1 1 1 1 1 Pontuação 4.92 (12 Votos)

Miltoniopsis – da dificuldade de cultivo à desconstrução de mitos

miltoniopsis andrea west
Miltoniopsis Andrea West
miltoniopsis roezlii
Miltoniopsis roezlii
miltoniopsis phalaenopsis
Miltoniopsis phalaenopsis

Oriundo das zonas montanhosas da América do Sul, especialmente das vertentes este dos Andes e típica e erroneamente chamado de Miltonias, o género Miltoniopsis é sempre uma tentação para o olhar, muitas vezes com florações perfumadas e, hoje em dia, com preços acessíveis.

O nome Miltoniopsis significa, com o sufixo opsis de “semelhante a”, logicamente “parecido às Miltonias”.

Outra referência comum a este tipo de orquídeas é o de “orquídea amor-perfeito”, quer pelo seu formato arredondado com centro de cor distante ou, simplesmente, por analogia com o termo inglês para as mesmas de “pansy orchid” (pansy: amor-perfeito).

Apesar de quase todos os exemplares encontrados à venda serem híbridos, todos eles são intragenéricos, ou seja, cruzamentos entre espécies do mesmo género, o que, por sua vez e apesar de produzirem exemplares com cores distintas e tamanhos incríveis, não abonam a favor do entusiasta ao descobrir o seu cultivo difícil e desafiante.

Contrariamente às Miltonias, menos comuns em cultivo e que preferem condições bem mais quentes e secas, as Miltoniopsis vêm de regiões de altitude. Ainda que na zona equatorial, aos 2000 e 3000 metros de onde provêm, existem algumas características que não ajudam ao seu cultivo especialmente em cotas mais baixas da costa sul da Madeira e todo o Porto Santo.

Ao observarmos a planta deste género, normalmente têm pseudobolbos pequenos, folhas sensíveis e raízes finas. Todo esse contexto aponta para uma série de necessidades em que a planta não tolera sol direto, calor nem escassez de água. No entanto, existem mitos a desconstruir.

Todas as Miltoniopsis são epífitas, ou seja, têm sempre nas árvores onde crescem as suas raízes expostas à luz e ao ar e, no entanto, precisam de humidade e água em abundância. No seu habitat, além dos nevoeiros constantes, as chuvadas são diárias. Não obstante, as temperaturas variam entre os 7-8ºC noturnos até aos 20-22ºC diurnos, condições difíceis de replicar, ao longo de todo o ano, nas nossas ilhas.

A verdade, é que com tempo e paciência e apesar de não serem as condições ideais, é possível aclimatar uma destas plantas às nossas altitudes e latitudes, atendendo a uma série de questões.

 
miltoniopsis vexillaria habitat natural
Miltoniopsis vexillaria (em habitat natural)
miltoniopsis herr alexander
Miltoniopsis Herr Alexander

A primeira a destacar remete para a qualidade da água. Felizmente, na Madeira, a água potável tem uma baixa milhagem de sais, requisito mínimo a uma boa saúde de qualquer planta de zonas altas. Recomenda-se, para tal, que os valores de ppm’s (partes por milhão) sejam sempre inferiores a 100ppm, valores possíveis com o recurso à água canalizada.

A planta deve ser, preferencialmente, colocada num cesto ou pendurada num vaso, nunca demasiado grande ou profundo, com o cuidado de fazer novos buracos nas laterais do vaso, possibilitando o arejamento das raízes e a circulação da água que é o fator seguinte.

Conhecendo já o habitat natural da planta, sabe-se a importância das regas frequentes, nunca deixando que o substrato seque. No entanto, o perigo que daí pode advir é o apodrecimento das raízes e a infestação de fungos por toda a planta. Deve-se, então, caso não seja o substrato de origem, plantá-la numa mistura muito grossa e solta de casca de pinheiro, um pouco de areão vulcânico e fibra de coco. Assim, pode-se regar até diariamente sem o risco de afetar a saúde radicular da planta, arrefecendo ao mesmo tempo a Miltoniopsis através deste método.

É importante ainda diferenciar luz de sol. No historial local, muitas orquídeas que requerem luz foram plantadas sob sol direto e isso raramente é benéfico para as orquídeas. Luz significa claridade, sol filtrado pelas copas das árvores.

O local ideal para colocar uma Miltoniopsis não será nunca sob o sol direto, especialmente quando o vaso é colocado lateralmente ao sol, provocando o aquecimento e consequente morte das raízes. Mais, nunca deverá ser plantada em “terra de tocos”, terra normal ou semelhante que estrangularão as raízes, decompondo-se e saturando o substrato.

Finalmente, e relativamente à adubação, ela deve ser parca e feita somente durante o período de crescimento ativo da planta. Sempre que novos rebentos se formem, pode-se adubar com um adubo equilibrado em NPK (N – azoto, P – fósforo, K – potássio) na diluição mais fraca recomendada e somente a cada 4.ª rega durante o tal período.

Com períodos de floração variados e distintos, hastes florais que duram algumas semanas e quase sempre muito bem perfumadas, as Miltoniopsis, atendendo a pequenos truques e alterações aqui descritas, poderão fazer parte dos nossos jardins, embelezando e alegrando os nossos dias.


Pedro Spínola

Tem alguma questão? Coloque-a aqui:

Código de segurança
Atualizar