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A vespa das galhas do castanheiro

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A vespa das galhas do castanheiro (Dryocosmus Kuriphilus Yasumatsu) é um inseto que ataca órgãos verdes de árvores do género Castanea (exceto frutos), induzindo a formação de galhas nos gomos e folhas e provocando a redução do crescimento dos ramos e a frutificação, podendo diminuir drasticamente a produção e a qualidade da castanha e conduzir ao declínio dos castanheiros.

Esta nova praga é originária da China, tendo iniciado a sua dispersão mundial primeiro na Ásia (Japão, Coreia e Nepal) e, posteriormente, na América do Norte (Estados Unidos da América) e na Europa, com a primeira deteção referenciada em Itália em 2002 e posteriormente em França, Eslovénia, República Checa, Hungria, Croácia, Alemanha, Espanha (Catalunha, Andaluzia e Castela-Leão) e, mais recentemente, em Portugal (em 2014, nos concelhos de Barcelos, Ponte de Lima, Vila Verde e Baião e, na Madeira, no Curral das Freiras).

O inseto D. Kuriphilus é atualmente considerado uma das pragas mais prejudiciais para os castanheiros em todo o mundo e que na Europa, particularmente na região mediterrânica, pode constituir uma séria ameaça à sustentabilidade dos soutos (produção de castanha) e castinçais (produção de madeira).

Atualmente, a praga encontra-se disseminada em todas as zonas de produção de castanha na Ilha da Madeira.

Esta praga tem um ciclo anual e é na Primavera que são visíveis os sintomas na árvore, ou seja, a formação das galhas (crescimento exagerado, em forma de nódulo dos tecidos) que têm as larvas lá dentro. Inicialmente, as galhas são de cor verde-clara, passando a cor rosada.

Entre meados de maio e final de julho saem as vespas, vão pôr mais ovos, que passam o Inverno na árvore, desenvolvendo-se na Primavera seguinte. Desta forma prejudica a formação de novos ramos e consequentemente a formação dos frutos. Em plantas jovens, pode mesmo conduzir à morte.

Na luta cultural recomenda-se o corte e destruição das partes da planta atacadas, antes da emergência dos adultos (maio a julho). A procura de variedades e de híbridos de castanheiro tolerantes a este inseto tem sido uma opção desenvolvida na Ásia, América e Europa. A título de exemplo, algumas variedades, nomeadamente a Muraie e Pugnenga de C. sativa, a variedade híbrida Bouche de Bétizac, parecem ser tolerantes.

Na luta biológica, a identificação na China do parasitoide específico Torymus sinensis levou ao estabelecimento de programas de luta biológica para a sua libertação em zonas infestadas, que se têm vindo a estender a todas as regiões onde a praga se instalou, designadamente na Europa.

 
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A Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Madeira tem já prevista a aquisição do referido parasitoide para largadas a título experimental.

A luta química é de difícil aplicação no controlo deste inseto, uma vez que a praga passa a maior parte do seu ciclo de vida no interior das galhas (nódulos). No entanto, na fase de emergência das vespas, sobretudo em árvores jovens com o objetivo de diminuir a população da vespa, é possível a realização de tratamento com produto fitofarmacêutico, para o qual se aguarda homologação. É um meio de luta que poderá ser incompatível com a luta biológica (zonas onde sejam feitas largadas de parasitoides).

As árvores que vêm dos viveiros podem vir infetadas (com as posturas nos gomos) sem que seja possível identificá-las. É por isso necessário ter especial atenção, exigindo sempre que as plantas que se adquire se façam acompanhar do respetivo certificado, a fim de se verificar a região de proveniência.

Como ainda não existe nenhum produto homologado para controlo desta praga, e como a luta química parece-nos ser quase impossível, dada a orografia dos terrenos e a dimensão das plantas, sempre que os sintomas atrás referidos sejam detetados, dever-se-á cortar e proceder à sua destruição (recorrendo à queima para matar as larvas que estão no interior das galhas).

Bibliografia: Plano de Ação Nacional para Controlo do Inseto Dryocosmus kuriphilus Yasumatsu-Vespa das Galhas do Castanheiro- Ministério da Agricultura e do Mar, julho de 2014.

 

Teresa Luz
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural
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Para mais informação ou para comunicar de imediato a ocorrência de sintomas, deverá contactar os seguintes serviços da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural:

- No âmbito da produção convencional (proteção integrada):

Direção de Serviços de Assistência Técnica e Mecanização Agrícola
Divisão de Assistência Técnica e Mecanização Agrícola
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Telef.: 291 211 260

Direção de Serviços de Desenvolvimento Rural
Divisão de Apoio ao Agricultor
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Telef.: 291 214 310

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