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Meteorologia agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos semana52 (LEGENDA)

Segundo os apuramentos meteorológicos para o período compreendido entre 14 e 20 de abril (ver quadro), verificou-se a continuidade de alguma precipitação, em particular noturna. Apesar de muita nebulosidade, as condições climáticas estão agradáveis. A intensidade média do vento está a fazer-se sentir duma forma suave, faz com que, reunidas todas estas condições, se efetue todo o tipo de operações culturais, inerentes às boas práticas agrícolas.

Devido ao estado de emergência torna-se necessário recordar aos Senhores Agricultores os cuidados acrescidos e relacionados com o corona vírus, nomeadamente na execução de todas as tarefas, na exploração agrícola (ver artigo publicado no DICAs n.º 374/2020 – ‘Medidas de higiene especiais a observar nos trabalhos agrícolas’).

Com estas condições do estado do tempo, devemos manter a atenção à necessidade de efetuar as regas, em particular na costa sul, onde os níveis de precipitação continuam baixos. Ver no quadro, os indicadores da Precipitação (P) e Evapotranspiração potencial (ETP) que evidenciam esta realidade.

Verificam-se poucas alterações nas previsões climáticas para a próxima semana (até 30 de abril), ou seja, na costa sul, alguma nebulosidade com pouca precipitação, e na costa norte, muita nebulosidade acompanhada de precipitação esporádica, por vezes aguaceiros.

Na RAM, os produtores de castanhas deverão estar atentos aos sinais da vespa das galhas, mantendo a monitorização aos castanheiros.

Vespa das Galhas do Castanheiro (Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu)

castanheiro vespa galhas
 Galhas nas folhas do castanheiro causadas pela vespa

Devem continuar a observar cuidadosamente os seus castanheiros, em especial os plantados nos últimos anos, independentemente do seu tamanho, variedade ou origem, e caso observem sintomas (bugalhos/galhas) semelhantes ao da fotografia, deverão retirá-las de imediato e destruí-las, através do fogo ou enterrando-as, evitando assim a dispersão da vespa pelos restantes castanheiros do souto e plantações vizinhas.

Esta vespa é um inseto minúsculo, originário da China, que ataca as plantas do género Castanea, causando a formação de galhas nos gomos e nas folhas (ver foto). Provoca assim a diminuição do crescimento dos ramos e impede a frutificação, podendo conduzir ao declínio e morte dos castanheiros. Este inseto é atualmente considerado uma das pragas mais prejudiciais aos castanheiros em todo o mundo.

Sintomas e prejuízos na cultura

castanheiro vespa galhas adulto
Adulto da vespa das galhas do
castanheiro – postura

Os insetos adultos depositam os ovos nos gomos, (ver foto), originando o aparecimento de galhas muito características, nos ramos jovens e no pecíolo e nervura principal das folhas, dando-lhes um aspeto frisado. Estes sintomas devem-se à deformação dos tecidos afetados. As galhas podem medir entre 5 a 25 mm, são de fácil visualização, de cor verde ou rosada. Adquirem uma coloração vermelha acastanhada, à medida que os adultos vão emergindo e de seguida secam e lenhificam, ficando presas à árvore vários anos.

Esta praga causa grandes quebras de produção e perda de qualidade do fruto, bem como a diminuição do crescimento e o declínio dos castanheiros. Alguns castanheiros morrem em consequência de ataques graves.

Ciclo Biológico

Os pequenos ovos de forma oval (0,1 a 0,2 mm), de cor branco-leitoso, são depositados pelas fêmeas nos gomos latentes. A fêmea pode depositar 3 a 5 ovos em cada gomo, dos 100 a 150 que produz. Várias fêmeas podem utilizar o mesmo gomo para as suas posturas, pelo que é frequente encontrarem-se galhas com 20 ovos e mais. Do ovo nasce uma pequena larva, passados uns 40 dias. A larva tem um ligeiro crescimento no interior do gomo, no fim do verão e interrompe o seu desenvolvimento durante o outono-inverno, para apenas o retomar na primavera seguinte. Antes da primavera, não são visíveis nos gomos quaisquer sintomas. Nessa altura, as larvas desenvolvem-se rapidamente e por efeito das toxinas que produzem, formam-se as galhas, que se tornam visíveis no espaço de uma a duas semanas. No fim de maio começam a emergir os adultos, que depressa darão início a um novo ciclo de vida, depositando ovos nos gomos dos castanheiros.

 

previsoes meteorologicas semana52 (NOTA)

O inseto adulto é um pequeno himenóptero (2,5 mm) de difícil observação à vista desarmada. Embora o tempo de vida útil do inseto adulto seja curto, cerca de 10 dias, a emergência dos adultos dá- se de uma forma escalonada, desde finais de maio a finais de julho. Este escalonamento está relacionado com as condições climáticas, com a altitude e com a exposição solar dos soutos. Esta praga só tem uma geração por ano. A sua reprodução é feita por partenogénese, ou seja, não é necessária a presença de machos para se multiplicarem. Além disso, a espécie é constituída apenas por fêmeas. O Dryocosmus passa a maior parte do seu ciclo de vida no interior da galha, o que anula a eficácia de qualquer tratamento químico.

Medidas de Controlo

O tratamento químico é ineficaz e tem grande impacto negativo no ambiente, matando os inimigos naturais do Dryocosmus kuriphilus, incluindo espécies nativas cujo papel pode vir a ser fundamental no estabelecimento de uma barreira natural à invasão desta praga. Todo o trabalho de investigação e de aplicação prática, em diversos países, tem demonstrado que a luta biológica, com largadas sucessivas, na primavera, de populações do himenóptero Torymus sinensis, parasitoide das larvas do Dryocosmus, é a única forma efetiva de controlo da praga. A introdução deste parasitoide exótico e sua aclimatação no país, a investigação sobre a existência de parasitoides indígenas como Torymus beneficus, e a seleção de variedades de castanheiro resistentes ou tolerantes aos ataques de Dryocosmus kurifilus, são as linhas de trabalho fundamentais, já adotadas na RAM.

Devem também ser postas em prática sem demora medidas preventivas básicas como:

• Não cortar galhas (bugalhos) verdes nem secas - o Torymus necessita das galhas verdes para colocar os ovos e das secas para passar o inverno;

• Não fazer tratamentos inseticidas até julho - são totalmente ineficazes contra a vespa e “bichado da castanha” e prejudicariam o Torymus;

• Não mobilizar o solo. Não faça lavouras, controle as infestantes com cortes realizados a partir de julho;

• Evite podar. Se tiver que o fazer para eliminar algum cancro, deixe no souto os ramos com galhas e retire a madeira infetada com o fungo;

• Promova a biodiversidade. Introduza carvalhos e sebes nas bordaduras, para favorecer a existência de parasitoides autóctones e proporcionar alimento ao Torymus;

• Faça análises regulares ao solo. Os castanheiros sem carências nutricionais são mais saudáveis e mais resistentes a doenças e pragas;

• Promova o crescimento dos ramos, a partir de julho. Faça adubações azotadas e regue, se possível, para promover crescimentos com gomos isentos de ovos da vespa;

• Em pomares jovens, observar cuidadosamente as plantas a partir da rebentação. Eliminar os ramos com galhas e queimá-los;

• Não utilizar porta-enxertos e plantas infetadas;

• Adquirir plantas produzidas em regiões onde ainda não se tenha detetado esta praga;

• Utilizar variedades tolerantes.

Caso observe os sintomas descritos, comunique sem demora aos Serviços Regionais de Agricultura, cujos contactos indicamos abaixo.

Miguel Teixeira
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura/DSDA
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento, deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura /DSDA
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura /DATA
Correio eletrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Telef.: 291 211 260

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