1 1 1 1 1

O controlo do gorgulho (Cosmopolites sordidus) na cultura da bananeira (Musa acuminata Colla)

gorgulho da bananeira1Dando continuidade ao tema do controlo do gorgulho na cultura da bananeira, iniciado na edição n.º 59 do DICA, as medidas mais importantes para o controlo de C. sordidus podem resumir-se da seguinte forma:

- utilizar material livre do inseto ao efetuar novas plantações;
- cortar todos os restos de bananeira para que se decomponham rapidamente, não servindo de refúgio ao gorgulho e retirando, se possível, estes restos da parcela ou incorporando-os no solo (30-40 cm profundidade);
- manter as zonas adjacente à planta limpas de detritos vegetais;
- proceder ao desfilhamento deixando em cada soca apenas a "mãe" e o "filho", abrir as "avós" cortando-as à altura do solo e cobrindo-as com terra;
- colocar armadilhas junto às plantas e recolher semanalmente os adultos capturados;
- manter o solo com boa fertilidade e aplicar os correctivos necessários.

A retirada dos restos de bananeira da parcela apresenta duas desvantagens fundamentais para o produtor: perda de uma fonte de nutrientes que iriam retornar ao solo, e por outro lado, este processo (tal como a incorporação dos restos no solo) implica custos em mão-de-obra que irão encarecer a produção. A retirada dos restos poderá ainda implicar uma maior frequência nas correcções de nutrientes do solo, o que também aumenta os custos.

A captura sistemática é uma forma efetiva de reduzir a população de adultos. As armadilhas utilizadas são, tradicionalmente, iscos preparados com pedaços de pseudotronco de bananeiras cujo cacho já foi colhido, cortados longitudinalmente em duas metades, com cerca de 50 cm de comprimento, colocados no solo com a face cortada voltada para o chão.

Estas capturas têm como principais inconvenientes: a perda de atractividade (cerca de 2 semanas) que implica a preparação de novas armadilhas, novamente com utilização de mão-de-obra; a periodicidade da recolha (4 em 4 dias) pois quando o material perder a sua atractividade os gorgulhos podem abandoná-la; e a falta de material para fazer estas armadilhas, visto que nem sempre existem bananeiras cujo cacho já foi colhido por forma a utilizar-se o pseudotronco nestas acções.

Pode utilizar-se armadilhas específicas para a captura deste insecto, mantendo 2 a 4 por cada 700 m2, as quais só necessitam de ser visitadas a cada 15 dias para repor o nível de água no fundo da mesma e retirar os gorgulhos capturados, possuindo o difusor uma duração da atractividade largamente superior ao das armadilhas tradicionais.

Recentemente iniciou-se, para o controlo químico, a colocação de inseticida, autorizado para este efeito, dentro da soca velha e perto da base do pseudotronco da bananeira cujo cacho já foi cortado, através de um corte ou furo. Graças ao elevado teor de água existente, o produto dissolve-se e "desce", alcançando as larvas e adultos ainda em desenvolvimento na soca velha e no pseudotronco.

 

gorgulho da bananeira2A colocação de inseticida em redor da soca também tem alguma acção preventiva contra a praga.

Conciliando esta acção com o controlo efectuado sobre os adultos livres através da sua captura em armadilhas, conseguem-se bons resultados no controlo desta praga, com quantidades inferiores de inseticida, menores custos e contaminação reduzida do meio ambiente, obrigando, no entanto, a um trabalho contínuo para se obter bons resultados.

Referências Bibliográficas

Balachowsky, A. S. (1963). Coléoptères. Entomologie Appliquée a L'Agriculture, 2 (1): 1099-1117 (cit. García & Morales, s. d.).

Borges, A.V. Borges; Abreu, Cristina; Aguiar, António M.F.; Carvalho, Palmira; Jardim, Roberto; Melo, Irineia; Oliveira, Paulo; Sérgio, Cecília; Serrano, Artur R.M.; Vieira, Paulo; Listagem dos fungos, flora e fauna terrestres do Arquipélagos da Madeira e Selvagens, Junho 2008, Iniciativa Comunitária Interreg III B 2000-2006, distribuído por Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais.

Franzmann, B. A. (1972). Banana Weevil Borer in North Queensland. Queensland Agricultural Journal, 98 (6): 319-321.

Gold, C. S. & Messiaen, S. (2000). The banana weevil Cosmopolites sordidus. Musa Pest Fact Sheet No. 4, Inibap, France.

Schmidt, C. T. (1965). O gorgulho da bananeira em São Tomé. Est. Agron. (Lisboa), 6 (3):97-103.

Silveira, B. (2009). Ensaio comparativo de 3 difusores específicos para o controlo do gorgulho (Cosmopolites sordidus) na cultura da bananeira (Musa acuminata Colla), Relatório de ensaio, Divisão de Fruticultura – DSPSV – DRADR.

Smith, I. R. (1982). Enfermadades, Plagas y Malezas de los cultivos Tropicales. Ed. J. Kranz, H. Schumutter y W. Koch. Verlang Paul Parey. 438-442 (cit. García & Morales, s. d.).

Suplicy, N. & Sampaio, A. (1982). Pragas da bananeira. Biológico, 48 (7): 169-182.
Vilardebó, A. (1984). Problèmes scientifiques posés par Radopholus similis et Cosmopolites sordidus en cultures bananières des zones francophones de production. Fruits, 39 (4): 227-233.
Wollaston, T. V. (1876), On a new insect pest at Madeira. Ann. Mag. Nat. Hist. (London), 20 (4): 334-336 (cit. Saraiva, 1964).

 

Bruno Silveira
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

Tem alguma questão? Coloque-a aqui:

Código de segurança
Atualizar