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Abordagem à cultura do mangueiro (Mangifera indica L.) na Região Autónoma da Madeira

mang1Esta fruteira foi introduzida na Ilha da Madeira depois da segunda metade do século XVIII, cingindo-se a pequenas plantações e, na maioria dos casos, a pés dispersos, todas localizadas no Sul da Ilha, de plantas ditas "regionais", cujos frutos são de calibre pouco uniforme e pequeno, com bastantes fibras na polpa e aroma e sabor agradáveis.

Em 1930 foi plantado um pomar, que se julga ter sido o primeiro, com vista à comercialização de frutos, no Sítio do Arieiro (São Martinho – Funchal), inicialmente da variedade do grupo Cambojano (ingl. Cambodiana), originário da Cochinchina, e que alguns autores consideram espécie diferente da Mangifera indica L..

Mais recentemente, na década de 80 do séc. XX, surgiram alguns pomares, também no Sul da Ilha, com dimensão comercial, de variedades novas ("Tommy Atkins", "Tolbert", "Rosa", "Anderson", "Oott", etc.), estimando-se que existam atualmente na região entre 8 e 9ha desta fruteira.

Refira-se que os pomares organizados e com fins comerciais recorrem à rega localizada, geralmente por micro-aspersão e a adubações regulares, na maioria dos casos por fertirrigação, sendo a "vinhaça" (matéria orgânica líquida) um dos recursos no caso do Modo de Produção Biológico.

Com o fertilizante referido anteriormente, os valores de referência são de aplicações de 80l/ha/mês, nos meses mais quentes.

No caso da agricultura convencional, poderá recorrer-se a um adubo químico ternário indicado para fruteiras tropicais, em que o teor de potássio (K) é sensivelmente o dobro do teor de azoto (N).

Esta cultura, sobretudo nos locais com temperaturas mais elevadas, como, por exemplo, no Lugar de Baixo, Ponta do Sol, tem tendência para apresentar uma floração precoce nos meses de janeiro e fevereiro, floração esta que, pelo facto de ser em pequena escala, deverá ser eliminada por forma a promover uma segunda floração mais abundante e num período do ano (Primavera) mais favorável ao vingamento de frutos.

 

mang2As chuvas durante a floração, vingamento dos frutos e fase de desenvolvimento do fruto, são adversas porque reduzem a polinização e a frutificação, favorecendo a incidência de doenças florais (oídio e míldio) e também da antracnose nos frutos. Para minimizar os problemas fitossanitários referidos, realizam-se aplicações de enxofre em pó e cobre.

Como problema fitossanitário grave, refere-se a mosca-do-Mediterrâneo, Ceratitis capitata, que provoca a destruição dos frutos, originada pela postura dos ovos, e posterior desenvolvimento das larvas.

No que diz respeito às temperaturas, o clima ideal para o mangueiro é o clima tropical, contudo, no clima da Ilha da Madeira, apesar de esta se encontrar numa latitude marginal para a cultura, as temperaturas registadas em anos ditos normais, não afetam o ciclo vegetativo desta fruteira.

As características de solo que a Região Autónoma da Madeira apresenta, quer em termos de pH quer em termos de textura, são adequadas à cultura, uma vez que a bibliografia refere um pH entre 5,5 e 7,5 e textura limo-arenosa ou argilo-arenosa.
No caso da profundidade do solo, são referidos valores na ordem dos 1,2 a 1,5 m de solo bem drenado, o que de uma forma geral se verifica na região.

Sublinha-se que muitas das cultivares com interesse agronómico a nível mundial existem no Centro de Desenvolvimento de Fruticultura Subtropical, sendo o seu campo de pés-mãe, com área superior a 1 ha, dos mais completos a nível europeu, composto por variedades trazidas de vários pontos do mundo (Israel, Venezuela, Cuba, Ilhas Canárias e Brasil, entre outros), destacando-se as seguintes: "Anderson", "Gomera", "Rosa", "Oott", "Rubro Brasil", "Haden", "Tommy Atkins", "Maya", "Keitt", "Lippens", "Sensation", "Kensington", "Kent", "Irwin", "Tolbert", "Osteen", "Van-Dyke", "Sprigfelps", "Isis Canárias", "Eleen", "Manzanillo", "Floringon", "Smith", "Gleen", "Cubano" e "São Marques".

 

Alcino Silva
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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