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“Reflorescer, assim, decididamente”

flor2020 foto ABM Para a 65.ª edição da Exposição Regional da Flor, integrada na Festa da Flor de 2020, foi escolhida como linha orientadora ou cartografia de princípios a expressão “reflorescer, assim, decididamente”. A frase foi inspirada no verso “e é amar-te, assim, perdidamente” de Florbela Espanca (1894-1930), a singular e efémera voz poética portuguesa, do poema “Ser poeta”, perpetuado pela canção com o mesmo nome do grupo musical “Trovante”.

Além do nome da poetisa desde logo remeter para as flores belas que os visitantes poderão contemplar na Exposição, as razões desta escolha derivam necessariamente deste tempo inusitado que a humanidade presentemente atravessa. Um tempo que parece estar em suspenso sob um manto de receios e incertezas tecido por um ser minúsculo, invisível a olho nu, mas gigante nos estragos que provoca. Uma escolha que é precisamente a resposta da floricultura madeirense a este momento malquisto e inesperado, afirmando-se viva, bela, determinada e, por piores que sejam as adversidades, que não deixará de reflorescer sempre. Mais agora, e para que não sobrem dúvidas, decididamente.

Reflorescer, assim, decididamente”, porque os floricultores madeirenses, sejam os amadores que as cuidam denodadamente pelos quintais e outros recantos domésticos, ou os profissionais, que as cultivam eximiamente em explorações florícolas, amam (perdidamente) as flores que constituem a sua paixão ou ganha pão.

Testemunhe e partilhe esse amor, fazendo parte deste reflorescer que se quer perpétuo.


Paulo Santos
Diretor Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

 

Uma coleção de Stanhopea

Há vários séculos que as orquídeas são amplamente cultivadas na Madeira. Plantas como os sapatinhos (Paphiopedilum insigne), os Cymbidium, a orquídea-de-noiva (Coelogyne cristata) e as Stanhopea fazem parte da diversidade botânica de um quintal madeirense.

As Stanhopea são conhecidas localmente como melrinhos. A Stanhopea oculata (melrinho comum) e a Stanhopea ruckeri (melrinho de cera), de flores efémeras que abrem no verão, são duas espécies muito antigas na Madeira.

Existem cerca de 68 espécies de Stanhopea e são originárias das cordilheiras montanhosas da América Central e do Sul. No seu habitat natural, o perfume inebriante atrai um grupo de abelhas iridescentes, conhecidas como Euglossini.

Os machos dessas abelhas coletam o aroma das flores, para depois elaborarem um complexo elixir de fragrâncias, com o qual atraem as fêmeas.

flor2020 Michael Benedito A coleção, da qual estão expostos alguns exemplares na tenda onde decorre a 65.ª Exposição Regional da Flor, instalada no Largo da Restauração, foi iniciada em 1965, no Reino Unido, por Richard e Denise Hartley. Em 2001, foi reconhecida como Coleção Nacional, um estatuto que é atribuído a coleções vivas com elevado interesse patrimonial e científico. Em 2018 as plantas foram doadas ao jovem botânico Michael Benedito e a coleção transferida para a ilha da Madeira, onde encontrou o clima adequado ao seu cultivo e conservação integral. Atualmente, conta com mais de 2 500 exemplares, sendo possivelmente a maior coleção deste tipo de orquídeas à escala global.


Martinho Mendes

De hoje, dia 03, a 27 de setembro, das 10h00 às 20h00, não deixe de visitar a 65.ª Exposição Regional da Flor e de se maravilhar com os magníficos exemplares de um sem fim de espécies, como as proteáceas, as orquídeas, os antúrios, os cravos, as rosas e as gerberas, estando asseguradas as medidas de recomendação, contingência e resposta destinadas a evitar a propagação do novo Coronavírus SARS-CoV2.

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