigo (EN) e 15 em perigo crítico (CR). Refletindo a complexidade da tarefa de avaliação, 20,8% das espécies avaliadas foram consideradas Data Deficient, isto é, a ausência de informação adequada impossibilitou a sua inclusão numa das outras categorias.

Analisando com maior detalhe a lista publicada, são de referir vários aspetos com interesse.

Como seria de esperar, atendendo à sua especificidade biológica (grande longevidade, crescimento lento e baixa fertilidade entre outros), todas as espécies classificadas em perigo crítico pertencem ao grupo dos peixes cartilagíneos (tubarões, raias e quimeras). Nas espécies em perigo essa tendência mantém-se, embora aqui se incluam já alguns peixes ósseos.

 
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Peixe-cão (fêmea)
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Mero
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Badejo

Na perspetiva do estado de conservação dos peixes marinhos nas águas da ZEE da Madeira e águas internacionais adjacentes, sobretudo aquelas incluídas na plataforma continental Portuguesa estendida, encontramos na lista vermelha várias espécies que ocorrem nestas áreas marinhas, embora a sua inclusão nas categorias mais ameaçadas tenha mais a ver com as suas caraterísticas biológicas intrínsecas e ameaças provocadas por atividade humana (e.g. pesca) identificadas a nível regional (europeu) e não a situações originadas localmente.

No entanto, considerando que a Lista Vermelha da IUCN constitui o sistema mais aceite globalmente para medir o risco de extinção de espécies, existem consequências que repercutem na gestão ambiental e, especificamente, na regulamentação da atividade da pesca Europeia. Assim, é, por exemplo, muito significativo para a pesca da Madeira que as principais espécies de tubarões de profundidade, capturadas acessoriamente pela pesca do peixe-espada preto, figurem nas duas categorias consideradas com maior grau de ameaça.

A outro nível, é interessante referir três espécies costeiras bem conhecidas nos mares Macaronésicos: o mero (Epinephelus marginatus - EN), badejo (Mycteroperca fusca - VU) e peixe-cão (Bodianus scrofa - VU). Estas últimas duas espécies com a particularidade de serem endemismos da Macaronésia (com ocorrência confirmada apenas no Atlântico oriental: Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde).


João Delgado
Direção Regional de Pescas
(Fotografias: Viriato Timóteo)

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