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Atenção à cigarrinha que pode ser prejudicial à cultura da vinha - Scaphoideus titanus

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Fig. 1 - ninfa de Scaphoideus titanus
(www.sito.regione.campania.it)
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Fig. 2 - adulto de Scaphoideus titanus
(www.vignevin.com)

Na cultura da vinha podem ser observados vários grupos de insetos, nomeadamente algumas espécies pertencentes à família Cicadellidae, vulgarmente conhecidos por cigarrinhas. Scaphoideus titanus Ball destaca-se quer pela sua especificidade em relação a esta cultura quer, principalmente, pelo fato de ser vetor da Flavescência Dourada, uma doença provocada por um fitoplasma, transmitido durante o seu processo de alimentação.

Uma vez infetado, o inseto adulto transmite-o durante toda a sua vida, podendo infetar um elevado número de plantas.

A primeira identificação desta espécie efetuada pelo Laboratório de Entomologia/Direção de Serviços de Laboratórios Agroalimentares da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural data de finais de julho de 2010, numa amostra de vinha proveniente da costa Norte da Ilha, nomeadamente da freguesia de São Vicente, tendo entretanto sido detetado também nas freguesias de Ponta Delgada, Boaventura, Porto Moniz, Ribeira da Janela, Seixal, Santana, Ilha, São Jorge, Arco de São Jorge e Faial. No entanto, ressalva-se que a doença que este inseto transmite, a flavescência dourada, ainda não foi identificada na Madeira.

S. titanus efetua a totalidade do seu ciclo sobre a vinha apresentando uma única geração anual. Os ovos, com cerca de 1 mm de comprimento, são colocados debaixo do ritidoma (principalmente na madeira de dois anos) mas também sobre o tronco, sendo, por isso, difíceis de observar. A eclosão ocorre na Primavera e as ninfas revelam preferência em colonizar a página inferior das folhas na parte basal da planta, alimentando-se sobre as nervuras secundárias (Fig. 1). Estas e os adultos podem também alimentar-se junto à nervura principal, pecíolos e ramos verdes.

 

A população de adultos surge, geralmente, entre julho e meados de agosto, atingindo o seu auge neste último. O acasalamento dá lugar à postura após 2-3 dias.

O adulto mede 5-6 mm de comprimento, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos (Fig. 2). Ambos apresentam um corpo fusiforme e alongado, coloração acastanhada e a parte ventral da cabeça com 2-4 faixas transversais mais escuras. As asas anteriores são acastanhadas com nervuras mais escuras.
A confirmação da presença de S. titanus, através de análise visual que incidam nos períodos mais críticos referidos anteriormente, nomeadamente na Primavera, constitui uma mais-valia para evitar prejuízos na cultura. Nas explorações onde os resultados indicarem a sua presença, bem como nas adjacentes, é aconselhável observar atentamente as condições fisiológicas das plantas para a deteção precoce da doença.

Alguns dos sintomas que caraterizam esta doença são o avermelhamento atípico das nervuras, folhas amareladas ou avermelhadas, enroladas e quebradiças, varas herbáceas ou mal atempadas e dessecação dos cachos. Na ausência do fitoplasma, esta cigarrinha só poderá causar prejuízos na vinha quando em número elevado, visto as formas jovens e os adultos se alimentarem nesta planta.

Em Portugal, as substâncias ativas homologadas para o combate a esta praga são o fenepiroximato e a tiametoxame.

 

Délia Cravo
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Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

 

Para mais informações sobre a prevenção e o tratamento da vinha poderá contactar o IVBAM, através do telefone 291 204 600 ou do correio electrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

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