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Morcegos, máscaras e afins: o fascinante mundo das trepadeiras Aristolochia

 

aristolochia grandiflora
Aristolochia grandiflora
aristolochia cordifolia
Aristolochia cordifolia
aristolochia cordifolia1
Aristolochia cordifolia

Com mais de 500 espécies distribuídas por todos os continentes, à exceção da Antártida, e podendo ser encontradas sob diversos e distintos habitats, este género atrai pela peculiaridade das suas florações que, apesar de não serem duradouras, podem surgir durante todo o ano.

Com uma enorme variabilidade no tamanho das flores, podendo atingir mais de 1m de comprimento, estas plantas são excelentes opções para quem procura verticalidade nos seus jardins, sem o desaire e aleatoriedade de algumas outras trepadeiras.

Existem, inclusive, três espécies em Portugal continental, uma delas introduzida na Madeira, a Aristolachia paucinervis, mas que, à semelhança das restantes duas, não apresenta valor ornamental nem paisagístico, sendo raramente encontrada em jardins e coleções privadas.

Conhecida como “morcegos”, “caras” ou “cachimbo-holandês”, estas plantas podem ser semeadas, germinando facilmente sobre quase qualquer substrato ou ainda propagadas através de estacaria. De crescimento relativamente rápido, a maioria terá que desenvolver um tronco com uma textura tipo cortiça antes de florir, algo que poderá demorar um ano.

A folhagem destas plantas exala um odor muito característico, relativamente desagradável quando quebrada ou cortada. As suas folhas arredondadas são resistentes ao sol direto, mas quebram facilmente quando expostas a ventos fortes, cicatrizando, quase de seguida, num tom preto pouco agradável.

Particular atenção deverá ser dada quanto à presença de animais e crianças jovens. Apesar de alguma controvérsia, estudos feitos na Bélgica e na China relativos à utilização destas plantas na perda de peso demonstraram propriedades carcinogénicas e tóxicas nalguns compostos químicos destas plantas, pelo que a ingestão é completamente desaconselhada, mas não representando, ainda, qualquer perigo através de toque direto com as plantas.

A Aristolochia elegans, grandiflora e gigantea são as espécies mais facilmente encontradas na Região e poderão ser cultivadas sob os mesmos cuidados.

Ainda que idealmente estas plantas devam ser plantadas no solo, orientadas por um tutor resistente, poderão ser cultivadas num vaso profundo com pelo menos 30l de capacidade. Uma mistura de terra com elevado teor de matéria orgânica e alguma perlite, caso a drenagem não for satisfatória, produzirá resultados favoráveis.

 

 

aristolochia paucinervis
Aristolochia paucinervis
aristolochia elegans
Aristolochia elegans
aristolochia gigantea
Aristolochia gigantea

Requerendo forte luminosidade para crescer de forma saudável, inclusive sol direto, o vaso deverá ser colocado para que o sol não atinja diretamente a lateral do mesmo, evitando, assim, o sobreaquecimento do solo e reduzindo problemas com pragas e fungos nas raízes.

Deverá também ser dada alguma atenção à forma como se prende a planta ao seu tutor, já que os rebentos são particularmente tenros. Uma malha para jardinagem ou tiras de náilon serão ideais.

Atingindo cerca de 1m de altura, o entusiasta poderá optar por cortar os rebentos laterais que surjam abaixo do principal, reduzindo o volume da planta e facilitando a tarefa de a conduzir.

De florações axilares e pendentes, a melhor forma de exibir as suas fascinantes florações passa, necessariamente, por uma apresentação horizontal da planta, isto é, após atingir a altura que o cultivador ache necessária, a planta deverá correr sobre uma estrutura horizontal, linear ou não, à semelhança do familiar “corredor de vinha”.

De folhagem persistente em climas amenos e tropicais, o cultivador poderá, quando em climas mais frios, podar a planta no fim do outono, deixando que as temperaturas mais elevadas da primavera acionem novamente o crescimento da planta.

Alem dos padrões incríveis das suas flores, também a sua forma salta à vista. Com um sistema de aprisionamento do inseto para uma polinização quase forçada, à semelhança, por exemplo, dos “sapatinhos”, estas plantas poderão ir mais longe. Sem uma saída que não a entrada e esta de difícil acesso, muitos dos insetos que entram acabam por morrer no interior da bolsa que alberga as estruturas sexuais da planta, não havendo, ainda assim, qualquer evidência da absorção desses nutrientes por parte da planta não se enquadrando, logo, na categoria de planta-carnívora.

Relativamente à sua folhagem, e novamente, a sua toxicidade leva a que poucos predadores as ataquem. Existem algumas espécies de borboleta, inexistentes na Região, cujas lagartas alimentam-se das suas folhas, mas já os afídios serão convidados indesejados nos rebentos e frentes mais tenras.

Estas plantas toleram uma grande quantidade de água e poderão, nalguns casos, ser usadas para drenar terrenos enlameados. Como tal, quando envasadas, deverão ser regadas com alguma frequência, acompanhando o aumentar das temperaturas.

De uma forma geral, esta trepadeira poderá ser uma adição exótica e exuberante a qualquer jardim e quintal. Não necessitando de grande tamanho para florir, poderão ser contidas através de podas e tutores, engalanando os nossos quintais com as suas flores já bem conhecidas pela ilha.


Pedro Spínola

 

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