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Combate à nova praga na cereja e outros frutos já tem pesticidas autorizados

figura1 Drosophila Suzukii adulto
figura2 larva na cereja

No início de maio passado, em cerejeiras e ginjeiras do Curral das Freiras e do Jardim da Serra, através de capturas em armadilhas e posterior identificação pelo Laboratório de Entomologia da Direção Regional de Agricultura, foi confirmada a presença de uma praga agrícola até então inexistente na ilha da Madeira ao nível destas fruteiras, a Drosophila Suzukii – “mosca da asa manchada”, cuja fêmea “pica” os frutos, desenvolvendo-se uma larva que conduz ao seu apodrecimento rápido e posterior queda.

Este pequeno inseto do grupo da mosca-do-vinagre, com cerca de 2-3 mm de comprimento, é originário do Japão, onde merece a designação de “mosca-da-cereja” (a verdadeira “mosca da cereja” é, porém, a Rhagoletis cerasi L.), precisamente devido aos danos que em particular provoca na cultura daquele fruto. Na Europa, a praga foi identificada pela primeira vez em 2008 e, no continente português, em 2012.

A praga, além das fruteiras em causa, pode atacar outros pequenos frutos (morango, amora, framboesa, mirtilo, etc.), como ainda a uva, a ameixa, o pêssego, o damasco, a maçã, o figo, o diospiro, o kiwi, a nêspera e até a anona.
Dada a elevada importância económica para a agricultura regional de muitas destas culturas, e ao facto de, à data, não existir em Portugal qualquer produto fitofarmacêutico homologado para combater a praga, a Direção Regional de Agricultura despoletou imediatamente um sistema de informação aos agricultores sobre o método de luta possível contra a mesma. A praga, sem pesticidas, só pode ser controlada através da designada «captura em massa», que consiste na colocação de armadilhas (garrafas) com uma mistura de atrativo - vinagre de sidra ou mistura de fermento de padeiro com açúcar.

 

Além do contacto direto com produtores, sobre a matéria foram publicadas notas com orientações técnicas neste boletim eletrónico, como preparado cartaz com explicação precisa sobre o único processo de controlo recomendado.

Quanto ao combate à Drosófila com produtos químicos, como problema que este ano já causara graves prejuízos na cultura da cerejeira no continente português, sabia-se que a Direção-geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), a autoridade nacional em matéria fitossanitária, já vinha a avaliar, no âmbito dos designados Usos Menores (alargamento do espetro de pesticida existente para os fins visados), a possibilidade da utilização de certos fitofármacos.

Recentemente, veio então aquele organismo, após publicação no respetivo sítio eletrónico, autorizar a aplicação para esta luta específica (envolvendo a cereja, ameixa, amora, damasco, diospiro, framboesa, mirtilo e o morango), dois produtos comerciais, o Karate Zeon (Syngenta) e o Epik (Sipcam), com doses e intervalos de segurança previamente testados e calculados para cada cultura.

A Secretaria Regional de Agricultura e Pescas congratula-se com este facto, dado que estes produtos fitofarmacêuticos permitirão, senão resolver, muito atenuar os eventuais danos que a praga possa provocar na agricultura local.

Nas fruteiras ainda sem esta alternativa, os agricultores deverão seguir o método de “captura em massa” aconselhado.

A Direção Regional de Agricultura não vai deixar de estar muito atenta à evolução da praga, estando nomeado um grupo de trabalho para a sua monitorização e estudar outras possíveis soluções para a minimização do seu impacto, de preferência com recurso a processos biológicos.

Paralelamente, já durante esta semana, além de outra informação, começou a ser distribuído para afixação e divulgação em todas as freguesias da RAM um cartaz com os novos dados para fazer face aos eventuais ataques da “Mosca da asa manchada”.

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