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a anonaA cultura da anoneira remontará a 2.500 aC., quando já seria praticada pelos povos pré-incas. Para os Incas era uma verdadeira jóia, chamando-a "Cherimoya", "peito frio", dado que o fruto seria muito eficaz para tranquilizar e saciar as crianças de mais tenra idade. Porém, este só chegou à Europa séculos mais tarde e cultivada na Ilha da Madeira, segundo Carlos Azevedo Menezes na obra "Elucidário Madeirense", desde "remota data". A mais antiga referência escrita conhecida data de 1845, por Jane Wallas Penfolf que, em "Madeira flowers, fruit, and ferns, a selection of the botanical production of that Island", a propósito da anona, escreve que «várias tentativas têm sido realizadas para fazer chegar este delicioso fruto a Inglaterra, (...); o importador apresentou-o à mesa real, e foi altamente apreciado pela Rainha».

A anoneira adaptou-se facilmente por encontrar condições edafo-climáticas na Madeira próximas das da área geográfica de origem, alcançando os 550-600m de altitude na costa Sul e os 250-280m na costa Norte da Ilha. A cultura ocupará atualmente uma área de cerca de 104ha e a produção média anual de anona ronda as 600ton.

selo DOPDesde 2000 que a UE concedeu à Anona da Madeira o estatuto de Denominação de Origem Protegida, a primeira fruta regional a receber tal grau de proteção internacional. Assim, a anona madeirense passou a estar protegida em todo o espaço comunitário contra qualquer usurpação, imitação ou evocação falsa ou falaciosa quanto à proveniência, origem, natureza ou qualidades essenciais do produto, e a qualquer prática suscetível de induzir o consumidor em erro quanto à origem. Ao beneficiar de um reconhecimento de qualidade superior e distinta, exclusivamente ligada ao território da sua produção e ao saber fazer dos seus agricultores, qualidade essa validada pelo respetivo símbolo europeu, à Anona da Madeira abriram-se novas oportunidades comerciais para os segmentos de mercado mais exigentes, traduzidas em importante retorno económico para o setor.

Com um gosto próprio, único e inconfundível, a anona que, em média, tem cerca de 75 calorias por 100gr, além de um elevado valor nutritivo, é muito saudável porque rica em ferro, fibras, vitaminas C e B, contendo também bons valores de cálcio, fósforo e potássio. Tido como um dos frutos com o melhor equilíbrio entre açúcares e ácidos, tem propriedades importantes na proteção do coração e na neutralização do excesso de acidez gástrica. É também indicado para a fraqueza, anemia e desnutrição.

A anona é consumida sobretudo no estado fresco, partida em duas metades e degustada com uma simples colher, misturada com iogurte ou sorvete, em batido mas pode ter outras utilizações culinárias, principalmente em bolos, pudins e gelados. O licor de anona é igualmente muito apreciado.

Paulo Santos

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