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A vespa-das-galhas-do-castanheiro – estudo de impacto ambiental concluído

vespa É com grande preocupação que os agricultores vêm assistindo à, até agora imparável, expansão da vespa-das-galhas-do-castanheiro (Dryocosmus kuriphilus), identificada pela primeira vez na Madeira em junho de 2014, num pomar público na Freguesia do Curral das Freiras.

Este ano, a Direção Regional de Agricultura estima que venham a registar-se quebras da produção de castanha da ordem dos 50-60% no Curral das Freiras e Jardim da Serra, atingindo uns dramáticos 90% na Serra de Água.

A vespa-das-galhas-do-castanheiro (VGC) ataca plantas do género Castanea, induzindo a formação de galhas nos gomos florais e folhas, provocando a redução da produção e qualidade da castanha, podendo conduzir, se não for controlada, por redução da função fotossintética, ao declínio e morte dos castanheiros em 4 a 5 anos.

Tal como noutras regiões produtoras, na RAM é impensável realizar a luta química contra esta praga, tendo em conta: a reduzidíssima eficácia dos pesticidas existentes (a maior parte do ciclo biológico da VGC é passado no interior das galhas, protegendo-a de inseticidas que atuem por contato); o impacto ambiental muito negativo da maioria dos inseticidas disponíveis; a orografia dos terrenos onde os soutos estão implantados, facto que torna difícil o acesso com equipamentos de aplicação de pesticidas; a elevada dimensão média dos castanheiros existentes. Por outro lado, a luta mecânica (desgalha), além de não resolver o problema (retiram-se gomos florais que deixam de ser viáveis) só é possível em castanheiros até 3-4 metros.

A luta biológica clássica é a única ferramenta possível que está reportada na literatura científica para o controlo da praga. Esta luta utilizada desde 1888 e com base científica desde 1960, consiste em utilizar uma pequena vespa parasitóide (Torymus sinensis Kamijo), mas de família diferente da VGC, já que pertencente à família Torymidae, também nativa da China. Este parasitóide está a ser criado em larga escala em Itália para ser fornecido aos países Europeus produtores de castanha, incluindo Portugal.

A este propósito, é de referir que no continente português as largadas controladas do Torymus sinensis (TS) já foram realizadas no corrente ano e que a Espanha vem agora juntar-se aos outros principais produtores europeus de castanha onde esta prática é há muito corrente (França e Itália), tendo o Ministério da Agricultura deste país autorizado, para várias das suas zonas geográficas em que os soutos adquirem enorme importância, as primeiras largadas para março-abril de 2017.

 

vespa1 Porém, tratando-se o TS de uma espécie exótica, por força do Decreto Legislativo Regional n.º 27/99/M, de 28 de agosto, a sua introdução na RAM só pode ser concedida a título excecional pela Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, e desde que se cumpram cumulativamente com os seguintes três requisitos: existam vantagens inequívocas para o homem; não haja nenhuma espécie indígena apta para o fim pretendido, e seja precedida da elaboração de um estudo de impacto ambiental aprofundado.

A Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, através da Direção Regional de Agricultura, desde a primeira hora atenta a esta problemática, reuniu, em finais de julho passado, uma comissão científica constituída por técnicos internos especialistas na cultura do castanheiro e em entomologia, e o Professor Doutor José Gomes Laranjo, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e também Presidente da RefCast-Associação Portuguesa da Castanha, a qual já concluiu o «Estudo da Avaliação de possíveis riscos ambientais após a introdução do parasitóide exótico Torymus sinensis Kamijo para utilização na Luta Biológica Clássica contra a Vespa-das-Galhas-do-Castanheiro Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu na Ilha da Madeira», o qual será submetido no mais curto espaço de tempo à apreciação dos serviços competentes da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais. O Estudo em referência é acompanhado do «Plano de Largadas Inoculativas de Torymus sinensis na ilha da Madeira» para 2017.

Dado que a Festa da Castanha está muito próxima, a decorrer nos dias 31 de outubro e 1 de novembro, no seu principal centro de expressão, a freguesia do Curral da Freiras, esta será a (boa) notícia a divulgar aos produtores (cerca de 600 no total da RAM, para os quais esta produção tem um grande significado económico) deste delicioso fruto que os madeirenses tanto apreciam nas suas diferentes formas de consumir.

Divisão de Experimentação e Melhoria Agrícola
Direção Regional de Agricultura

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