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Produção de cogumelos ostra (Pleurotus ostreatus) em substrato - parte II

O Pleurotus ostreatus é um fungo saprófita. Os substratos são fundamentais para o fungo saprófita se alimentar e dar origem a cogumelos de boa qualidade.

Preparação do substrato

A preparação do substrato começa pela seleção das matérias-primas apropriadas ao cogumelo que se pretende cultivar, tais como palhas de cereais, resíduos de cana-de-açúcar e palha de bananeira, entre outros (figura 1).

fig1c tipos de substrato palha de trigo fig1a tipos de substrato bagaco cana de acucar fig1b tipos de substrato palha de bananeira
Fig. 1 - Tipos de substrato: palha de trigo, bagaço de cana e palha de bananeira
(da esquerda para a direita)   

A preparação do substrato requer alguns procedimentos, nomeadamente o corte e trituração das matérias primas, a humidificação, o enchimento dos sacos e o tratamento do substrato pelo calor.

As matérias-primas, depois de devidamente secas, devem ser cortadas e trituradas, de modo a obter partículas, com 2 a 5cm e nunca superiores a 15cm (figura 2).

fig2a trituracao das materias primas palha de bananeira1 fig2a trituracao das materias primas palha de bananeira2
fig2b trituracao das materias primas bagaco cana de acucar1 fig2b trituracao das materias primas bagaco cana de acucar2
Fig. 2- Trituração das matérias primas: palha de bananeira (em cima)
e bagaço de cana-de-açúcar (em baixo)

Deve ser feita a imersão total dos materiais em água, durante 24 a 48 horas, num recipiente adequado à quantidade de material, deixando escorrer o material para retirar o excesso de água (figura 3).

fig3a humidificacao do substrato fig3b escorrimento agua do substrato
Fig. 3 - Humidificação (à esquerda) e escorrimento de água do substrato (à direita)

Antes de efetuar o tratamento pelo calor, o substrato é acondicionado em sacos (figura 4).

fig4 sacos com substrato
Fig.4 - Sacos com substrato
fig5 esterilizacao do substrato  
Fig.5 - Esterilização do substrato 
fig6a pasteurizacao do substrato2
Fig. 6 - Pasteurização do substrato
fig6b arrefecimento do substrato
Fig. 7 - Arrefecimento do substrato

O tratamento pelo calor pode ser feito por esterilização (figura 5) do substrato em autoclave ou pasteurização por imersão em água quente ou vapor.

A pasteurização é o método mais utilizado, por ser simples e de fácil utilização, e a maioria dos contaminantes é eliminada. Após a pasteurização do substrato, este deve repousar até ficar à temperatura ambiente, para então se proceder à inoculação (figuras 6 e 7).

Inoculação do substrato

Durante o processo de inoculação, devem ser tomados os seguintes cuidados:

• Utilizar roupa limpa e luvas descartáveis;

• Limpar a área de trabalho com álcool a 70% ou lixívia a 10%;

• Utilizar uma chama durante o processo.

A quantidade de spawn (“semente”) a utilizar corresponde a 10% do peso do substrato.

Pode ser misturada com substrato ao encher os sacos ou pode-se alternar uma camada de substrato com o spawn (figura 8).

Deve ser adicionado suplementos para aumento do pH como o carbonato de cálcio.

A quantidade de carbonato de cálcio deve rondar os 2% do peso do substrato molhado, cujo objetivo é evitar o aparecimento de contaminações.

Os sacos são fechados após retirar o ar com um nó bem apertado e com a ajuda de fita-cola.

 
fig7 inoculacao do substrato1 fig7 inoculacao do substrato2
Fig. 8 – Inoculação do substrato

Incubação

Os sacos inoculados seguem para a sala de incubação com as seguintes condições ambientais: sem luz (total escuridão), temperatura entre 15 e 28ºC, rega por nebulização, humidade relativa do ar a 80% a 90% e sem renovação de ar.

Os furos devem ser realizados após dois a três dias de incubação, com uma faca gráfica desinfetada em álcool a 70%. A quantidade de furos e o tamanho dos furos dependem do tamanho do saco (figura 9). Este processo demora entre 20 a 30 dias.

fig8a sala de incubacao fig8b realizacao de furos
Fig. 9 – Sala de incubação (à esquerda) e realização de furos nos sacos (à direita)  

De salientar que é necessário evitar a entrada de pessoas estranhas para não haver contaminação.

Frutificação

fig9 primordios e frutificacao1  
fig9 primordios e frutificacao2
Fig. 10 - Aparecimento de primórdios (em cima)
e frutificação (em baixo)

A frutificação tem início na sala de incubação, com o aparecimento dos primórdios. Aquando do aparecimento de um primórdio bem formado, o saco deve ser conduzido à sala de frutificação (figura 10).

A sala de frutificação deverá apresentar temperaturas entre 15 e 24ºC, humidade relativa de 85%, mas com renovação de ar. O período de frutificação tem a duração de 4 a 6 dias.

Neste período de frutificação, a rega é essencial para evitar a desidratação do cogumelo e para manter a humidade necessária à formação de novos primórdios. Também é importante um fotoperíodo de 12 horas de escuro e 12 horas de luz (luz difusa do dia é suficiente ou lâmpadas fluorescentes).

O Pleurotus ostreatus possui três frutificações. O período de repouso/incubação entre cada uma delas é à volta de 20 dias.

Colheita e conservação

A colheita realiza-se quando o chapéu começa a virar para cima (figura 11) e deve ser feita com uma faca limpa ou retirando o cacho por completo, assegurando sempre que a abertura fica livre de resíduos do cacho (parte branca dura).

fig10 pleurotus ostreatus pronto a ser colhido  
Fig. 11 - Pleurotus ostreatus pronto a ser colhido

Após a colheita, os cogumelos devem ser colocados à temperatura de 2 a 4 °C e humidade relativa entre 85 e 95%.

Este procedimento é fundamental para o sucesso do armazenamento e comercialização do produto fresco.

Qual é o rendimento?

18 kg de saco molhado produz aproximadamente 5 kg de cogumelos, nas três frutificações, portanto, cerca de 1/3 do peso do saco reflete-se em peso de cogumelo!

Após as frutificações, no fim do ciclo, o que fazer com o substrato?

O substrato pode ser utilizado para composto na agricultura e jardinagem ou enterrado diretamente no solo a uma profundidade de 30cm.

Em futuras edições do DICA, irão ser abordados os procedimentos utilizados na produção de cogumelos em troncos, nomeadamente: escolha, preparação e inoculação de substratos, incubação, frutificação e colheita.

Projeto INOVAGRO - Despacho 362/2016, de 28 de setembro de 2016

Ana Ghira
Natália Silva
Direção Regional de Agricultura

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