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Aspetos gerais sobre o Charuteiro da RAM – pesca, aquacultura e investigação científica

figura1 exemplar de charuteiro
 Figura 1 - Exemplar de Charuteiro (Seriola sp)

Os charuteiros ocorrem naturalmente nas águas do arquipélago da Madeira. São peixes pelágicos com preferência por habitats de baixas profundidades (entre 5m e 45m). Nesta região, existem três espécies deste grupo de peixes (Seriola dumerili, Seriola rivoliana e Seriola fasciata), no entanto para as estatísticas de pesca, as três são avaliadas como um se de uma só espécie se tratasse. Até ao final dos anos 90, os charuteiros tinham grande importância para a pesca comercial, como uma espécie de peixe fino. Atualmente, o seu volume de capturas tem diminuído, rondando os 2.000 kg/ano.

Os charuteiros são produzidos em aquacultura por todo o mundo, tendo-se a sua cultura se iniciado na China nos anos 60, um dos maiores produtores a nível mundial. Mais tarde, começaram a ser produzidos no Mediterrâneo (segunda metade dos anos 80), onde Espanha é o país com a maior produção. Nos últimos anos, iniciou-se a sua produção no arquipélago da Madeira. Trata-se de uma aquacultura off-shore (em mar aberto), com recurso a jangadas flutuantes, em regime intensivo, onde os peixes são alimentados à base de ração desenvolvida de acordo com os requisitos nutricionais da espécie. Por parte da região tem existido um grande investimento no cultivo do charuteiro e o objetivo é aumentar a produção.

Recentemente, estão a ser desenvolvidos diversos trabalhos científicos sobre o charuteiro, como estudos de produção, qualidade nutricional, segurança alimentar e parasitologia. Relativamente aos trabalhos de parasitologia, não só contribuem para o aumento do conhecimento cientifico sobre parasitas que ocorrem nestas espécies, como podem contribuir para a evolução da sua produção em aquacultura, mostrando que riscos possam existir para as produções ou se será viável, por exemplo, investir na produção de juvenis. Atualmente, os mesmos são adquiridos no Mediterrâneo e apenas engordados na região. O início da produção de juvenis traria benefícios não só para os produtores, por reduzir os custos com a aquisição, mas também a nível ecológico e ambiental, pois diminuiria o risco de introdução de doenças que possam existir no Mediterrâneo.

 
figura2 allencotyla mcintoshi
 Figura 2 - Allencotyla mcintoshi – parasita das brânquias de Charuteiro

Na região da Madeira, existe um problema relacionado com o consumo de charuteiro selvagem, a Ciguatera, um tipo particular de intoxicação alimentar ligada ao consumo de pescado contaminado com ciguatoxinas. A presença de ciguatoxinas apenas é detetada através de uma análise específica, uma vez que não provoca alterações nas características do pescado e nenhum tipo de conservação ou confeção a elimina. Por se acumular nos peixes ao longo da sua vida, pela via alimentar, animais de maior porte, têm maior probabilidade de apresentar níveis mais elevados e ciguatoxinas. Como tal, e de forma a prevenir intoxicações graves ou mesmo letais, está interdita a pesca de charuteiro nas Ilhas Selvagens até à batimétrica dos 200 m e a entrada no circuito comercial, através da Direção de Serviços de Lotas e Entrepostos Frigoríficos, de exemplares com mais de 10 kg, independentemente da sua origem (consultar: https://dica.madeira.gov.pt/index.php/outros-temas/pescas/851-a-investigacao-aplicada-as-pescas-a-ciguatera).

Uma vez que na região existe produção de charuteiro em aquacultura, aconselha-se o seu consumo, em detrimento de exemplares selvagens.

Bárbara Cavaleiro
Bolseira de Investigação FCT
Direção Regional de Pescas/Faculdade de Ciências de Lisboa

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