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A hérnia das crucíferas

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Fig. 1 - Amarelecimento e Murchidão das folhas de couve
A hérnia das crucíferas é causada pelo fungo Plasmodiophora brassicae.

Como o próprio nome da doença indica, todas as hortícolas e espécies espontâneas da família das crucíferas, são infetadas por este fungo.

Esta doença é vulgarmente conhecida por hérnia da couve ou "potra".

Na Ilha da Madeira foi assinalada a sua presença em brócolos, couve de flor, couve repolho e nabo.

Os primeiros sintomas, caracterizam-se pelo aparecimento de uma coloração verde desmaiada a amarela nas folhas.

Se as infeções ocorrerem no início do desenvolvimento das plantas, observa-se atrasos no crescimento.

Se a infeção ocorrer numa fase mais avançada, as folhas murcham, ficam amarelas e perdem o vigor, especialmente durante as horas mais quentes (Fig. 1). O sintoma mais característico desta doença, é a formação de tumores nas raízes (Fig. 2).

 

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Fig. 2 - Raiz de couve com os tumores

Como em Portugal não existem produtos fitofarmacêuticos homologados para o combate desta doença, uma vez detetada no campo é necessário aplicar medidas curativas, de modo a evitar a sua propagação, tais como: retirar do terreno todas as plantas doentes bem como os resíduos da cultura e queimar; desinfetar todos os instrumentos de trabalho (a exemplo da foice ou enxada) com lixívia ao passar de um local infetado para um não infetado; e proceder ainda a rotações durante pelo menos 5 anos com outras culturas que não sejam nabos ou couves (pois este fungo permanece no solo durante este período).

Dado que este fungo é favorecido por solos ácidos, é recomendável efetuar análises de solo para determinar o pH do mesmo e com base nos resultados da análise e se se justificar, proceder à sua correção.

Após os 5 anos, caso se opte por plantar novamente couves ou outra crucífera nos locais onde foi detetada a doença, proceder à desinfeção do solo nu, ou seja, não semeado nem plantado, com produtos a base de dazomete, na dose de emprego e instruções de aplicação referidas no rótulo do produto. Não plantar ou semear em solos demasiado húmidos e usar sementes certificadas.

Duarte Sardinha
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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