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Uma porta mágica - a agropecuária madeirense toda lá dentro

Uma porta, à parte a natureza dos materiais que a estruturam e a maior ou menor beleza (aliada, de preferência, a uma dada noção de segurança) que o artífice que a compôs conseguiu conferir-lhe, serve para cumprir, pelo menos, dois objetivos principais. Proporcionar o acesso a um certo espaço circunscrito, mas franquia simultaneamente condicionada porque, se fechada e trancada, com maior ou menor número de perseverantes ferrolhos ou mais ou menos sofisticadas fechaduras, é que alguém quis que a passagem da fronteira fosse bloqueada, ainda que temporariamente, mesmo a parentela e amigos, e decididamente vedada a potenciais intrusos.

Nem se fale das portas que armarão uma assumida “sala de pânico”, nem as concebidas para organizações que zelam por diligente secretismo, dada a invisibilidade ainda não lhes ser possível comprar. As destas, obstáculo intransigente, qual cofre de preciosidades incalculáveis, um mero código ou impressão digital coisa do passado, a mais evoluída solução a abertura após leitura ótica da retina e, talvez num futuro não muito longínquo, um “leitor” de microchave embutida no lobo frontal de quem se queira autorizado a ultrapassá-las.

E no que respeita à matéria de portas, pela sua numerosa sequência, e diverso feitio, é quase inevitável a memória não lembrar-se do soberbo genérico da divertidíssima série televisiva do final dos anos sessenta, criada por Mel Brooks e Buck Henry, de nome “Olho Vivo” (“Get Smart”). Para (re)ver esta hilariante passagem do impagável Agente 86 (personificado por Don Adams) por portas sucessivas, a última das quais um must, como dirá a evidência, bastará aceder à infindável biblioteca de nome youtube:

www.youtube.com/watch?v=V_iNa31_4QI&index=2&list=PLQgVn1KyTVGDCHlVMY4xTU2bfhnsdVxcV

Este intróito, para que cheguemos a umas “portas” de substância completamente diferente daquelas que nos povoam os dias, facilitando ou atormentando a vida. Uma “portas” que são ao mesmo tempo imaginárias e imagináveis. Imaginárias porque não detêm qualquer fisicalidade. Não se lhes conhece a composição, posição e dimensão, sabendo-se apenas que além de impalpáveis estarão por ali, entre o estado líquido e o gasoso, mas na transição de um para outro lugar. Imagináveis, porque podem ser aquelas árvores além, os dois montantes do aro os troncos imponentes e veneráveis, e a travessa daquele as copas fundidas em imensos abraços. Também as outras duas ali mais abaixo compõem um “u” invertido, tal como o par mais a poente, aqueloutro... De qualquer modo, uma certeza porém, se bem que intácteis ou hipotéticas, são “portas” total e sempiternamente abertas. Definem indefinidamente a entrada e ou saída da vila do Porto do Moniz, para quem venha ou parta pelo Paul da Serra. Estas “portas” constituem então as Portas da Vila. Umas Portas hospitaleiras, para quem chegue, e saudosas, para quem deixe as terras por onde morou Francisco Moniz, o Velho.

Logo que as tenhamos atravessado, apontados para o mar do norte da ilha da Madeira, surge imediatamente o deslumbrante palco natural onde, todos os anos, em geral pelo primeiro fim-de-semana de julho, se derrama a Feira Agropecuária do Porto do Moniz ou, para os mais tradicionalistas, a Feira do Gado. Nesta altura do ano, as Portas da Vila, assumem declaradamente o seu génio mágico, fazendo caber num torrão verdejante uma amostra bem significativa do melhor dos setores agropecuário e agroalimentar madeirenses.

A 61.ª edição da Feira Agropecuária do Porto do Moniz, vai decorrer assim de 30 de junho a 3 de julho, por mais um dia do que habitualmente, dado que o dia 1 de julho é feriado, o Dia da Região Autónoma da Madeira.

 

 

Pese a sua respeitável idade, a Feira deste ano vai apresentar-se ainda mais viçosa e juvenil, bem como repleta de muitas novidades. Não revelaremos todas, pois não será conveniente facilitar a curiosidade de quem se contente apenas com meras espreitadelas pelo “buraco da fechadura”, ou a propósito não tivéssemos vindo a discorrer o presente texto "através de portas".

A Feira próxima apresentará um totalmente renovado setor dedicado às empresas de comercialização de equipamentos e fatores de produção para a agricultura e a pecuária, com novos e elegantes stands amovíveis a explanarem-se pela célebre “5.ª Avenida”.

Ao nível dos expositores, a boa nova será, pela primeira vez, poder contar-se com uma representação da Região Autónoma dos Açores, através da Associação Agrícola de São Miguel – Cooperativa União Agrícola, como com a presença da melhor revista portuguesa exclusiva para os setores da agricultura e do agroalimentar, a “Frutas, Legumes e Flores”.

E quem aprecie futebol, estando numa fase decisiva o presente Campeonato Europeu, terá sempre a oportunidade de visionar no local os jogos dos quartos-de-final, incluindo necessariamente o confronto da nossa seleção com a Polónia.
Imperdível!

António Paulo Santos
Diretor Regional de Agricultura

programa FeiraAgroPecuaria DICA

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