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Meteorologia agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos 11 a 17 agosto (LEGENDA)

De acordo com os apuramentos meteorológicos do período compreendido entre 11 e 17 de agosto (ver quadro), verifica-se que os valores de precipitação continuam extremamente baixos, praticamente nulos, com exceção de Santana.

Quanto às temperaturas, estas continuam relativamente altas, próprias da estação. São poucas as alterações a registar desde a semana passada, pelo que se deve acautelar as necessidades hídricas das culturas, efetuando as regas com maior frequência. Quer as regas quer a eventual aplicação de produtos fitofarmacêuticos, devem sempre ser efetuadas nas horas de menor calor.

Nas previsões climáticas para a próxima semana (até 27 de agosto), são poucas as alterações, ou seja, alguma nebulosidade em toda a Região, alternando com céu limpo, precipitação pouco significativa e, a acontecer, apenas a norte da Região, novamente no concelho de Santana.

A vinha é uma cultura que nesta altura do ano, merece um olhar mais atento por parte dos produtores.

Podridão negra (black-rot) (Guignardia bidwellii (Ellis) Viala & Ravaz)

É uma doença da vinha originária da América do Norte. Na Europa, foi detetada pela primeira vez em 1885, em França. No Entre-Douro e Minho, é observada desde 2000, ano em que foi identificada em amostras provenientes de Ponte de Lima.

O fungo afeta apenas os órgãos verdes da videira, mas as necroses provocadas persistem nas varas atempadas, nas folhas adultas e nos cachos.

Sintomas:

-  Folhas – pequenas manchas, com 2 a 3 mm de diâmetro (foto 1), caraterísticas e inconfundíveis, vagamente circulares ou poligonais, acastanhadas, com rebordo escuro e repletas de pontos negros minúsculos no seu interior (as frutificações do fungo). Pode aparecer apenas uma ou várias manchas em cada folha, agrupadas. Algumas, maiores, podem atingir 40x20 mm. As manchas necrosam e parte do tecido da folha afetada acaba por se desprender e cair;

foto1 sintomas folhas
Foto 1 - Sintomas nas folhas

- Pecíolos das folhas – podem apresentar necroses alongadas e negras, capazes de provocar o dessecamento da folha;
- Pâmpanos e varas – são mais raramente atingidos. Podem apresentar manchas semelhantes às das folhas, mas alongadas, por vezes deprimidas ou fendilhadas (foto 2). Não têm influência sobre a vegetação, mas, ficando na vinha, servem de inóculo (foco de contaminação) na primavera seguinte;

foto2 infecao pampanos
Foto 2 - Infeção nos pâmpanos 

- Pedúnculos dos cachos e gavinhas – por vezes, apresentam manchas parecidas às dos pâmpanos, mas mais pequenas;
- Inflorescências – pouco afetadas;
- Cachos – são atacados a seguir à floração-alimpa, no início do desenvolvimento dos bagos, até ao pintor. São contaminados frequentemente a partir de manchas de black-rot nas folhas das proximidades. O primeiro sintoma nos bagos é uma pequena mancha circular, descorada, com poucos milímetros de diâmetro, que, de seguida, se alarga e torna avermelhada, mais escura no centro e clara nos bordos (foto 3).

foto3 primeiros sintomas cacho
Foto 3 - Primeiros sintomas no cacho 

A infeção progride rapidamente em extensão e profundidade. Ao fim de um a dois dias todo o bago fica alterado, parecendo escaldado. De seguida, começa a enrugar-se, secando completamente ao fim de alguns dias (com tempo seco) e tomando uma cor negra carregada com reflexos azulados (foto 4). A película dos bagos secos cobre-se de pequenas pústulas negras, tomando um aspeto caraterístico “encortiçado”. Estes bagos destruídos ficam presos ao cangaço durante algum tempo e acabam por cair.

 

previsoes meteorologicas 18 a 27 agosto (NOTA)

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foto4.2 bagos infetados
Foto 4 - Bagos infetados 

O black-rot não ataca, normalmente, todos os cachos da mesma cepa, nem todos os bagos do mesmo cacho. Aparece isolado sobre um ou mais bagos e invade de seguida os outros, de modo bastante irregular.

Conservação do parasita durante o inverno:

- Nos bagos infetados caídos no solo;
- Nas varas, em necroses causadas pelo fungo.

Condições de desenvolvimento:

- Condições geográficas - regiões com elevada pluviosidade;
- Os porta-enxertos americanos e seus híbridos são pouco sensíveis ou mesmo resistentes (no entanto, a doença pode ser propagada através de material de enxertia); a videira europeia (Vitis vinifera) é mais sensível à doença;
- Circunstâncias favoráveis – O black-rot propaga-se a partir de focos que se expandem de forma bastante lenta.

Cada invasão do fungo corresponde sempre a um período chuvoso. O clima favorável ao desenvolvimento do black-rot é caracterizado por períodos chuvosos longos e frequentes na primavera. Vales estreitos, encaixados, de atmosfera húmida, fundos de vales com fraca circulação do ar e nevoeiros persistentes. Encostas viradas a nascente e a norte são menos favoráveis. Os focos de infeção são as lenhas de poda deixadas nas vinhas, os bagos infetados caídos no solo, restos de cachos infetados presos às videiras e gavinhas infetadas enroladas nos arames. Vinhas abandonadas são focos de infeção que contaminam as vinhas das proximidades, sobretudo os cachos, mesmo a centenas de metros de distância.

A evolução do fungo, embora possa ser lenta, pode começar com temperaturas médias de 9 ºC, mesmo durante primaveras frescas. As infeções primárias podem dar-se muito cedo, à saída das folhas, no decurso de períodos de chuva ou de atmosfera saturada de água e suceder-se durante cerca de três meses. As infeções secundárias provocam a expansão da doença pela vinha. O black-rot tem uma grande resistência às temperaturas elevadas e, ao contrário do míldio, não é destruído pelas temperaturas altas no Verão, continuando a desenvolver-se. Também resiste bem às temperaturas baixas, até oito graus negativos.

Estragos e prejuízos

As folhas são os primeiros órgãos atingidos pelo black-rot, no início do desenvolvimento da vinha, cerca de três semanas a um mês antes dos outros órgãos verdes. No entanto, estes ataques não provocam a queda das folhas, a não ser excecionalmente e não causam prejuízos diretos. O black-rot é, fundamentalmente, uma doença dos cachos e pode, em casos graves, levar à perda de toda a colheita.

Medidas preventivas e luta química

  • Destruição das fontes de inóculo – Durante a poda, recolher e queimar varas, cachos secos, bagos afetados caídos no solo, gavinhas enroladas nos arames;
  • Tratamento dos focos primários da doença – procurar as primeiras manchas nas folhas, recolher as folhas com manchas, se possível e tratar a zona afetada cuidadosamente. Os tratamentos anti-míldio também podem combater o black-rot, se forem usados fungicidas de ação simultânea contra as duas doenças.

Nota: nesta época de maior calor, mais propensa a incêndios, recomenda-se a limpeza das matas e também evitar o acumular de resíduos vegetais facilmente combustíveis (madeira e folhagem) na sua exploração agrícola, a fim de prevenir eventuais incêndios.

 

Miguel Teixeira
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura/DSDA
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento, deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura /DSDA
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura /DATA
Correio eletrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Telef.: 291 211 260

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