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variedadesAs variedades mais conhecidas de "Cebola da Madeira" são diversas e abarcam, pela sua adaptação, as diferentes épocas de cultivo/colheita.

Estas variedades já existem na região desde tempos imemoriais e são consideradas, hoje em dia, um verdadeiro património genético madeirense (lado a lado com outras variedades de outras espécies agrícolas nas mesmas condições desta).

Cabe aqui referir que, neste momento, através do Programa GERMOBANCO AGRÍCOLA DA MACARONÉSIA (que conta com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais), está em curso toda uma série de trabalhos conducentes à preservação e seleção deste material valioso, tentando, em primeiro lugar, manter a coleção de variedades regionais e, em segundo, obter material seminal de maior qualidade, multiplicá-lo e distribuí-lo pelos agricultores.

Este trabalho concorre para uma outra diligência, também em curso, que pretende certificar as variedades de cebola regionais e classificá-las como "Cebola da Madeira", permitindo, futuramente, uma mais-valia para os agricultores que se dedicarem e aderirem a esta "marca" madeirense.

As variedades mais comuns no arquipélago são:
"Cebola Vermelha da Camacha": muito comum naquela freguesia do concelho de Santa Cruz, bem como na zona do Caniço de Cima. O bolbo tem uma forma globosa, achatada, com película amarela com tons violáceos e polpa avermelhada. O seu diâmetro varia entre 7-8,5 cm e a altura é de cerca de 7 cm. Tem um ciclo semi tardio.

"Cebola Branca do Caniço": deve o seu nome à forte ocorrência de cultivo nesta freguesia. A sua origem parece estar na zona de Lisboa, assemelhando-se, em certos aspectos, à "Cebola Saloia".

Desta variedade foi retirada uma outra, muito caraterística e divulgada, designada por "Pião", pela semelhança morfológica com aquele brinquedo tradicional.
Também por seleção, foi obtida uma outra variedade, denominada de "Bujanico".

Os bolbos desta variedade são de cor amarela a amarelo pálido, achatados e globosos. As dimensões médias são de: 6-8 cm de diâmetro e espessura de 5-6 cm. É muito produtiva e temporã, sendo esta última caraterística bastante diferenciadora, relativamente às variedades importadas.

A variedade "Pião" tem características muito semelhantes à anterior, distinguindo-se somente pela forma do bolbo. As dimensões deste órgão são as seguintes: 5-6 cm de diâmetro e 7,5 cm de espessura.

Há também conhecimento de uma outra variedade regional, a "Cebola Roxa", muito usada no concelho de Santana e em outras localidades mais húmidas. Mas, pelo facto da sua procura se ter tornado cada vez menor, devido às suas qualidades organolépticas inferiores, foi sendo gradualmente abandonada, não se encontrando, presentemente, no leque de opções varietais dos agricultores.

Para além destas variedades regionais, foram aparecendo outras (importadas) que se adaptaram bem às condições locais e que têm, também, uma certa importância, nomeadamente para fazer face à menor conservação tradicional (diga-se em armazém e à temperatura ambiente) das variedades regionais, uma vez que a maioria é precoce, logo, com uma conservação muito pequena.

É assim que aparece, já no século XX a "Garrafal" e, posteriormente (já nos anos 30), a "Valenciana", que, sendo tardias, permitem um armazenamento mais eficaz e duradouro, permitindo suprir as necessidades de consumo por um maior período. Para além destas variedades, apareceram, nos finais do século passado alguns híbridos (como a "Athos" e "Texas Grano") que, embora mais produtivos, não conseguiram "destronar" as variedades tradicionais.

Ricardo Costa

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