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Epitrix em Batateira

 fig1 epitrix similaris gentner adulto
 Figura 1 – adulto de Epitrix similaris Gentner

Epitrix similaris  Gentner é um pequeno coleóptero crisomelídeo que mede 1,5 a 2 mm no estado adulto, pertencente à família das álticas ou "pulguinhas", cujas larvas causam estragos nos tubérculos, contribuindo para a desvalorização comercial da batata.

É uma espécie exótica de origem norte americana, tendo sido identificada pela primeira vez em Portugal em 2008.

Outra espécie também identificada foi Epitrix cucumeris, a qual apresenta uma morfologia e biologia muito semelhante à espécie anteriormente referida, mas cujos estragos nos tubérculos não são conhecidos.

Na sequência da deteção de Epitrix similaris e Epitrix cucumeris na cultura da batateira em Portugal e com vista a impedir a sua dispersão a zonas da comunidade europeia livres deste organismo através do comércio de batata (consumo ou semente), foi aprovada a Decisão da Comissão 2012/270/UE de 16 de maio sobre medidas de emergência para controlo de Epitrix sp.

Esta praga, dado o seu ciclo biológico, é disseminada essencialmente através de terra aderente aos tubérculos, pelo que as medidas estabelecidas na decisão para expedição para fora de zonas demarcadas, isto é, zonas livres do inseto, incidem particularmente na exigência de lavagem, escovagem ou método equivalente, que conduza à remoção de terra, cuja tolerância é de 0,1%.

Por forma a controlar a praga no território nacional, torna-se ainda necessário aplicar medidas de contenção e/ou erradicação, as quais incluem prospeção e tratamento com produtos fitofarmacêuticos autorizados.

Biologia da praga

O inseto passa pelos seguintes estados de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto.

fig2 estados de desenvolvimento da praga
 Figura 2 – a) ovo, b) larva, c) pupa e d) adulto

No estado adulto hiberna durante o inverno, geralmente fora das plantações, nas fendas do solo, sob os resíduos da cultura ou nas bordaduras não cultivadas (infestantes). No início da primavera retomam a sua atividade e os adultos emergentes migram para a folhagem nova da batateira e/ou campos de batateira próximos, onde se alimentam e iniciam o período de acasalamento.

As posturas são efetuadas no solo de forma escalonada junto dos caules da batateira.

Estes ovos são esbranquiçados, lisos, minúsculos e alongados, com um comprimento de 0,5 mm.

Após a eclosão dos ovos, as larvas migram para a zona radicular da batateira, onde se alimentam, danificando as raízes e a superfície dos tubérculos, alimentando-se na zona da casca. São esbranquiçadas e filiformes, podendo atingir 5mm no final do desenvolvimento.

As larvas abandonam então a superfície dos tubérculos para se transformarem em pupas no solo. As pupas são brancas e de difícil deteção, dada a sua dimensão e localização no solo, e emergem posteriormente, originando uma segunda geração de adultos de verão, que irão colonizar as batateiras, ou, na sua ausência, outras pragas hospedeiras (infestantes), dando início a novo período de acasalamento e novas posturas.

Os adultos são negros, de forma oval ou alongada e medem cerca de 2 mm.

Em condições favoráveis do clima e de continuidade de hospedeiros vegetais, o inseto poderá ter duas ou mais gerações anuais no nosso país.

Para além da batata, o epitrix pode também afetar a beringela, a erva-moira e a figueira-do-inferno, evidenciando preferência pela família das solanáceas.

 

Sintomas

O epitrix pode atacar a batateira em todas as fases do seu desenvolvimento. Os sintomas da presença verificam-se ao nível das folhas e dos tubérculos. Os adultos alimentam-se da folhagem, provocando pequenos orifícios que conferem um aspeto crivado miudinho às folhas. Estes estragos normalmente não afetam o desenvolvimento da planta nem a formação dos tubérculos. Porém, em ataques severos, provocam perda de rendimento da cultura. No final do outono, os adultos entram em diapausa, para passar o inverno no solo.

fig3 sintomas nas folhas fig4 sintomas nas folhas
 Figuras 3 e 4 – Sintomas nas folhas

Após a eclosão dos ovos, as larvas dirigem-se para as raízes, onde completam o seu desenvolvimento, danificando as raízes e a superfície dos tubérculos, que ficam marcados por sulcos estreitos e sinuosos.

Nos tubérculos, podem ser facilmente observadas galerias subepidérmicas, com traçado sinuoso em forma de arabescos, causadas pela alimentação das larvas, o principal estrago com impacto económico, dado que, além de deteriorarem o aspeto do produto, propiciam o aparecimento de podridões.

fig5 sintomas nos tuberculos fig6 sintomas nos tuberculos
 Figuras 5 e 6 – Sintomas nos tubérculos

Meios de luta

Preventivos

A melhor estratégia de luta é a prevenção, através da utilização de medidas culturais que diminuam a população da praga, de modo a impedir o repouso de adultos hibernantes durante o inverno, reduzindo assim a população de um ano para outro.

Assim, destacam-se como medidas preventivas:

- rotação da cultura da batata com culturas não solanáceas;

- remoção dos resíduos da batateira e das infestantes no final da cultura, ou seja, destruição dos restos de cultura e eliminação das zorras e infestantes (potenciais abrigos de hibernação) e;

- cultivo de variedades de ciclo mais curto, que possibilitem antecipar a colheita, como recurso para minimizar os estragos, evitando desta forma o contacto dos tubérculos com as populações mais densas do inseto.

Para prevenir a dispersão da praga, recomenda-se que na colheita e na comercialização sejam minimizadas as quantidades de terra aderente. Outra hipótese para o controlo consiste em plantar numa faixa exterior da parcela uma segunda variedade de batata, mais temporã que, emergindo mais cedo do que a cultura, funcionará como uma armadilha, atraindo os adultos ao saírem dos refúgios de hibernação. Aí, poderão ser facilmente eliminados com um tratamento localizado, reduzindo-se assim o ataque na cultura propriamente dita e a necessidade de tratar áreas mais extensas da parcela.

Quando as medidas culturais se revelem insuficientes, ou não sejam possíveis de realizar, e perante a presença de grandes populações, o recurso a tratamentos com produtos inseticidas e repelentes pode ter de ser considerado.

Químicos

A luta química, com o recurso a inseticidas homologados pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), visa os adultos da geração hibernante e respetivas posturas. Para ser mais eficaz, deverá ser realizado no início da colonização das batateiras pelos insetos. O tratamento de primavera para combater os adultos hibernantes de inverno que iniciam a sua atividade evitará as posturas e desenvolvimento de larvas causadoras dos estragos nos tubérculos, bem como permitirá reduzir os níveis populacionais nas gerações seguintes.

Numa parcela com rotação de culturas adequada será, na maior parte das vezes, suficiente tratar apenas as primeiras linhas de uma ou mais bordaduras. Os produtos com base em substâncias ativas piretróides e neonicotinóides são eficazes. Os produtos organofosforados, apesar de também serem eficazes, têm uma persistência de ação menor que os produtos anteriores e são ecotóxicos.

Em agricultura biológica, podem usar-se inseticidas com base em azadiractina.

A vigilância, principalmente na emergência das folhas, permite a deteção precoce da praga e/ou de sintomas, sendo essencial para seu controlo eficaz.

Medidas para expedição para fora das zonas demarcadas

Sempre que a presença do inseto é detetada numa determinada zona, é estabelecida uma zona demarcada, constituída pela zona infestada e uma zona tampão circundante. São consideradas zonas livres as zonas onde não foi detetado o inseto, em resultados de prospeções levadas a cabo pelos serviços oficiais.

A batata (semente ou consumo) que é expedida para zonas livres situadas no território nacional ou noutros Estados-membros da União Europeia deve cumprir com os requisitos estabelecidos, designadamente apresentar uma percentagem de terra inferior a 0,1%, com base numa constatação oficial, sendo esta exigência atestada pelo passaporte fitossanitário que deverá acompanhar a mercadoria. Assim, se pretende expedir batata para fora das zonas demarcadas, deve contatar os serviços de inspeção fitossanitária da sua região.

De salientar, que a deteção precoce deste inseto é importante para o seu controlo. Se observar qualquer sintoma que faça suspeitar da sua presença, contate de imediato a Direção Regional de Agricultura.

 

Miguel Teixeira
Direção Regional de Agricultura

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