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Haja vontade para (re)descobrir!

sabores nossos de sempre 1 Inicio hoje uma rubrica mensal intitulada Sabores nossos de sempre. Pretende-se nos próximos tempos recordar e assinalar o que de bom têm as Ilhas da Madeira e do Porto Santo, no que diz respeito à agricultura, à gastronomia e aos usos e costumes associados e que, no decorrer de seis séculos de presença humana, contribuíram para a existência de uma identidade madeirense.

Quando aqui chegaram, os nossos antepassados encontraram uma floresta frondosa, a Laurissilva, que é Património Natural da Humanidade desde 1999. Para que houvesse alimento para as gentes que aqui se fixaram e deram início ao povoamento, havia que plantar cereais, com destaque para o trigo, para dele fazer pão. Como território virgem, a Ilha da Madeira serviu de campo de ensaio para a instalação de novas culturas como a cana sacarina. E logo se comprovou que era possível cultivar a cana-de-açúcar e produzir um produto que era cobiçado pelas cortes europeias, o “ouro branco” que trouxe prosperidade e nome a esta Região, tendo este conhecimento e tecnologia sido levados posteriormente pelos madeirenses para outros achamentos portugueses, como as Ilhas dos Açores, de Cabo Verde e depois, o Brasil. Com a expansão lusa pelo Mundo e o surgimento de grandes produções de açúcar brasileiro, havia que encontrar outra alternativa agrícola que fosse rentável, tendo então surgido a vinha que deu origem ao néctar que é quiçá o seu maior Embaixador, o Vinho Madeira.

 

Como consequência dos Descobrimentos nos Continentes Americano e Africano e das trocas comerciais daqueles e da Ásia para a Europa, chegaram a este Arquipélago hortofrutícolas de clima tropical e subtropical como o feijão, o inhame, a batata doce, a banana, a anona, o maracujá, o abacate, entre outros, que se juntaram a outras trazidas do Continente como a couve, a castanha, a cereja, a maçã e os citrinos. A localização geográfica destas Ilhas e o factor altitude proporcionam um mosaico de culturas de climas subtropical e temperado encosta acima, quer na costa sul, quer na costa norte da Madeira, transformando a sua paisagem tão apreciada, por ser distinta. O que num continente levaria a percorrer centenas a milhares de quilómetros e muitas horas de estrada, aqui precisamos apenas de poucos quilómetros e alguns minutos para nos admirarmos com a diversidade agrícola que transmite cores e formas que cativam o nosso olhar.

E os mil e um climas, a terra e o saber-fazer do Agricultor insular moldaram os cultivos agrícolas no decurso do tempo, tornando-os diferentes dos que os precederam, com características singulares e definindo-se como variedades locais ou “tidas como tais”. E é com alguma facilidade que se elabora um roteiro agrícola pelas Ilhas da Madeira e do Porto Santo, que se reflecte naquilo que se come, ao longo do ano, conforme as estações. E há oferta bastante para paladares diferentes, haja vontade para (re)descobrir.

Aceite, pois, este convite, viajando connosco mensalmente nestes Sabores nossos de sempre e conheça o que de melhor os 11 Concelhos da Região têm para dar.

(O autor prefere usar a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990)

 

Joaquim Leça
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

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