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No caminho do "ouro branco" que dá para a Calheta!

rota do acucar1 Se o título o trouxe até aqui, saiba que o Município da Calheta e a Casa do Povo da Calheta organizam a Rota do Açúcar de 19 a 23 de abril, com um vasto programa cultural e social. Este certame conta com o apoio de várias entidades regionais, a exemplo da Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, associações e empresas locais.

Falando um pouco do "ouro branco", isto é, do açúcar e da cana-de-açúcar ou cana doce, como o ilhéu a acarinha, esta foi trazida da Sicília para a Madeira em 1425 por ordem do Infante D. Henrique, tendo-se aqui instalado e engrandecido.

A qualidade superior do açúcar madeirense era sobretudo apreciada na corte nacional e congéneres europeias, tendo prosperado até meados do século XVI, altura em que o açúcar do Brasil que foi introduzido por madeirenses, e das colónias espanholas, começou a surgir em grande quantidade na Europa. Os dois séculos seguintes são de crise no setor sacarino da Região, mas a cultura continuou a ser plantada modestamente, quase para consumo doméstico. Em meados do século XIX com o surgimento do oídio (vulgarmente conhecida cá por “mangra”) e da filoxera da videira, a cana-de-açúcar volta a ser plantada, mas desta vez para transformá-la em aguardente ou rum agrícola e açúcar.

Entretanto, no início da década de 90 do século passado com o encerramento do Engenho do Hinton, a área de cultivo reduz-se substancialmente. Nesse tempo, a então Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas resolve garantir um preço fixo ao produtor, tornando-a compensadora não só para este, mas também para os Engenhos da Calheta e do Porto da Cruz, assim como para a Fábrica de Mel de Cana do Ribeiro Seco e mais recentemente para o Engenho Novo, que dessa forma tinham matéria-prima para laborar, situação que se tem mantido até ao presente.

 

Depois de processada, a cana sacarina dá origem ao mel de cana que é utilizado no bolo de mel e nas broas de mel, nos sonhos e malassadas pelo Carnaval, e noutros pratos da gastronomia regional, e à já mencionada aguardente de cana que é o ingrediente chave para a confeção de bebidas típicas como a poncha e os licores.

Tradicionalmente, também se degusta a cana, descascando-a e saboreando o seu sumo, isto é, o “chupar canas” como se diz entre nós, havendo agora até um ponto de venda ambulante que comercializa ao longo do ano em vários lugares da Madeira o sumo de cana fresco triturado no momento, misturado com umas gotas de limão ou de outros frutos.

É a multifacetada cana-de-açúcar que adoça o paladar, aquece o corpo e embeleza a paisagem madeirense com os seus ondulantes canaviais verdejantes!

É, pois, tempo de fazer-se à estrada e rumar até à Calheta de 19 a 23 de abril e "adoçar" os seus dias!

 

Joaquim Leça
Direção Regional de Agricultura

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