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A cultura da cerejeira

cerejeira

A cultura da cerejeira envolve cerca de 415 agricultores e ocupa uma área aproximada de 64 hectares, gerando uma produção média anual de 249 toneladas.

É de referir que, em função das condições climáticas do ano, a produção pode ser maior ou menor, especialmente quanto ao seu impacto mais ou menos favorável nas épocas da floração e da colheita.

Mais de 95% das explorações de cerejeiras (e a mesma proporção para a área) localizam-se no concelho de Câmara de Lobos, além do Curral das Freiras, principalmente no Jardim da Serra, local onde esta cultura se constitui como um verdadeiro ex-libris da zona, caracterizando a sua paisagem e toda a componente económica e social das suas populações.

Por ordem decrescente de área de cerejal seguem-se-lhe em ordem de importância os concelhos de São Vicente, Funchal, Santa Cruz e Ribeira Brava (Serra d´Água).

As variedades mais comuns são as precoces "Regional" (cereja miúda mas de sabor delicioso, com grande tradição na Região) e "Norberto" (de frutos grados), e as tardias "Van", “Serôdia” ou “Lustrosa” e "Grada de Lisboa".

A cerejeira é uma planta que necessita de frio para quebra de dormência (mais de 700 horas abaixo dos 7,2º, exigência variável com a variedade) e por esta razão só encontra condições climáticas favoráveis acima dos 500m na costa sul e dos 350m na costa norte. As variedades regionais são um pouco menos exigentes em frio, mas zonas com nevoeiros e com fortes ventos na floração e frutificação devem ser evitadas.

A época de plantação recomendada é de janeiro a finais de fevereiro, sendo importante que as plantas estejam no terreno um mês antes do abrolhamento.
É uma planta que exige solos com boa drenagem sendo o pH mais favorável entre 6,0 a 7,5.

O compasso de plantação aconselhado é de 4m na linha e 4m na entrelinha. É muito importante deixar a zona do colo livre de ervas e de terra.

As fertilizações e correções devem ser efetuadas consoante as recomendações da análise de solos.

Algumas variedades são autoincompatíveis (só produzem frutos e sementes viáveis após polinização cruzada) e requerem, por cada 8 a 9 árvores, uma polinizadora que floresça na mesma época.

Na época da floração é importante a presença de colmeias (5 colmeias/ha) para favorecer uma boa polinização.

A poda de formação é realizada nos primeiros três anos para estruturar a árvore, efetuando-se a desponta quando o ramo principal atingir 30 a 40 cm de comprimento. Esta poda deve ser realizada em verde (a cicatrização dos tecidos é melhor do que na época de repouso outono-inverno), nos meses de maio a junho.

 

A poda de frutificação realiza-se quando a árvore entra em produção, tendo como objetivo a supressão de ramos mal inseridos e de ensombramento, realizando-se nos mesmos meses e pelas mesmas razões. Se for necessário efetuar esta poda no inverno há que realizá-la no mês de março seguida de uma pulverização com calda bordalesa.

É importante regar as árvores após a plantação e ao longo do ano, sempre que necessário.

No âmbito da condução das culturas, a Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, através da Direção Regional de Agricultura, dá apoio, além das podas, sobretudo às operações de enxertia. Já este ano e em 2013, foram enxertadas 2.324 cerejeiras, abrangendo 53 agricultores.

Os porta-enxertos recomendados são a Cerejeira brava e a Ginjeira (Prunus cerasus L.).

A mosca da fruta e a lesminha preta (Caliroa cerasis) são as pragas mais comuns e a moniliose, as podridões e o crivado as doenças mais comuns, sendo a colocação de garrafas mosqueiras no pomar e a aplicação de calda bordalesa as indicações para o controlo destes problemas fitopatológicos.

O rachamento dos frutos pode surgir quando ocorrem precipitações na época de colheita. Uma das causas é a rápida absorção da água das chuvas na superfície dos frutos.

O ciclo vegetativo da cerejeira na Madeira caracteriza-se por ser muito curto, o que implica uma maior acuidade no seu maneio. A época ativa da cultura inicia-se em março e a colheita efetua-se desde finais de maio a junho.

Para que cumpram as caraterísticas mínimas, as cerejas devem estar inteiras, com aspeto fresco e são e apresentando-se firmes (em função da variedade), limpas, praticamente isentas de materiais estranhos visíveis e de parasitas. Devem ainda estar desprovidas de humidade exterior anormal, isentas de cheiro ou sabor estranhos e têm de ter o seu pedúnculo ou pé.

O desenvolvimento e o estado das cerejas devem permitir que estas suportem o transporte e a manipulação e que se conservem em boas condições até ao lugar de destino.

A cultura da cereja na RAM revela boa aptidão para a conversão ao modo de produção biológico, dadas as práticas culturais que lhe são dedicadas serem já muito próximas das que são prescritas pela agricultura biológica (muitas vezes encontramos pomares de cerejeiras lado a lado com árvores típicas da floresta madeirense, dando à paisagem em que se integram um cariz muito típico e de grande beleza).

A Direção Regional de Agricultura presta apoio direto aos agricultores que cultivam esta fruteira em modo de produção biológico, uma vez que muitas das técnicas de maneio e de condução dos pomares têm de ser alteradas, para além de todos os aspetos formais relacionados com a certificação da produção terem de merecer uma atenção redobrada, garantindo-se, assim, a genuinidade da produção.

A título de curiosidade, de referir que as cerejas contêm proteínas, cálcio, ferro e vitaminas A, B, e C. Ao natural, a forma preferida de as consumir, tem propriedades refrescantes, diuréticas e laxativas. Também é utilizada em tartes, compotas e licores. A infusão de pés de cereja é diurética e muito empregue na medicina popular. 

Ricardo Costa
Direção Regional de Agricultura

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