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sidra1Iniciássemos uma viagem a partir do fundo do mar. Não de um mar qualquer, mas daquele, o que há entre o cais do Lazareto e a Ponta da Oliveira. Nadadores só ascendentes, através de uma água que quase não sentíssemos, experimentássemos uma hipótese de itinerário.

Deixadas em baixo holutárias ondeantes e evitados, apesar do inútil receio, os braços acerados de pacatos ouriços-de-espinhos-longos, chegássemos a um espaço de outro azul em que fossemos meros peixes felizes e, por entre badejos e sargos, o Mero, mestre de olhos orientais, nos quisesse ensinar segundos de um ballet de silêncios. Logo, um bodião nos entontecesse com um arco-íris fugaz, e chegássemos a uma praia de calhau cor de prata, dali, ainda selvagem.

sidra2Não, não serão os efeitos da Sidra dos Prazeres que agora aprecio na esplanada de um muito simpático bar-restaurante, mais ou menos a meio da reta da Estrada do Garajau. Aliás, uma bebida de baixo grau alcoólico, e que preserva todo o bom das maçãs produzidas do lado oeste da Ilha. Acontece que aproveito o momento, naquela companhia líquida, para adivinhar os gatafunhos que há pouco escrevinhara, do que vira do olhar imenso do promontório do Cristo Rei mais abaixo.

Naquele passeio, a ave que dá o nome àquela esplendorosa reserva marinha, o garajau, de plumagem branca, barrete preto e bico de ponta amarela, não tive a felicidade de encontrar. Provavelmente, dada a luz que escoava, já descansasse na penumbra das rochas, ou não tivesse sequer regressado de outras paragens.

Regressarei noutros dias, e talvez a avezita me surja. Quanto mais não seja para voltar ao "Espada na Pedra", ter dois dedos de conversa com o seu timoneiro Nelson Alves e, claro, saborear uma excelente Sidra dos Prazeres, picando um dos petiscos que muito bem confeciona.

Paulo Santos
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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