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A avaliação externa da qualidade – testes de proficiência

A realização de testes de proficiência, também conhecida por avaliação externa da qualidade, é um método que serve para avaliar, de forma regular, a exatidão dos laboratórios quando levam a cabo determinados ensaios.

Em termos práticos, e no caso de laboratórios de microbiologia alimentar, estes testes consistem na análise de amostras que são lentículas ou misturas liofilizadas de microrganismos (ver figuras 1 e 2) e que, depois de reconstituídas num diluente apropriado, mimetizam uma amostra real de alimento.

testes de proficiencia 1.1
testes de proficiencia 1.2  
Figuras 1 e 2 - Lentículas e liofilizados teste
(PHE, 2018)
testes de proficiencia 2
Figura 3. Esquema do processo da avaliação externa
da qualidade (adaptado de PHE, 2018)

O conteúdo microbiológico destas amostras teste é apenas do conhecimento do laboratório que as envia - laboratório “organizador”, não sendo do conhecimento prévio dos laboratórios “participantes”.

Os “participantes” são os laboratórios que irão então receber e analisar as amostras, processando-as de igual forma à de uma amostra típica da sua rotina, enviando, por fim, os resultados obtidos ao laboratório organizador que, por sua vez, procederá à avaliação dos mesmos.


Estes exames de proficiência são uma ferramenta extremamente eficiente que permite aos “participantes” averiguarem se estão a cumprir adequadamente os seus procedimentos (e, como tal, se estarão a operar devidamente de acordo com as normas específicas em que baseiam os seus métodos) e, sobretudo, para que os mesmos se assegurem de que os resultados que emitem estão corretos.

Na sequência do acima referido, conclui-se facilmente que a realização destes testes é imprescindível para qualquer laboratório que queira atestar, de forma independente, o seu desempenho, permitindo, entre outros, os seguintes benefícios (PHE, 2018):

- uma comparação do desempenho do laboratório com outros laboratórios nacionais ou internacionais
- melhoria no desempenho dos ensaios e alavancagem de procedimentos
- identificação de áreas de análise que sejam potenciais fontes de problema
- demonstracão perante clientes, colegas e corpos de acreditação que existe um compromisso sério com a qualidade
- formação dos analistas, permitindo uma melhor compreensão do impacto de resultados incorretos

Um primeiro exemplo da avaliação externa da qualidade de laboratórios de segurança alimentar foi criado pela então denominada CSL – Central Science Laboratory, um dos principais laboratórios de vanguarda do setor público inglês.

O Food Examination Performance Assessment Scheme (FEPAS) da CSL foi implementado em 1990 e consistia no envio regular de amostras de teste para mais de 500 laboratórios em 50 países diferentes que requeriam a proficiência da análise química feita às suas amostras alimentares.

Em 1999, a CSL expandiu o âmbito a análises microbiológicas de géneros alimentícios e foi nesse mesmo ano que o laboratório de Microbiologia Alimentar do Laboratório Regional de Veterinária e Segurança Alimentar (LRVSA) passou a integrar esses ensaios.

 

Em 2001/2002, o mesmo programa foi alargado passando a incluir um esquema para produtos cárneos, um programa para leite em pó/cereais e um Challenge Scheme com amostras teste que tinham por base alimentos como chocolates e especiarias (para pesquisa de salmonela), queijos moles (para pesquisa de listeria) e maionese (para pesquisa de salmonela sob condições de stress).

Desde 1999 que o Laboratório de Microbiologia Alimentar do LRVSA participa então, com grande regularidade, em ensaios de proficiência, tendo obtido sempre resultados satisfatórios que atestam e evidenciam a sua competência técnica nos mais variados ensaios.

Em 2003, o laboratório passou a receber ensaios da Health Protection Agency (HPA), um organismo criado pelo governo do Reino Unido destinado a proteger a comunidade inglesa de doenças infeciosas e riscos ambientais e que atualmente está integrada na Public Health England. Abaixo, encontra-se uma lista geral atualizada dos diversos programas de proficiência em que o laboratório participa anualmente, e que são organizados pela agência referida:

- Staphylococcus aureus enterotoxins
- Environmental swab
- Legionella
- European food microbiology legislation
- Shellfish
- Non-pathogen
- Standard
- Pathogenic vibrio

O facto de o laboratório participar regularmente nestes programas de ensaios interlaboratoriais permite-lhe demonstrar a competência exigida pelo processo de acreditação de acordo com a norma ISO/IEC 17025 (Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração). Serve também para demonstrar a robustez e eficácia do sistema de gestão da qualidade e, não menos importante, consiste numa forma muito eficaz do laboratório se atualizar em termos dos novos microrganismos emergentes, bem como constitui um desafio pessoal para os analistas que têm de lidar com microrganismos atípicos ou mais difíceis de detetar pelos métodos convencionais.

testes de proficiencia 3
Figura 4 - Exemplo de um gráfico de avaliação dos resultados dum ensaio para contagem total de microrganismos aeróbicos, com indicação da mediana obtida pelos participantes (PHE, 2018)

PHE, 2018. Proficiency testing for food, water and environmental microbiology, última vez consultado a 12.12.2018 em www.gov.uk./government/organisations/public-health-england


Ana Campos
Laboratório de Microbiologia Alimentar
DSLIA/DRA

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