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O nosso Funchal, como ele não há igual!

sabores nossos de sempre cana de acucar No mundo, atrevo-me a dizer, haverá poucas cidades como o Funchal, que derivem do nome de uma planta. Desse modo, a denominação atribuída à nossa urbe remete-nos para uma época longínqua, onde existiam muitos funchos no seu amplo anfiteatro natural. Ainda hoje, como que a perpetuar aquela memória de outrora, persistem os rebuçados de funcho. Quem os provou, sabe que um sabe a pouco e quase sempre nos leva a recordar o tempo da nossa meninice.

Mas, a Capital do Arquipélago da Madeira cedo se revelou um importante porto do comércio açucareiro, visitado por compatriotas, alemães, flamengos e italianos. Na Ilha, produzia-se aquele que era o produto de luxo consumido nas cortes europeias, o açúcar, também designado de “ouro branco” e que prosperou até meados do século XVI. Desse passado adocicado, herdou-se o mel de cana-de-açúcar, que é usado no bolo e nas broas de mel de cana-de-açúcar, em especial pelo Natal, e abusado nos sonhos e malassadas pelo Entrudo.

A seguir, veio o Vinho que leva o nome da Madeira por esse mundo além e que, no Funchal, tinha e tem a maioria das Casas que comercializam aquele precioso néctar. Se observarmos com atenção o brasão de armas da Cidade, lá estão representados aqueles dois cultivos agrícolas que perduram na nossa terra, por meio dos “pães de açúcar” e a sua ligação à cana sacarina, bem como dos cachos de uvas que darão o Vinho.

 

sabores nossos de sempre vindima No presente, o Funchal ainda tem (felizmente) uma expressiva ruralidade. Senão, vejamos, os bananais e as hortas que teimam em figurar na paisagem citadina por entre novas avenidas e prédios, mais concretamente nas freguesias de São Martinho e Santo António. As fazendas que de tudo um pouco têm, entre hortícolas e árvores de fruto, e que convivem “paredes meias” com casas e apartamentos, em São Roque, no Monte, em Santa Maria Maior, em São Gonçalo, no Imaculado Coração de Maria, em Santa Luzia e São Pedro, deixando talvez propositadamente de fora deste périplo pelo concelho, a freguesia da Sé, a única que poderemos considerar exclusivamente urbana. Todos estes cultivos contribuem para o verde agrícola tão admirado pelos que nos visitam e igualmente por nós que, mesmo acostumados, nos agrada à vista e nos enche a alma!

E que dizer do Mercado dos Lavradores, ponto de visita obrigatório para quem cá vive e quer comprar as verduras, a carne e o peixe mais frescos, e dos turistas que se acotovelam com os locais à procura do melhor ângulo para capturar para a posteridade aquele cantinho especial pleno de mil e uma cores, complementado pelos sentidos do olfacto e do paladar!

É, pois, assim, o nosso Funchal, como ele não há igual!

(O autor prefere usar a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990)

Joaquim Leça
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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