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Rhopalomyia chrysanthemi (Diptera: Cecidomyiidae), o mosquito-das-galhas-do-crisântemo

Recentemente, o Laboratório de Entomologia (LQA, Camacha) analisou uma amostra de crisântemo, colhida no concelho do Funchal, apresentando numerosas galhas nas folhas e na qual foi identificada, pela primeira vez na Madeira, a espécie Rhopalomyia chrysanthemi (Ahlberg, 1939), um pequeno díptero pertencente à Família Cecidomyiidae da qual somente algumas espécies são causadoras de galhas, como neste caso.

Este grupo de cecidomiídeos galhadores são, geralmente, específicos de um determinado género ou família de plantas sendo, por isso, importante ter em atenção não só as características das galhas mas também o hospedeiro.

O inseto tem as seguintes características:

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Figs. 1-4 – Rhopalomyia chrysanthemi em folha de Chrysanthemum sp.: (1) Ovos; (2) Sintoma (galhas); (3) Exúvia de pupa; (4) Fêmea adulta

O adulto de R. chrysanthemi tem cerca de 1,75 mm. A fêmea coloca os ovos, com cerca de 1,5 mm de comprimento (Fig. 1), preferencialmente nos gomos e, à medida que as larvas, amareladas ou amarelo-alaranjada com extremidades arredondadas, segmentação distinta e epiderme lisa, se desenvolvem no interior do hospedeiro, alimentando-se em pontos fixos, evidenciam-se galhas ovais (Fig. 2), com cerca de 2 mm de comprimento, formando um ângulo distinto à superfície dos tecidos correspondentes e um evidente inchaço/intumescência do órgão no qual foi efetuada a postura (caule, folha ou inflorescência).

 

 

Quando o grau de infestação é elevado pode ocorrer deformação evidente no mesmo, desenvolvimento precário das plantas jovens e redução no que diz respeito à floração. De acordo com a bibliografia consultada, a pupa de R. chrysanthemi é oval e tem cerca de 1,25 mm, apêndices cefálicos distintos e asas vestigiais. Esta fase ocorre no interior da galha da qual eclode o inseto adulto após 40-50 dias (Figs. 3 e 4).

Esta espécie, incluída na lista de quarentena A2 da OEPP/EPPO até 1984, foi excluída da mesma por ser considerada de fácil controlo (https://gd.eppo.int/reporting/article-5677) apesar de ter sido referenciada para vários países da Europa.

O facto desta ter sido a única amostra na qual o Laboratório de Entomologia identificou a espécie em questão e pelo sintoma característico da sua presença nunca ter sido, por nós, anteriormente observado leva-nos a crer que esta introdução na Madeira poderá ser relativamente recente ou que, não o sendo, a sua dispersão poderá ter sido pouco significativa e a população existente restringe-se a uma zona/zonas específica(s).

Segundo Guyton (1920), a utilização de variedades de crisântemo menos suscetíveis, nas quais a quantidade de galhas é menor, poderá constituir uma opção viável a considerar no futuro, criando condições menos favoráveis para o desenvolvimento da praga.

Bibliografia consultada

EPPO (1988). Where are they now?. EPPO Reporting Service n.º 2.

Guyton, T. L. (1920). The Chrysanthemum gall midge Diarthronomyia hypogaea F. Low. Bulletin of the Ohio Agricultural Experiment Station, U.S.A., 341 (103-114).

Laboratório de Entomologia
Direção de Serviços dos Laboratórios e Investigação Agroalimentar (DSLIA)
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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