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O setor da floricultura na Região Autónoma da Madeira em 2017

A produção de flores na Região Autónoma da Madeira (RAM) sempre foi uma realidade caracterizadora e definidora do Arquipélago, mesmo quando tal facto ainda não se constituía como uma atividade agrícola/económica. A fama da Madeira como uma “ilha de flores” sempre ultrapassou fronteiras, sendo hoje em dia um cartaz turístico de enorme importância, especialmente através da “Festa da Flor”, com reflexos muito importantes na economia regional.

As características climáticas madeirenses, com temperaturas bastante benignas e humidade relativa considerável, ao longo de todo o ano, dão à flora regional uma faceta luxuriante e extremamente atrativa para todos os que visitam a RAM constituindo um fator de enorme relevância para uma indústria turística madeirense há muito consolidada.

Área e produção

A atividade florícola, encarada de forma económica já se desenvolve na RAM há várias décadas. Pelos dados estatísticos disponíveis mais recentes, a superfície agrícola evoluiu da seguinte forma (ver Quadro 1). É de salientar a variação entre os anos de 2002 e 2017, o número de explorações mais do que duplicou e a área dedicada a estes cultivos aumentou em quase 28%, o que demonstra o interesse que a cultura de flores e plantas ornamentais mantém entre os agricultores madeirenses.

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 Quadro 1 - Número de explorações e área ocupada pela floricultura/ornamentais na RAM

A grande maioria das explorações florícolas dedica-se à produção de flores de corte, tal como se pode observar no Quadro 2. A área de folhagens e complementos de flor e ornamentais, embora tendo sofrido uma variação positiva nos últimos anos, foi afetada pelas recentes intempéries (nomeadamente incêndios) que ocorreram nas suas áreas de produção, o que levou a resultados contrastantes com a evolução positiva que se verificou com a produção de flores de corte.

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 Quadro 2 - Explorações e área base, por tipo de floricultura

Esta atividade (ver Quadro 3) tanto pode ser feita ao ar livre como sob coberto (em estufa). Para o caso da RAM, até 2012, a grande maioria da área de produção era praticada ao ar livre (72%) enquanto a restante (28%) recorria a estufas (Quadro 3). Atualmente, e observando os elementos de 2017, nota-se uma mudança de paradigma, com uma opção nítida pela tecnologia mais moderna de produção, em detrimento da tradicional: assim, as áreas em estufa estão, cada vez, mais próximas das ao ar livre.

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 Quadro 3 - Explorações e área base, por modo de exploração (flores de corte)

Em termos de localização, e consultando o Quadro 4, constata-se que o concelho de Santa Cruz é o mais especializado na produção de flores (43% das explorações e 52% da área totais estão localizadas neste concelho). Embora distanciado, mas, também, com uma importância relativa ainda considerável, segue-se o Funchal, com 18% do total das explorações e 9% da área total. As restantes explorações agrícolas e área distribuem-se um pouco pelos restantes concelhos localizados na vertente sul, uma vez que os nortenhos não apresentam grande apetência para este tipo de produção.

Será necessário dizer que estes elementos se baseiam nos dados retirados do Inquérito à Floricultura de 2012, pois, para os itens em análise, não existindo ainda dados mais atualizados que estes. No entanto, conquanto o número de explorações tenha aumentado significativamente em 2017, a proporção por concelho dever-se-á manter muito aproximada nesta evolução temporal (2012 para 2017).

 
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 Quadro 4 - Explorações e área base por município (2012)

As principais produções regionais estão patentes no Quadro 5. Como produções maiores temos, dentro das tropicais/subtropicais, o Cymbidium (orquídea de haste), o antúrio e as próteas e, no grupo das temperadas, a rosa e a gerbera. As outras espécies têm uma importância intermédia, sendo de destacar o aumento da produção de jarros e do grupo denominado de “outras flores”, que denota também uma aposta na diversificação (helicónias por exemplo). É de notar que as próteas, que se encontravam em expansão, sofreram um ligeiro decréscimo, entre 2012 e 2017, seguindo uma natural opção dos agricultores pelo cultivo das espécies de flores que se encontram mais na “moda” e que, consequentemente, garantam maiores rendimentos.

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 Quadro 5 - Áreas e produções de algumas flores de corte na RAM

Já no que concerne à produção de folhagem, a evolução tem sido muito significativa. Pela leitura do Quadro 6 constata-se que o interesse por este produto complementar da flor de corte era praticamente inexistente em 2002, reduzido na maioria dos casos a áreas marginais, quase de produção espontânea. Em 2012 já se registam áreas específicas para este tipo de produção, representativas de uma aposta concreta dos agricultores neste sentido, que acompanham as tendências do mercado. Em 2017, em resultado de várias intempéries ocorridas nas suas zonas de produção natural/controlada, este tipo de material baixou significativamente, mas, fruto da imaginação dos profissionais e dos amadores da arte floral atenuou-se esta carência. No entanto, há que salientar que esta não pode ser uma situação estabilizada: há que, também, (re)apostar neste setor produtivo, de forma a que o produto final de floricultura madeirense se mantenha nos mesmos níveis de qualidade, quantidade e conservação, seja na flor de corte ou nos materiais vegetais que as acompanham.

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Quadro 6 - Áreas e produções algumas folhagens na RAM

Assim, a produção geral do sector florícola/ornamental madeirense, verificada em 2017 foi da ordem das 19,2 milhões de flores/hastes e folhagens, + 54% que em 2012.

Dada a extensão deste artigo, o mesmo será concluído no próximo número do DICA.

Ricardo Costa
Direção Regional de Agricultura

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