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O percevejo do abacateiro – Pseudacysta perseae

O inseto Pseudacysta perseae, conhecido como percevejo de renda do abacate, é originário do sul da florida (EUA). Pertence à ordem Hemiptera, sub-ordem Heteroptera.

A praga encontra-se atualmente em quase todos os países da América do Sul e também noutras regiões do mundo. A sua presença na Ilha da Madeira foi detetada no ano 2013, em folhas de abacateiro.

O insecto instala-se na página inferior das folhas do abacateiro e alimenta-se da sua seiva. Provoca cloroses que evoluem para necroses, causando a queda prematura das folhas.

O processo fotossintético pode ser bastante afetado, comprometendo a produção desta fruteira.

Um outro sinal da presença desta praga são pequenas manchas pretas (os dejetos dos insetos), visíveis na superfície das folhas.

O ciclo de vida da P. perseae é de 22 dias, segundo Abud Antum (1991).

O adulto tem aproximadamente 2 mm de comprimento, forma oblongo-oval, com a cabeça e o toráx escuro.

A postura é feita na página inferior da folha, perto da nervura central. Os ovos são cobertos por uma secreção escura e de consistência pegajosa, constituída por dejetos da fêmea.

As ninfas passam por cinco estados ninfais consecutivos, separados um do outro pela muda, os quais se diferenciam principalmente pelo diâmetro da cabeça, comprimento e coloração do corpo.

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fotos: Paula Rocha

P. perseae tem alguns inimigos naturais que estão sendo estudados, com o objetivo de serem utilizados no controle biológico clássico. Entre eles, destacam-se alguns trips, crisopideos, ácaros predadores e vespas.

crisopideo C. rufilabris foi o inimigo natural que apresentou melhores resultados nos estudos efetuados em laboratório dos Estados Unidos.

 
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fotos: Miguel Franquinho

Também tem sido observada a suscetibilidade aos fungos entomopatogênicos.

Além de inimigos naturais da P. perseae, foram avaliados na Califórnia alguns inseticidas. O imidacloprid, a abamectina e o spinosad foram alguns dos inseticidas avaliados com base em estudos de impacto residual. Os inseticidas avaliados com base na atividade de contato e seu impacto sobre C. rufilabris foram, entre outros, o óleo de verão e o sabão de potassa.

Deve-se evitar inseticidas de largo espectro, pois podem prejudicar o controle biológico de outras pragas da cultura.

Dos estudos efetuados, verificou-se ainda que alguns inseticidas sistémicos podem ser muito eficazes e podem estar disponíveis para aplicação por meio de sistemas de irrigação.

Em Portugal, devido ao facto de a praga ter surgido recentemente no país e o abacateiro ser considerada uma cultura menor com pouca expressão a nível nacional, ainda não existem produtos fitofarmacêuticos homologados para o efeito. No entanto, já estão a ser feitos esforços pelos serviços oficiais de agricultura da Madeira (região que devido ao seu clima tem uma considerável produção desta cultura subtropical), para que os serviços nacionais competentes possam homologar o ou os produtos para controlo da praga.

 

Bibliografia consultada:

Avocado lace bug - Pseudacysta perseae (Heidemann) (Insecta: Hemiptera: Tingidae)
Disponível em:

http://entnemdept.ufl.edu/creatures/fruit/avocado_lace_bug.htm

Enemigos naturales de Pseudacysta perseae Heid. (Heteroptera; Tingidae) en las condiciones de Cuba.
Disponível em:

http://www.fao.org/docs/eims/upload/cuba/5369/FAO%20Hirsutella.pdf

Pseudacysta perseae - Biology and Management of Avocado Lace Bug in California
Disponível em

http://www.californiaavocadogrowers.com/sites/default/files/documents/Avocado-Lace-Bug-End-of-Year-Report-2008.pdf

Paula Rocha
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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