1 1 1 1 1 Pontuação 5.00 (1 Votos)

Oxythyrea funesta (Poda), um escaravelho florícola

oxythyrea funesta fig1 femea adulta
Figura 1 - Fêmea adulta do escaravelho florícola Oxythyrea funesta

Oxythyrea funesta (Poda) trata-se de um inseto de corpo ovalado e cor escura com reflexos acobreados (figura 1), de grandes dimensões (1-1,5 cm), quando comparado com as espécies da fauna local.

Pertence à família Cetoniidae, a qual também constitui uma adição recente para o Arquipélago.

É uma das espécies mais comuns desta família na Região Oeste-Paleártica, onde nos inserimos, e está presente em 47 países, onde abunda numa grande variedade de habitats, naturais e alterados pelo homem. Não deixa, pois, de ser curioso o facto de só há pouco tempo ter aparecido na Madeira.

Os adultos têm vida longa, alimentam-se e acasalam durante o dia numa grande variedade de flores, que na Madeira já incluem uma grande diversidade de compostas silvestres, leitugas, malmequeres, cardos, assim como azáleas (Rhododendron spp.), jarros (Zantedeschia aethipica), novelos (Hydrangea macrophylla), estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum), amoras (Rubus spp.) e citrinos (Citrus spp.).

Na Europa, estão ativos entre abril e setembro e na Madeira já foram observados entre março e junho. No entanto, com o nosso clima mais temperado e sem necessidade de entrarem em diapausa, o mais provável é que estejam ativos durante todo o ano.

 
oxythyrea funesta fig2 larva
Figura 2 - Larva de Oxythyrea funesta com o corpo curvo característico desta família

As larvas (figura 2), que possuem um corpo esbranquiçado e curvo com cabeça castanha, vivem e pupam no solo, alimentando-se das raízes de muitas plantas.

Populações elevadas desta espécie podem constituir um problema para a floricultura, devido aos adultos se alimentarem das próprias flores e não apenas do seu néctar ou pólen.

As observações feitas desde meados de 2016 parecem indicar que a Oxythyrea se tornou uma espécie residente, cujas populações terão tendência a aumentar e espalhar-se por toda a ilha. A sua chegada pode não só estar relacionada com as alterações climáticas, particularmente com o aumento das temperaturas, mas também com a importação de flores de corte e plantas envasadas onde estes insetos podem ser transportados, contribuindo para o aumento das populações locais.

Existem armadilhas com feromonas no mercado europeu, que permitem capturar centenas de adultos por armadilha, caso se verifiquem infestações intensas.

 

António Franquinho Aguiar
Délia Cravo
Direção de Serviços de Laboratórios e Investigação Agroalimentar
Direção Regional de Agricultura

Tem alguma questão? Coloque-a aqui:

Código de segurança
Atualizar