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“Plantas-aéreas” ou “Flores-de-feiticeira”, o magnífico e vasto mundo das Tillandsia

Nada estranhas à realidade madeirense, com essencialmente duas espécies amplamente distribuídas por todo o arquipélago, o género Tillandsia pertence à família das Bromeliaceae, a mesma família do abacaxi ou ananás, por exemplo.

Esta família botânica é encontrada um pouco por toda a América, excetuando o extremo norte e com uma espécie em África. São, no grosso dos casos e à semelhança da maioria das orquídeas ornamentais, plantas epífitas, ou seja, plantas que crescem agarradas a outras plantas e árvores sem hábitos parasíticos.

Existem Tillandsia que se desenvolvem de forma terrestre até porque as sementes, quando caem, não escolhem onde cair, mas a maioria delas tem a capacidade de crescer de forma absolutamente incrível, desde postes de comunicação até agarradas a cabos elétricos. O parco ou por vezes inexistente sistema radicular tem a função única de suporte à estrutura principal, já que a água e nutrientes são absorvidos através das folhas.

Tillandsia aeranthos
Tillandsia aeranthos

São precisamente estes hábitos pouco comuns à noção e cultura botânica europeia que lhes concederam o nome, aqui na Madeira, de “Flores-de-feiticeira” à alusão de que crescem do ar. De facto é verdade, já que tudo o que estas plantas requerem e absorvem vem, assim, do ar.

Na Madeira, a maioria das pessoas estará seguramente familiarizada com a Tillandsia aeranthos e a Tillandsia usneoides, localmente apelidada de “barba-de-velho”. De crescimento muto rápido, formam massas vivas relativamente rápido que se tornam, à medida que crescem, extremamente resistentes e gratificantes.

Tillandsia usneoides
Tillandsia usneoides

A respeito disso e à semelhança de outras plantas enraizadas na memória coletiva madeirense, a Tillandsia aeranthos ganhou, ao longo do tempo, um papel de relevo numa tradição típica em que, qualquer nova casa deveria ter uma destas plantas oferecida, outra comprada e por fim, uma roubada!

 

Todas as Tillandsia florescem em diferentes alturas do ano, mas são as suas formas e hábitos que atraem a maioria dos interessados e colecionadores. São, indubitavelmente, plantas de fácil cultivo, quando assumidos certos compromissos e quando se têm em atenção alguns cuidados.

Nos últimos anos, o interesse e a dedicação internacionais por estas plantas têm crescido imenso e são um nicho interessante que vale a pena explorar. Vários híbridos floríferos e espécies exuberantes têm sido propagados para satisfazer as necessidades do mercado e a Madeira oferece condições ímpares para o seu cultivo.

Focando o ponto da cultura e como o ar é a principal fonte dos requerimentos nutricionais da planta, estas não devem, salvas raríssimas exceções, ser cultivados no interior. O jardim é sempre a melhor opção ou uma varanda, balcão, etc., onde um bom arejamento é crucial. Um local com boa luminosidade, sem que apanhe o sol do meio-dia e de verão é o sítio ideal, melhor ainda se apanhar água da chuva.

Ainda que resistentes à seca, apreciam imenso serem regadas com frequência, sempre que as temperaturas forem superiores a 10ºC, nunca devendo, a humidade atmosférica, estar baixa. Uma rega demasiado parca levará ao desenvolvimento, nos meses mais quentes, de vários tipos de cochonilha que encontram, entre as folhas, o local ideal para habitar. Face a isso e atendendo sempre a uma cultura de prevenção, será necessário escovar com uma escova-de-dentes velha e uma solução aquosa com um pouco de álcool etílico e sabão ou aplicar um inseticida sistémico, atendendo às doses mínimas recomendadas.

Tillandsia caliginosa
Tillandsia caliginosa

Algumas espécies com formas arredondadas têm espaços ocos entre as folhas e será comum encontrar formigas dentro. Por si só não consistem problema, mas é necessária atenção ao transporte de outras insetos parasíticos por parte das primeiras.

Não será necessário adubar, já que, estando dispostas sob uma árvore ou árbutos, por exemplo, as poeiras e matéria orgânica que cai será suficiente.

Tendo em conta aquilo que já foi dito sob o seu sistema radicular, é de supor que não precisem ser envasadas. Apesar de algumas espécies desenvolverem raízes num ambiente húmido, sempre que possível, devemos montá-las em peças de madeira ou de cortiça, primeiramente na posição vertical da planta, usando tiras cortadas de náilon (meias-de-senhora) como forma suave, mas resistente para segurar a planta até que se prenda sozinha.

São plantas simpodiais que apenas florescem uma vez em cada estrutura vegetal, desenvolvendo, aquando da formação da haste, um ou vários rebentos basais ou axilares que, no próximo ano, ostentarão as flores dessa época. É importante não cortar estas partes até que sequem completamente já que, contrariamente, por exemplo, à bananeira, não existe uma pressão osmótica na raiz que faça com que os fluidos sejam bombeados para o novo rebento, e estaríamos a diminuir as fontes de absorção de água e nutrientes da planta.

Com várias espécies, muitas delas adaptadas a temperaturas perto dos zero graus, é um género que pode ser cultivado por toda a ilha, em várias altitudes, aproveitando as potencialidades climáticas de cada zona e obtendo crescimentos e florações formidáveis.

Pedro Spínola

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