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A Banana da Madeira e as suas especificidades (conclusão)

Algumas notas sobre a Banana da Madeira

banana madeira 1 A cultura da Bananeira foi introduzida na Ilha da Madeira durante o seu povoamento, contudo, só a partir do século XX é que o seu cultivo e comercialização para o exterior ganharam mais expressão.

A primeira referência à presença da cultura da bananeira, na ilha da Madeira, data de 1552, aquando a passagem do britânico Thomas Nichols pela ilha, que a relatou entre as culturas existentes. A data da introdução é, em verdade, desconhecida, apontando-se, devido a esse relato, para o século XVI(1).

A orografia da Ilha, que se caracteriza pelo relevo acentuado, condicionou a forma como foi organizada a propriedade agrícola. As explorações agrícolas, na sua grande maioria, são de pequenas dimensões e estão armadas em socalcos com os muros de pedra aparelhada. As pequenas parcelas de terra, no que diz respeito à área de bananais, formam, no seu todo, mais de 700 de hectares, o que representa parte considerável de toda a superfície cultivada da Ilha.

A proximidade do mar, a exposição solar e o clima ameno ao longo de todo o ano, aliado à fertilidade dos solos, a uma cuidada seleção das plantas e a um correto regadio, permitem obter um fruto de características únicas. Graças a essas condições ambientais, a Madeira produz deliciosas bananas, conhecidas pelo seu intenso sabor e aroma.

A posição geográfica da Ilha e as suas condições climáticas levam a que os terrenos mais propícios ao cultivo da bananeira sejam os do Sul, entre o nível do mar e a cota dos duzentos metros de altitude. A cultura da Bananeira encontra aí as melhores condições para o seu desenvolvimento: temperatura elevada, dada pela boa exposição solar, e água em abundância, proveniente do norte da ilha através de canais de irrigação: as levadas. Existem também algumas produções consideráveis na costa Norte - Freguesias do Porto da Cruz e do Faial, contudo, com níveis de produção mais baixos.

O impacto social, ambiental e paisagístico que a cultura da Banana da Madeira proporciona é vital para uma Região que se assume como destino de turismo de eleição. As pequenas parcelas de terreno, onde a habitação do produtor de Banana da Madeira (área social), muitas das vezes, faz parte da exploração agrícola, caracterizam a paisagem litoral Sul madeirense. Os turistas que nos visitam não ficam indiferentes a essa paisagem subtropical, distinta de todas as outras, pela forma como está organizada, onde a área social – habitação dos agricultores – faz também parte da exploração agrícola. Essa paisagem prima pela proximidade entre o produto e aquele que produz, em perfeita harmonia com o meio ambiente.

 

Sobre o Cultivo

No cultivo da Banana da Madeira, respeitam-se e cumprem-se as boas práticas agrícolas, o ambiente e as normas de qualidade europeias, garantindo ao consumidor que saboreia esta fruta a plenitude das suas qualidades e a sua origem europeia. É uma agricultura que visa o desenvolvimento rural e a sustentabilidade ambiental, social e económica.

Muito embora existam técnicas que devem ser cumpridas no cultivo da bananeira, a forma como elas são executadas varia de produtor para produtor, proveito de um saber passado de geração em geração. Ainda assim, podemos dizer que:

O desenvolvimento de uma bananeira é de cerca de 12 a 14 meses, desde o crescimento da planta até ao corte do cacho de bananas.

Salvo raríssimas exceções, cada bananeira dá só 1 cacho de bananas, que em média pesa cerca de 25 a 30 Kg. O cacho é formado na bráctea, cujo nome vulgar é flor do cacho.

O sistema de rega tradicional dos terrenos de bananeiras é o alagamento, com água que chega até aos terrenos através de canais de irrigação – as levadas. Atualmente, muitas explorações adotam já outros sistemas de irrigação mais modernos e que permitem uma maior poupança de água e um controlo mais eficiente da rega, como são os sistemas de rega gota a gota e os de microaspersão.

Quando o agricultor corta o cacho, procede-se ao desbaste da planta mãe, cortando-se a totalidade das folhas, permitindo uma maior exposição solar/luminosidade à sua cria (filha, canhota), que iniciará um novo ciclo produtivo, servindo-se, no seu desenvolvimento inicial, dos nutrientes que a planta mãe ainda tem para oferecer.

Durante o seu ciclo de vida, a bananeira deve ser submetida a várias operações de limpeza. Cortam-se as folhas secas, limpam-se os cachos, extraindo-se as brácteas, beneficiando assim a qualidade dos frutos durante o seu desenvolvimento, e retirando-se os pistilos (restos florais secos, presentes na extremidade dos bagos (frutos). Quanto ao pinguelo, esse deve ser cortado dois meses antes da colheita.

Ficha Técnica da Banana da Madeira

A ficha técnica define os requisitos pós-colheita do fruto e demais normas de comercialização, podendo consultá-la aqui.

Para ler a primeira parte deste artigo pode clicar aqui.

(1) - Cf. Ramon, Rodrigues, Subsídios para a Solução do Problema Agrícola da Madeira, Lisboa, 1934. Cf., igualmente, Vieira, Alberto, “Dados para a História da Alimentação na Madeira”, in Folclore, Funchal, 1998, CEHA-Biblioteca Digital, disponível em http://pt.calameo.com/read/00001049261d8bbef3b16, data da visita: 27/03/2015

 

GESBA – Empresa de Gestão do Sector da Banana, Lda.

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