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trigo1O trigo é uma espécie agrícola que pertence à família das Gramíneas e ao género Triticum, sendo de realçar duas espécies fundamentais: o Triticum aestivum (trigo mole), usado na preparação de farinhas para panificação, e o Triticum durum (trigo duro), destinado à indústria de massas alimentícias.

Entre nós, praticamente só está divulgada a primeira, sendo a sua produção utilizado na confeção do famoso "pão de casa da Madeira".

O trigo é uma espécie agrícola com uma importância mundial extremamente grande, sendo considerada uma das culturas extensivas de maior impacto na actividade agronómica mundial.

Foi uma das primeiras culturas a ser introduzidas na Madeira, como elemento fundamental para o suprimento alimentar da população que aqui se fixou. Esta característica perduraria durante vários séculos, mercê do isolamento a que esteve sujeito o arquipélago madeirense, essencialmente pelas dificuldades de transportes.

Mais recentemente, devido à grande revolução ocorrida no sector dos transportes, a sua área tem vindo a decair consideravelmente. Efetivamente, a cultura do trigo é tradicionalmente considerada como extensiva, necessitando de grande áreas para ser rentável, situação que não ocorre na Madeira, onde predomina o minifúndio. No entanto, a sua persistência entre nós é uma realidade, embora em superfícies muito localizadas e reduzidas e tem contribuído para a manutenção de um material vegetativo de extrema importância para a RAM.

Como atrás referido, o cultivo do trigo nunca foi totalmente abandonado: está, hoje em dia, circunscrito a pequenas áreas de sequeiro, recorrendo a variedades regionais que, para além de fornecerem boa farinha, também produzem "colmo"/"palha" de excelente qualidade para as "camas" e alimentação animal (permitindo obter um maior teor butiroso do leite), e para manter, em boas condições, as famosas "casas de colmo" de Santana.

A área atualmente ocupada por esta cultura é de cerca de 100 a 150 ha, distribuídos por pequenas parcelas de sequeiro, mais vulgarmente localizadas em zonas de altitude.

trigo8A produção total regional ronda as 200-300 toneladas, sendo as zonas de maior produção os concelhos da Calheta, Santana (e outras áreas dispersas na Costa Norte) e o Porto Santo.

A produção unitária regional anda à volta dos 2.000 – 2.500 Kg/ha de grão. Embora possa parecer baixo, este valor não pode ser atribuído somente às variedades locais, que em condições ótimas apresentam desempenhos bastante superiores. Assim, há uma forte tendência de exagerar nas adubações azotadas e preterir nas potássicas e fosfóricas, dado que a resistência à "acama" é genética e não necessita da contribuição dos dois últimos elementos, enquanto que a altura é diretamente influenciada pelo primeiro, com uma afetação na produtividade da cultura, o que justifica as pequenas produtividades. Para além disso, este valor mais baixo parece estar também relacionado com os cuidados que são dedicados à cultura: dado ser feita em zonas marginais das explorações agrícolas, os cuidados que lhe são dedicados são inferiores.

A importação de variedades híbridas não consegue melhorar este aspeto da produção regional, por exigirem maiores fatores de produção e melhor maneio, o que não se consegue nas zonas cerealíferas madeirenses.

Ricardo Costa
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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