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A luz e a exposição solar nas orquídeas – mitos, regras e distinções

catasetum a comecar um ciclo vegetativo apos dormencia  
 Catasetum a comecar um ciclo vegetativo
phalaenopsis gigantea a crescer a sombra
 Phalaenopsis gigante a crescer à sombra
queimadura de sol
 Queimadura de sol
  dendrobium speciosum ao sol
 Dendrobium speciosum ao sol

No seguimento do último artigo referente à rega e à humidade nas orquídeas, um dos outros pontos importantes a entender no que ao cultivo de qualquer género botânico diz respeito é, precisamente, a questão da luz. Assim, para as orquídeas, não sendo exceção, existem várias ideias pré-concebidas que precisam de ser esclarecidas e, outras, conhecidas.

Luz não é sinónimo de exposição solar direta e, em boa verdade, poucas são as espécies de orquídeas que preferem este tipo de condições. Além disso, vários fatores pesarão na escolha do local correto onde colocar a planta, atendendo, por exemplo, à questão da luminosidade para que se desenvolva da melhor forma, evitando problemas que advenham de uma exposição à luz incorreta.

A maioria das espécies e variedades ornamentais de orquídeas que encontramos à venda, contrariamente às mais comuns Phalaenopsis, toleram uma exposição à luz mais intensa. Dendrobium, Vanda e, por exemplo, as Cattleyas têm requisitos luminosos mais exigentes do que as primeiras ou, ainda em relação aos Paphiopedilum, os famosos sapatinhos.

Assim e novamente, não existem regras fixas que possam ser fonte régia de informação já que a intensidade luminosa é diferente no verão e no inverno, por exemplo, assim como a circulação de ar ou, ainda, a frequência de rega em que todos estes fatores pesarão na influência que a luz tem.

No entanto, o aspeto que aqui falamos é dos pontos mais importantes para o desenvolvimento da planta. A maioria delas depende da fotossíntese para a obtenção da sua nutrição e, mais, a luz, a par com a temperatura, regulam as fito-hormonas que promovem a floração e o crescimento correto.

De um modo geral, o excesso de luminosidade é facilmente detetado pelo amarelecer das folhas, pelo esbatimento da cor das florações, por folhas e brotos raquíticos, mas, normalmente, resultará num maior número de inflorescências. Já o contrário, o défice de luminosidade, produzirá folhas muito verdes, verde-escuro inclusive, com tendência para um número inferior de flores e, além disso, de surgimento mais tardio. Já a permanência ao sol em espécies que não o toleram bem pode mesmo resultar na necrose foliar, na seca e queimadura da parte vegetal.

Transversalmente, no espectro das orquídeas ornamentais, Vandas e Cattleyas tolerarão uma luminosidade superior, com algum sol direto pela manhã e tarde, se oferecidas regas regulares e circulação de ar. No outro extremo estarão as Phalaenopsis, os Paphiopedilum e as Miltoniopsis que precisam de condições mais sombreadas. No caso dos sapatinhos, espécies e variedades de folha de cor sólida toleram mais luz que os restantes de folha maculada e marmoreada que requerem, nalguns casos, sombra profunda para proliferar.

Em ambos os casos há que considerar alguns aspetos. Uma exposição solar mais intensa resulta, normalmente, num aumento de temperatura e existem espécies de altitude que toleram uma luz mais intensa, mas, não necessariamente, mais calor. Assim, o seu metabolismo é forçosamente acelerado, induzindo um enfraquecimento da planta que rapidamente se traduz na instalação de pragas típicas como pulgões e conchonilha. Já em plantas que requerem sombra, além de outras, há que estar atendo aos fungos que proliferam neste tipo de condições.

Na nossa região é comum a confusão entre luz e sol e, géneros como a Sobralia (orquídea-de-cana) e os Paphiopedilum (sapatinhos) são, por vezes, cultivados sob sol intenso e direto. Apesar de estes géneros, na natureza, preferirem condições mais sombrias, o seu poder de adaptação, há décadas em cultivo na região, produziram espécimes capazes de resistir a tal, mas que acabam por sofrer danos de exposição indevida, enfraquecendo, aos poucos, as plantas e destonando-lhes de valor comercial.

 
folhas de paphiopedilum maculadas requerentes de sombra  
 Folhas de Paphiopedilum maculadas
  papilionanthe teres tipica folha teres e fina tolerante ao sol
Papilionanthe teres tolerante ao sol
dendrobium senile sem folhas e pilosidades
 Dendrobium senile sem folhas e pilosidades

O ideal, como sempre, é conhecer o nome da espécie ou variedade que possuímos para que nos possamos esclarecer junto de bibliografia específica, mas, na sua ausência, a observação do vegetal em si poderá indicar-nos uma série de pistas. Aqui, a distinção será feita sob, basicamente, os mesmos pontos que os usados para a questão da rega.

Plantas com folhas largas, de textura fina, com ou sem pseudobolbos, raízes não demasiado grossas em relação ao tamanho da planta e, normalmente, de florações pendentes, preferem condições sombreadas, meia-sombra, algo semelhante àquilo que conseguiríamos debaixo de uma árvore. Já orquídeas com folhas curtas, rijas, longas, mas finas e de textura suculenta, pseudobolbos com pilosidades e/ou raízes grossas com textura áspera, preferem e proliferam sob uma luz mais intensa.

Para estas, é possível o seu cultivo ao sol direto durante algumas horas do dia e, nalguns casos específicos, inclusive, durante todo o dia se atendidos alguns aspetos. Uma orquídea que esteja o dia todo atrás de um vidro sobreaquecerá, sem ventilação, da mesma forma que uma orquídea no exterior, ao sol, sem rega. O balanço é importante e terá que ser sempre vigiado à espécie e local onde a colocarmos.

Existe, ainda, um terceiro elemento distinto que deverá ser estudado. Existem regiões tropicais que, durante uma parte do ano, normalmente a menos quente e menos chuvosa, as suas árvores perdem todas as suas folhas e, sendo o grosso das orquídeas epífitas, ficam mais expostas ao sol. Assim, muitas dessas mimicam o comportamento das árvores onde vivem. Neste caso, aquando da perda das folhas, além de aumentarmos a exposição à luz, devemos também diminuir as regas para que consigamos uma floração ideal. Como exemplos temos muitos dos Catasetinae ou ainda as Lycaste (orquídea-de-canela), por exemplo. Nestes casos, aquando do surgimento dos novos rebentos, retomamos as condições mais sombreadas e mais húmidas.

A luz, ainda, é um fator indispensável para o controlo de pragas. Os fungos encontram uma enorme dificuldade em proliferar em ambientes luminosos e bem arejados. Assim, a conjugação de todos os fatores que temos vindo a discutir afunila na obtenção de espécies de orquídeas cuja saúde e vitalidade promoverá um crescimento e floração abundante.

Finalmente, cabe ao entusiasta aperceber-se das condições que possui na sua casa/jardim, devendo distribuir, raramente uniformemente, as orquídeas que possua pelas diferentes áreas possíveis. Infelizmente, as necessidades das orquídeas poderão ser tão distintas como elas mesmo e o ideal será agrupar as espécies e variedades que possuamos segundo as suas necessidades luminosas e hídricas.

Havendo uma orquídea para cada lugar e condições gerais, podemos aumentar a diversidade dos nossos jardins e experiências se soubermos aproveitar o máximo das potencialidades das orquídeas com aquilo que lhes conseguimos oferecer.

 

Pedro Spínola

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