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Visita técnica a Tenerife

Com o objetivo de obter novos contactos e informações sobre a cultura da bananeira nas Ilhas Canárias, realizou-se, por iniciativa da Associação de Agricultores da Madeira, uma deslocação à Ilha de Tenerife, de 9 a 13 de julho do corrente ano, com visitas a várias explorações de bananeiras, armazéns de processamento de frutas e à Cultesa – Cultivos y Tecnologia Agrária de Tenerife, SA. O grupo de produtores regionais foi acompanhado por dois Técnicos Superiores da Direção Regional de Agricultura, Eng.ª Alexandra Azevedo e Dr. Bruno Silveira.

CULTESA - Cultivos y Tecnologia Agrária de Tenerife, SA

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Figura 1 – Visita à Cultesa

Nesta empresa, dedicada à micropropagação in vitro de plantas de bananeira, ananás, papaia e variedades tradicionais de batata de Canárias, foi-nos dado a conhecer as instalações e as diferentes fases de desenvolvimento das plantas.

Maria Teresa Bacallado, engenheira responsável da instituição, apresentou as diferentes variedades de bananeira atualmente mais utilizadas em Canárias.

Referiu que os clones selecionados da variedade Pequena Anã (Gruesa Palmera e Brier) adaptam-se bem às condições edafoclimáticas e vão ao encontro das exigências do mercado.

Estes clones são indicados principalmente para plantações na costa sul e em cotas baixas da ilha de Tenerife, onde as temperaturas mínimas são superiores a 12ºC.

A Associação de Agricultores da Madeira, através da Mesa da Banana, pretende fornecer bananeiras Gruesa, para avaliar a adaptação desta variedade em diferentes zonas de excelência de produção de banana na Madeira, dado que as condições edafoclimáticas da nossa Ilha são diferentes das de Tenerife.

Centros de Processamento de Banana

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Figuras 2 – Transporte de banana até
ao Centro de Processamento

Na figura 2, podemos ver como os cachos são acondicionados e transportados até ao armazém de processamento, envoltos num saco almofadado antes do corte. O transporte é feito com os cachos em posição vertical, evitando o efeito de esmagamento/traumatismos comum na sobreposição horizontal de cachos. Estes sacos são reutilizáveis, tendo uma vida útil média de 1 ano e contribuem de forma crucial para que a banana chegue ao armazém no mesmo estado que o produtor a entrega.

Cada “jaula” possui dois andares, onde são transportados cerca de 50 cachos que pertencem apenas a um produtor, facilitando a rastreabilidade e evitando contaminações/trocas acidentais. Os cachos são retirados com um braço mecânico e colocados nas linhas de transporte (Figuras 3 e 4) para iniciar o processo de despenca, desinfeção, classificação e embalamento (Figuras 5, 6 e 7).

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Figura 3 – Processamento de cachos de banana 
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Figura 4 – Cachos de banana nas linhas de processamento

 

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Figura 5 – Lavagem das pencas com vestígios de pragas 
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Figura 6 - Linhas de seleção e classificação da banana
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Figura 7 - Sistema de paletização das caixas de banana

Foram também realizadas visitas a explorações de banana ao ar livre e sob abrigo, recorrendo a sistemas de rega localizado gota-a-gota com fertirrigação.

A utilização deste sistema de rega, em vez de microaspersão ou aspersão como é comum na RAM, deve-se fundamentalmente a duas razões:

- A água é o maior custo de produção em Canárias, atingindo os 10.500,00€/ano/hectare;

- A fertilização de áreas extensas, superiores a 5 hectares, por fertirrega, permite uma grande redução com os custos na mão-de-obra (quando comparado com adubação granulada) e uma adubação regular, praticamente diária, que se traduz num desenvolvimento constante das plantas e da produção;

A utilização de sistema gota-a-gota atrasa a degradação dos resíduos culturais, permite a persistência de uma camada de folhas secas e palhas (Figura 8) que protege o solo da luz solar direta (menor evaporação) e evita o crescimento de infestantes. A camada de "mulching" permite uma redução na mão-de-obra e no uso de herbicidas, com benefícios financeiros e ambientais evidentes.

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Figura 8 – Empalhamento com resíduos culturais (à esq.)e sistema de rega localizada gota a gota (à dir.) 

A existência de corredores de acesso e sistemas de transporte (Figura 9) permite obter uma maior qualidade na banana produzida, reduzindo danos no transporte do terreno à viatura e consequentemente uma maior rentabilidade para o produtor.

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Figura 9 – Corredores de circulação (à esq.)e sistemas de transporte de cachos (à dir.)

As variedades de bananeiras utilizadas são, maioritariamente, Brier e Gruesa, com compasso de 2,5m x 2,5m (6,25m2 por planta) ou 4m x 1,25m (6 m2 por planta) recorrendo a novas plantações com regularidade para manter a produtividade e a produção no período de inverno, em que a diferença de preço chega a ser superior a 0,30€/kg em relação ao verão.

As estufas de bananeiras são em malha, em vez de plástico ou policarbonato, promovendo o arejamento, pois de outra forma as temperaturas tornar-se-iam insuportáveis para a cultura.

 

Alexandra Azevedo
Bruno Silveira
Direção Regional de Agricultura

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