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Ensaio sobre a cultura da cerejeira

cerejeira ensaio porta enxerto A cultura de cerejeira possui uma importância económica elevada no concelho de Câmara de Lobos, nomeadamente nas freguesias do Curral das Freiras e do Jardim da Serra, constituindo uma forma de subsistência de muitas famílias, para além de ser um ex-libris das referidas localidades.

No entanto, nos últimos seis anos, tem-se verificado uma mortandade significativa e contínua de alguns pomares de cerejeira, sendo a causa principal um fungo de solo que ataca as raízes e o colo das plantas, denominado  Armillaria sp.. Até ao momento, e que seja do conhecimento público, ainda não existe nenhum tratamento eficaz contra a doença.

Como tal, a Direção Regional de Agricultura, através dos Serviços de Desenvolvimento da Agricultura (DSDA), deu início a uma série de ensaios com o objetivo de encontrar solução para os prejuízos provocados pelo referido fungo.

Um dos ensaios é a “Avaliação de porta-enxertos e possíveis soluções de controlo da doença Armillaria sp. na cultura da cerejeira”, cujo objetivo é testar a tolerância de quatro porta-enxertos diferentes, entre os quais “Mariland base Marianna, com filtro Adara”, ao qual enxertamos a variedade de cerejeira que se pretende. Este porta-enxerto é indicado como resistente/tolerante à Armillaria sp.,sendo uma das possíveis soluções para a resolução do problema em causa. 

Os restantes porta-enxertos a serem testados são os de ginjeira, cerejeira brava regional e cerejeira brava importada, plantados em baldes de 50 litros para impedir o mínimo de variações possíveis.

Os substratos utilizados são: terra, terra com cal viva, terra com composto e lithothamne, aos quais serão introduzidas outras variáveis, tais como a inserção de material lenhoso e a frequência das regas.

 

cerejeira ensaio porta enxerto 1

Após ser inoculado o fungo nos porta-enxertos, dar-se-á início aos diversos tratamentos, de modo a estudar a sua eficácia no controlo da Armillaria sp., para posterior alargamento aos pomares dos agricultores.

Atualmente, para esta doença existe apenas recomendações de boas práticas agronómicas, mais exatamente efetuar análises de solo, de modo a realizar as correções orgânicas, minerais e do pH; promover a boa drenagem do solo; erradicar do terreno as árvores mortas (arrancar e queimar), retirando o máximo de raízes do solo e limitando fisicamente o local, mediante uma caldeira e valas de isolamento com cal viva, deixadas abertas e expostas aos raios solares, e evitar deixar material lenhoso no solo, pois quando se conjuga este aspeto com fatores climáticos, nomeadamente humidade e temperaturas entre os 18 a 25 ºC, reúnem-se as condições para o desenvolvimento do fungo Armillaria sp.

Para o referido ensaio está como técnica responsável a signatária, a qual pertence à Divisão de Assistência Técnica à Agricultura (DATA) e foram estabelecidas várias parcerias, entre as quais com a Divisão de Experimentação e Melhoria Agrícola (DEMA), a Divisão de Qualidade Agrícola (DQA), a Junta de Freguesia do Jardim da Serra, através da Quinta Leonor, a Universidade da Madeira, a Junta de Freguesia do Curral das Freiras, a delegação de Associação de Agricultores do Curral das Freiras e com os produtores de cereja.

O ensaio mencionado já está a decorrer na Quinta Leonor/Jardim da Serra, pelo que, sempre que se justificar, serão feitas as respetivas atualizações.

 

Aurélia Sena
Direção de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura
Direção Regional da Agricultura

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