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A escolha de uma orquídea – erros comuns, truques e conselhos

O espaco entre as folhas devera ser sempre examinado  
 Espaço entre folhas deve ser examinado
  Haste apical. No grosso dos casos o crescimento no apice e interrompido para sempre
Haste apical
raizes saudaveis
 Raízes saudáveis

Sempre se deram flores nas mais diversas festividades e ocasiões especiais. Chega quase a ser cliché o ramo florido, o vaso cheiroso, com ou sem cartãozinho com dedicatória. Quer seja para si mesmo ou para oferecer, as orquídeas, em especial as Phalaenopsis, pelos seus tratos parcos e longevidade de floração, são a par das flutuantes tendências nas floristas e casas de especialidade, uma aposta ganha na satisfação de qualquer pessoa a quem elas se destinem.

No entanto, os menos sapientes na matéria facilmente cometerão erros capitais que podem ditar o rápido insucesso de cultivo. Não descurando, ou melhor, tendo sempre em atenção as lógicas comerciais, nem sempre aquilo que vemos à venda é de facto de boa qualidade vegetal. Anos de inovação tecnológica e condições particularmente controladas permitem uma floração surpreendente numa planta que, nas nossas casas ou jardins, num instante sucumbiria a qualquer adversidade.

Cabe-nos, neste âmbito, termos o papel fulcral na escolha da planta que compramos e, para tal, debruçar-nos-emos sobre uma série de fatores e conselhos que servirão para melhorar estes aspetos.

Qualquer entusiasta ou cultivador de sucesso dir-lhe-á, à pergunta: Qual o seu truque para plantas ou florações tão boas? – Que um dos principais motivos para o sucesso prende-se precisamente com o começar com uma planta boa. No que diz respeito às orquídeas isto é particularmente verdade.

Como têm um metabolismo lento, apesar de demorarem muito tempo a mirrar na presença de uma adversidade, recuperá-las é também uma tarefa muito morosa e que nalguns casos, face ao preço mais convidativo que por vezes possuem, será de maior interesse a simples substituição da planta.

Nos géneros monopodiais, ou seja, naqueles cujo crescimento se dá de uma forma apical no mesmo vegetal como as Vanda e as Phalaenopsis, por exemplo, isto torna-se ainda mais crítico já que dificilmente produzirão rebentos que permitam a subsistência dessa planta.

A maioria das pessoas, no ato de compra ou aquisição é imbuída pela beleza, quantidade de hastes ou número de flores. No entanto, o principal fator a ter atenção é às raízes. Algumas delas são vendidas penduradas ou em vasos transparentes facilitando a inspeção. O interessado deverá sempre procurar por pontas de raízes saudáveis no maior número possível. Estas são estruturas terminais, normalmente de cor distinta, verde ou avermelhada, em forma de cone, que devem ser bicudas e aparentar uma certa humidade. Muito substrato vazio, sem raízes ou raízes secas e podres serão sinais óbvios a evitar.

Ao mesmo nível, as folhas devem ser também inspecionadas. Devemos sempre procurar, à exceção de espécies ou híbridos em que tal seja natural, pelo menor número de máculas, manchas ou necroses possível. O aspeto geral deverá ser de uma folha lisa, sem irregularidades estranhas, sem manchas ou riscados negros ou castanhos que poderão indicar fungos, bactérias ou mesmo vírus.

 
O cuidado na divisao nunca e demasiado  
 Efetuar a divisão com cuidado
  Folha com sinais claros de necroses
 Folha com sinais de necrose

Um bom truque ou área principal a procurar é no espaço entre as folhas e junto ao substrato. Por vezes as folhas que parecem na ponta verdes e saudáveis têm um aspeto podre e castanho junto à terra, indicando um sério caso de falta de arejamento.

Por vezes o transporte destas plantas demora demasiado tempo além de que, novamente, poderão ser acondicionadas demasiado juntas ou em espaços com muita pouca luz favorecendo a proliferação de esporos.

Rebentos novos serão sempre um sinal positivo, já que indicam o iniciar de um novo ciclo de crescimento, podendo o cultivador, somente se necessário, reenvasar nesta altura.

Particular atenção deve ser dada às Phalaenopsis que apresentem hastes apicais. Frequentemente se vêem algumas destas orquídeas cuja haste brota, precisamente do centro da planta de onde viria, noutras circunstâncias, a nova folha. Ora, isto é um erro genético a evitar, já que a planta estará, à partida e na pouco provável ocorrência de um rebento ou keiki, votada à morte.

Outro aspeto a salientar prende-se com a facilidade, em preço, da aquisição de divisões. Por vezes, comerciantes, na impossibilidade de venda durante a floração, dividem os vasos e vendem as mudas ensacadas a um preço mais baixo. Ora, à partida, quando esse trabalho é feito por alguém que entenda as circunstâncias que isso implica, não haverá grande problema. No entanto, nunca podendo confiar totalmente nessa parte, incorremos em grandes riscos. Em boa verdade, durante o corte, podemos estar a perder os rebentos e as gemas principais daquele segmento. Além disso, durante o ensacamento, muito das raízes podem ser partidas ou apodrecer devido à humidade que se retém dentro do recipiente.

Mas, como se isso não bastasse, o grande perigo advém verdadeiramente do instrumento de corte. Normalmente o mesmo a trabalhar para todas as plantas nesse dia, e que poderá ser a principal forma de disseminação e contaminação por vírus nas orquídeas. Ao utilizarmos o mesmo instrumento de corte sem a sua esterilização entre uma planta doente e uma sã, estamos a contaminá-la com seiva infetada. Isto é novamente verdade para as nossas práticas caseiras, mesmo quando usamos a força da unha para “rolar” uma folha que devia ser deixada cair naturalmente caso fosse o de uma folha velha.

Assim, devemos estar atentos a estes sinais e dialogar, constantemente, com o nosso fornecedor de plantas, perguntando acerca das datas de chegada para que possamos comprar atempadamente e diminuir assim o tempo de permanência e contacto com as plantas possivelmente infetadas.

Essas deverão ser sempre colocadas durante algum tempo naquilo que chamamos “quarentena”, pulverizadas com antifúngico e desparasitadas sempre que assim o entendermos.

Passados alguns bons dias, podemos então juntá-las à nossa coleção, regozijando-nos com a sua beleza e esplendor.

Pedro Spínola

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