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Meteorologia agrícola
A informação técnica semanal ao seu dispor!

apuramentos meteorologicos semana52 (LEGENDA)

Segundo os apuramentos meteorológicos para o período compreendido entre 7 e 13 de abril (ver quadro), verificou-se a continuidade de alguma precipitação, em particular noturna, sem ainda atingir os níveis desejados, não só para as necessidades hídricas das culturas, como também para um equilíbrio nas reservas naturais. Apesar de muita nebulosidade, as condições climáticas estão agradáveis, duma maneira geral, estão primaveris (amenas).

Com estas condições do estado do tempo, devemos manter a atenção à necessidade de efetuar as regas, em particular na costa sul, onde os níveis de precipitação são mais baixos. Ver no quadro, os indicadores da Precipitação (P) e Evapotranspiração potencial (ETP) que evidenciam esta realidade.

Poucas alterações nas previsões climáticas para a próxima semana (até 23 de abril), ou seja, na costa sul, alguma nebulosidade com pouca precipitação, e na costa norte, muita nebulosidade acompanhada de precipitação, por vezes forte.

As vinhas devem ser monitorizadas por forma a escolher de acordo com as condições climatéricas (ver na edição anterior a regra dos três dez), a melhor estratégia de defesa contra o míldio.

Vinha

Míldio (Plasmopara viticola) – parte 2

mildio videira 1

Estratégias de proteção

Como medidas de proteção ou combate, para o míldio da videira, podemos considerar:

-métodos culturais (medidas profiláticas);

-métodos químicos.

As medidas profiláticas visam proporcionar condições menos favoráveis ao desenvolvimento da doença.

Um dos primeiros aspetos a ter em consideração diz respeito ao momento da instalação da vinha, a ter em conta principalmente duas situações, a orientação da vinha e os locais de instalação.

Outros fatores ligados à instalação da vinha são: porta enxerto, as castas e posteriormente o sistema de condução. Porta enxertos vigorosos aliados a castas mais suscetíveis ao míldio devem ser evitados. Assim como sistemas de condução que não proporcionem um bom arejamento da copa, uma vez que o microclima criado em cada planta pode ser propicio ao aparecimento de doenças.

As intervenções em verde relacionadas para uma correta condução da vegetação, como por exemplo o desladroamento, as podas em verde ou desparras, proporcionam um melhor arejamento.

Dentro das medidas culturais a optar para um melhor controlo da doença devemos ter em atenção as adubações azotadas e as regas excessivas, a fim de evitarmos excessos de vigor e uma abundância excessiva de rebentos ou folhagem, que dificultam o arejamento da videira e proporcionando condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças como o míldio ou oídio.

A luta química, independentemente das medidas culturais efetuadas acaba por ser indispensável no controlo da doença, em qualquer modo de produção.

Desde a descoberta da Calda Bordalesa para o controlo do míldio da videira em 1885, que os fungicidas são o meio de luta anti-mildio mais eficaz para este problema. As soluções existentes no mercado permitem-nos uma boa gestão e controlo da doença em todo o ciclo da videira (sempre que se justifique uma intervenção deste género).

A estratégia de proteção a adotar passa principalmente pela oportunidade de tratamento. Para tal dispomos no mercado de várias soluções fungicidas que podemos classificar da seguinte forma:

- fungicidas de contacto (carácter preventivo);

- fungicidas penetrantes (carácter preventivo/curativo);

- fungicidas sistémicos (carácter preventivo/curativo).

 

previsoes meteorologicas semana52 (NOTA)

Os fungicidas de contacto (orgânicos, organo-cúpricos e cúpricos) não têm a capacidade de penetrar na folha, atuando só à superfície da mesma. Têm a capacidade de impedir as infeções, no entanto, para que isso aconteça devem ser aplicados antes das contaminações para impedir a germinação dos esporos. O seu posicionamento deve fazer-se de modo preventivo ou nos períodos de menor risco da doença, possuindo uma persistência de ação de 7 a 10 dias, consoante a pressão da doença e as condições climatéricas. Sempre que tenhamos precipitações superiores a 15 mm devemos renovar o tratamento, visto estarmos a trabalhar com produtos de superfície. Este tipo de soluções não protege os novos órgãos formados após o tratamento.

Os fungicidas penetrantes, além da sua ação de contacto, também possuem a capacidade de penetrar na folha e de se difundirem na mesma, têm uma ação translaminar (difundem-se entre as duas páginas da folha), ficando dessa forma protegidos da lavagem pela chuva. Possuem uma capacidade preventiva e também uma atividade curativa que pode chegar a 2 dias após a ocorrência da doença (efeito stop). O seu posicionamento é recomendado para as fases mais críticas do ciclo vegetativo (maior risco), preferencialmente de forma preventiva. A sua persistência de ação pode variar entre os 10 a 12 dias, consoante a pressão da doença e as condições climatéricas. Alguns destes produtos também possuem uma atividade anti- esporolante. A ausência de ação sistémica neste tipo de fungicidas impede a proteção de novos rebentos ou órgãos formados após o tratamento.

Os fungicidas com ação sistémica, possuem a capacidade de se movimentar no interior da planta, podendo haver fungicidas com sistemia* ascendente ou descendente. Tem uma ação de contacto e uma ação sistémica. Depois de penetrarem na seiva da planta, movimentam-se no seu interior, mantendo protegidos todos os órgãos existente na altura do tratamento, assim como os que surgem depois deste. Graças a esta característica, em situações de forte pressão de doença a recomendação a aplicação de fungicidas sistémicos nas fases críticas de maior desenvolvimento vegetativo. A persistência de ação destes fungicidas varia entre os 12 a 14 dias, contudo em situações críticas devemos diminuir o intervalo entre aplicações para 10 a 12 dias (em situações que ocorram precipitações elevadas após 9 dias da aplicação). Como nos anteriores casos, as aplicações deste tipo de fungicida deverá ser feita de forma preventiva. Dentro deste tipo de fungicidas temos algumas matérias ativas com uma boa capacidade curativa (efeito stop) e também ação anti-esporolante.

* - Quando uma substância ativa apresenta estes dois tipos de sistemia, chama-se de “ambi-móvel” ou endoterapêutica.

Relativamente aos modos de ação referidos atrás, devemos ter em consideração o seguinte:

- Ação preventiva: ocorre no exterior da folha ou do órgão verde da videira e tem como objetivo impedir a instalação do fungo na planta;

- Ação curativa: verifica-se no interior dos tecidos vegetais (folhas ou outra parte da videira), depois da contaminação, impedindo ou inibindo o desenvolvimento intercelular do fungo no interior da planta. O fungo é destruído e os tecidos afetados ficam necrosados. As substâncias ativas com este tipo de ação, podem ser aplicadas depois das contaminações e podem destruir o fungo, ficamos dependentes do período de intervenção e da capacidade curativa da mesma;

- Ação anti-esporulante (erradicante): capacidade do fungicida eliminar a doença. Traduz-se na limitação da formação de esporos e/ou da sua mobilidade e sobrevivência.

De qualquer maneira, no posicionamento de qualquer uma destas soluções, devemos atuar sempre de forma preventiva.

O sucesso para um bom controlo do míldio da videira está dependente da deteção das infeções primárias e de um adequado controlo, tentando evitar as contaminações secundárias. Sempre que existam condições para a germinação dos esporos devemos atuar de forma preventiva, uma vez que o período de maturação depende de vários fatores e nem sempre ocorre ao mesmo tempo, dificultando o posicionamento dos tratamentos.

Em suma, a escolha do fungicida para o controlo do míldio da videira devemos ter em consideração os seguintes aspetos: conhecimento da nocividade da doença, suscetibilidade da castas, estados fenológicos mais críticos para o desenvolvimento da doença, eficácia e persistência de ação do fungicida a utilizar (não esquecendo o fenómeno das resistências), intervalo de segurança, custo por ha, equipamento de aplicação em boas condições, volume de água a utilizar de maneira a garantir uma boa cobertura de todos os órgãos verdes da planta (tratar todas as faces da videira) e não esquecer as normas de segurança para o aplicador assim como a correta gestão das embalagens vazias e gestão dos efluentes gerados.

A luta contra o míldio está largamente ligada a luta contra outras doenças da vinha, fazendo-se muitas vezes aplicações combinadas.

Miguel Teixeira
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura/DSDA
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

Para mais informação relativamente à prevenção e/ou tratamento, deverá contactar o seguinte serviço da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura /DSDA
Divisão de Assistência Técnica à Agricultura /DATA
Correio eletrónico: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Telef.: 291 211 260

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