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Breve nota sobre a biologia de peixe-espada preto

O peixe-espada preto (Aphanopus carbo Lowe, 1839) é uma espécie bentopelágica, abundante entre os 700 m e os 1300 m de profundidade, executando migrações verticais à noite para se alimentar. Característico das espécies de profundidade, exibe um crescimento lento e uma longevidade elevada, conferindo o estatuto de um recurso de recuperação lenta perante uma exploração comercial contínua.

Esta espécie distribui-se por todo o Atlântico Nordeste, desde o seu extremo norte a sul da Islândia, passando pelas Ilhas Britânicas, costa continental Portuguesa e Arquipélago dos Açores, até ao extremo sul no Arquipélago da Madeira, Canárias e costa nordeste Africana, ao largo de Marrocos.

  mapa espada preto
Figura 1. Ciclo migratório proposto de A. carbo
pelo Atlântico Nordeste (De Farias et al., 2013).

Variadíssimos estudos populacionais indicam que esta espécie exibe apenas um stock, distribuindo-se por todo o Atlântico Nordeste. A reprodução realiza-se no extremo sul, nos mares da Madeira, Canárias e possivelmente ao largo da costa nordeste de África, de Setembro a Dezembro. Deste modo, esta espécie exibe uma migração anual por todo o Atlântico Nordeste, sendo esta migração realizada por motivos reprodutivos e alimentares (Figura 1).

O peixe-espada preto exibe uma segregação relativamente ao tamanho e estado de maturação sexual, na medida em que no extremo sul da distribuição, encontram-se os indivíduos maiores, mais pesados e sexualmente maturos. No extremo norte, contrariamente, encontram-se indivíduos de menores dimensões e imaturos, indo, portanto, de encontro com o ciclo migratório proposto para esta espécie.

 

De notar também que este recurso partilha a mesma distribuição geográfica com outra espécie, designada por peixe-espada intermédio (Aphanopus intermedius Parin, 1983). Este fenómeno, designado por simpatria, sendo, portanto, atribuído a duas espécies simpátricas, indica que a pesca de profundidade na Madeira (CECAF 34.1.2.) e áreas adjacentes (Canárias, Açores e costa nordeste Africana), incide sobre ambas as espécies, factor a ter em consideração em estudos biológicos.

Em adição, os desembarques, de um ponto de vista estritamente comercial, referem apenas a A. carbo, sendo, no entanto, de notar que estudos prévios (Delgado et al., 2013) indicaram que as capturas na Madeira recaem numa proporção de 80:20, correspondendo a maior porção ao peixe-espada preto.

Referências bibliográficas:
Delgado, J., Reis S., González, J. A., Isidro, E., Biscoito, M., Freitas, M., Tuset, V. M. (2013).
Reproduction and growth of Aphanopus carbo and A. intermedius (Teleostei: Trichiuridae) in the
northeastern Atlantic. J. Appl. Ichthyol., 29: 1-7.

César Gomes
Biólogo
Direção Regional de Pescas

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