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Meteorologia agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

meteorologia agricola DICAs 412 apuramentos (LEGENDA)

De acordo com os apuramentos meteorológicos, compreendido entre 12 e 18 de janeiro (ver quadro), a Região continuou com tempo nublado e por vezes chuvoso (níveis de precipitação a baixar significativamente).

As operações culturais e em particular a aplicação de produtos fitofarmacêuticos, deverão apenas ser agendadas para os dias com previsão de ausência de precipitação e com especial atenção também, à velocidade do vento.

Apesar dos valores registados da precipitação (P) serem inferiores aos da Evapotranspiração potencial - ETP (ver quadro), não há necessidade de efetuar regas, porque o solo encontra-se saturado de água.

Segundo as previsões do IPMA a próxima semana, até 28 de janeiro, prevê-se uma melhoria no estado do tempo, no entanto, com presença de alguma nebulosidade alternando com céu limpo – condições que permitem agendar operações culturais próprias da época.

Com este estado de tempo na Região, a borboleta da couve, reúne condições para sair do seu estado pupal. Devemos manter observações mais frequentes ao couval, para eventual deteção da presença de borboletas adultas, porque estas rapidamente fazem a postura. A maneira mais rápida de tirar estas invasoras da horta é procurando pelos seus ovos, já que pode ser mais fácil do que recolher as larvas (lagartas).

Lagarta da couve

Plantar couves combina bem com a horta de outono e inverno. Os meses privilegiados para este cultivo são os mais temperados ou frios.

Mas atenção, porque plantar couves, traz uma garantia de visita quase certa: as lagartas!

Lagartas da couve (Pyeris brassicæ e Pyeris rapae)

O adulto é uma borboleta, com asas brancas e 6 a 7 cm de comprimento. As asas posteriores, têm uma pequena mancha preta no bordo anterior. As fêmeas, têm duas manchas pretas redondas na asa anterior e os machos não têm nenhuma (Foto 1).

borboleta da couve adulto macho borboleta da couve adulto femea
Foto 1 – Adultos da borboleta da couve, macho e fêmea respetivamente 

P. rapae é mais pequena (4 a 6 cm) também de cor branca e distingue-se de P. brassicae, pelo número de manchas negras sobre a asa anterior:

- macho: uma mancha arredondada;

- fêmea: duas manchas.

Os ovos têm uma forma muito característica de “bala de canhão”, estriados no sentido longitudinal e de cor amarela (Foto 2). São depositados em grupos de 25 a 50, o que faz com que as larvas apareçam agrupadas e devorem folhas inteiras.

lagarta couve ovos
Foto 2 – Ovos da lagarta da couve

A P. rapae faz a postura dos ovos individualmente e as lagartas aparecem de forma isolada.

 

meteorologia agricola DICAs 412 apuramentos (NOTA)

As lagartas são de cor verde acinzentado, com três linhas longitudinais amarelas e manchas negras por todo o corpo (Foto 3). Têm numerosas sedas e podem alcançar 4 a 5 cm.

lagarta couve
Foto 3 – Lagarta da couve

As lagartas de P. rapae são verdes com pilosidade fina, curta e densa. A pupa é de cor parda-claro com pontos negros e pode encontrar-se aderente a troncos e paredes (Foto 4).

casulo pupa lagarta couve
Foto 4 - Casulo - pupa

Apresentam duas gerações anuais. Passam o Inverno na forma de pupa (crisálida) e os adultos, que são de hábitos diurnos, aparecem muito cedo fim de inverno e primavera.

As borboletas estão ativas assim que brilha o sol e a temperatura esteja amena. Acasalam em voo, pelo meio-dia. As lagartas, vivem primeiro em colónias e roem superficialmente a epiderme das folhas.

A partir do 3.º estádio larvar (2.ª muda) dispersam-se por pequenos grupos de 4 a 5 indivíduos e apresentam uma extraordinária voracidade, comendo toda a folha restando só as nervuras mais grossas. Depois, transformam-se em pupas (crisálidas).

As traças emergidas das pupas, depois de hibernarem, aparecem no fim do inverno e primavera e fazem a postura rapidamente. Esta geração raramente é nociva. As lagartas, desenvolvem-se e depois transformam-se em pupas. Os adultos emergem em julho - agosto e dão origem à segunda geração, muito mais nociva. Estas espécies devoram toda a folha, restando só as nervuras principais (talos mais grossos).

Dado o instinto gregário que manifestam, os seus estragos podem ser localizados, devorando plantas inteiras, sem afetar as vizinhas. Outro tipo de estrago indireto, é a grande quantidade de excrementos que produzem e que com a chuva e o orvalho são arrastados e se acumulam no coração da planta, tornando-a incomercializável. Ao contrário da Mamestra brassicae que ataca as folhas do coração da planta, os pierídeos atacam as folhas soltas.

Recomenda-se a vigilância das plantações e, à observação das primeiras posturas ou de lagartas pequenas, a aplicação de um inseticida à base de Bacillus thuringiensis (TUREX, SEQURA, BELTHIRUL, PRESA), ou de azadiractina (ALIGN, FORTUNE AZA), sobretudo em hortas familiares ou para colheita imediata, já que estes são produtos biológicos, não tóxicos para o homem, abelhas, peixes e animais domésticos.

Outros produtos fitofarmacêuticos homologados para as lagartas da couve: ciflutrina (CIFLUMAX); cipermetrina (CYTHRIN 10 EC); deltametrina (DECIS, DECIS EXPERT, DELTAPLAN, DECA, DECIS JARDIM (não profissional); diflubenzurão (DIMILIN WP 25); emamectina-benzoato (AFFIRM); indoxacarbe (STEWARD); lambda-cialotrina (KARATE ZEON, NINJA ZEON, KARATE+, JUDO, ATLAS, KARATE ZEON 1.5 CS).

Miguel Teixeira
Divisão de Assistência Técnica Agronómica/DSDA
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento, deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

Direção de Serviços de Desenvolvimento Agronómico /DSDA
Divisão de Assistência Técnica Agronómica /DATA
Correio eletrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Telef.: 291 211 260

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